O fim da era do retrovisor: por que a IA será o motor da segurança e da eficiência em 2026

Por Rony Neri**
Durante décadas, a gestão de frotas operou com uma “lógica de retrovisor”: dependíamos de tecnologias que apenas registravam os eventos após o fato consumado. Eram informações de valor, sem dúvida, mas incapazes de reescrever o passado. Hoje, a Inteligência Artificial (IA) rompe definitivamente com essa inércia, transformando a segurança em uma estratégia de prevenção pró-ativa e instantânea.
A grande revolução da IA está na capacidade de entender contextos – de realmente enxergar o que acontece além de uns poucos dados A tecnologia diferencia uma checagem rápida no espelho de uma distração perigosa com o celular, identifica sinais sutis de fadiga, como microexpressões, e entende padrões comportamentais que sensores convencionais jamais captaram. A IA deixa de ser uma simples ferramenta de monitoramento para atuar como um copiloto atuante, intervindo antes que o erro se torne estatístico.
O feedback chega ao motorista para corrigir a postura na hora enquanto apoia o gestor a ajustar a estratégia, substituindo relatórios tardios por ações imediatas que de fato geram valor.
É por isso que a prevenção predictiva caminha para se consolidar como padrão, um auxílio às frotas que entrega benefícios claros à operação, como redução de custos, maior disponibilidade de frota e uma operação muito mais eficiente.
Eficiência operacional mensurada em números, como atestado nos milhares de clientes que a Platform Science já atende com estas tecnologias. Como exemplo, em um estudo de caso recente, ao alinhar nossa tecnologia com uma cultura de segurança sólida e gestão à vista, um transportador de bebidas obteve um impacto financeiro estimado em R$ 601,7 mil em um período de 4 meses, impulsionado pela economia de 26,6 mil litros de diesel e otimização operacional. Mais impressionante ainda foi o salto na proteção à vida: a operação, que antes registrava um evento de risco a cada 500 km, passou a registrar apenas um a cada 6.330 km. Esses dados confirmam que a tecnologia embarcada não é um custo, mas a alavanca necessária para a competitividade.
Para 2026, essa condução assistida será também a maior aliada da eficiência energética e da agenda ESG. Contudo, essa transição exige uma nova mentalidade, onde deixamos de usar a tecnologia para punir falhas do passado e passamos a utilizá-la para moldar o futuro da operação. No fim, a inovação serve a um propósito essencialmente humano: garantir que, ao final da jornada, o motorista volte para casa em segurança.
*Rony Neri é diretor-executivo da Platform Science na América Latina. Formado em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Londrina, possui especialização em Gestão de Negócios e Liderança pelo IESB/FIEP, além de MBAs em Gestão Comercial pela Fundação Getúlio Vargas e em Executive Business Management pela Swiss School of Business and Management. O executivo coleciona passagens por empresas como Unilab, Senior Sistemas e Guenka Software.






