Secretaria de Agricultura destaca ações de defesa vegetal em cerimônia de criação do CPA Citros, em Piracicaba
Centro reunirá pesquisadores do Brasil e do exterior para combater o greening; SAA reforça fiscalização, educação sanitária e apoio ao produtor

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo participou, nesta segunda-feira (12), em Piracicaba (SP), da cerimônia que oficializou a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros), uma parceria estratégica entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
A iniciativa consolida a maior rede internacional de pesquisa já estruturada para o enfrentamento do greening (HLB), principal ameaça fitossanitária da citricultura, reunindo cerca de 75 pesquisadores, de 19 instituições e 36 departamentos, no Brasil e no exterior. O centro terá investimento de R$ 90 milhões ao longo de cinco anos, com recursos do Fundecitrus e da Fapesp.
O secretário-executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Alberto Amorim, destacou que o CPA Citros dialoga diretamente com as políticas públicas já em curso no Estado.

“O CPA Citros é uma iniciativa fundamental porque rompe fronteiras e paradigmas, ao reunir pesquisadores e especialistas de diferentes áreas em uma verdadeira rede global de conhecimento. Esse modelo colaborativo fortalece não apenas o controle do greening, mas também a inovação, a transferência de tecnologia e a sustentabilidade dos pomares paulistas”, afirmou.
Atuação concreta da Defesa Agropecuária
Além do apoio à pesquisa científica, a Secretaria de Agricultura mantém atuação direta e permanente no campo, por meio da Defesa Agropecuária, com foco na prevenção e no controle do HLB. Somente em 2025, foram fiscalizadas 17.549 propriedades citrícolas no Estado de São Paulo, resultando na retirada de 60.316 mudas irregulares de circulação, reduzindo riscos sanitários aos pomares.
No mesmo período, a Defesa realizou 26 palestras educativas voltadas ao público externo, reforçando a importância do manejo adequado, da eliminação de plantas contaminadas e da adoção de boas práticas fitossanitárias. A pasta também mantém canal direto para recebimento de denúncias sobre pomares abandonados ou mal manejados, ferramenta essencial para o controle coletivo da doença.
“O enfrentamento do greening exige ciência, fiscalização, orientação técnica e engajamento dos produtores. O Estado atua em todas essas frentes, integrando pesquisa de ponta com ações efetivas no território”, ressaltou Amorim.
Pesquisa aplicada e transferência de tecnologia
O CPA Citros nasce com a missão de desenvolver soluções científicas e tecnológicas para os principais desafios da citricultura, com foco na interação entre planta, patógeno e vetor, no aprimoramento das estratégias de manejo e na formação de novos especialistas. O modelo em rede permitirá acelerar descobertas e ampliar a transferência de tecnologia ao produtor rural.
Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o centro representa um marco para o setor. “É uma iniciativa grandiosa, que integra alguns dos principais pesquisadores do Brasil e do mundo para enfrentar, de forma estratégica e colaborativa, um problema que causa impactos severos à citricultura em diversos países”, afirmou.
Importância econômica e desafio fitossanitário
O Brasil é o maior produtor mundial de laranja e líder global na exportação de suco. No cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, a última safra alcançou cerca de 230 milhões de caixas. Apesar da relevância econômica e social do setor, que emprega mais de 200 mil pessoas, o greening segue como o principal desafio sanitário da atividade.
Nas últimas cinco safras, a doença provocou perdas equivalentes a 102,26 milhões de caixas, e atualmente cerca de 47,6% das plantas dos pomares comerciais dessas regiões apresentam sintomas.
Rede internacional de excelência
Sediado na Esalq/USP, o CPA Citros não contará com sede física única, integrando laboratórios e equipes no Brasil e no exterior. Além do Fundecitrus e das unidades da USP, participam instituições como Unicamp, Unesp, UFSCar, IAC, Embrapa e centros de pesquisa da França, Espanha, Estados Unidos, Austrália, Inglaterra e Portugal.
Para a diretora do CPA Citros, Lilian Amorim, o centro nasce de uma demanda concreta dos citricultores paulistas. “É uma parceria voltada à solução de um problema da sociedade, com forte atuação em pesquisa, educação e transferência de tecnologia, garantindo que o conhecimento científico chegue rapidamente ao campo”, destacou.
A cerimônia reuniu cerca de 100 participantes, entre autoridades, pesquisadores, engenheiros-agrônomos e representantes do setor produtivo, reforçando o compromisso conjunto entre Estado, ciência e produtores para proteger a citricultura paulista e brasileira.
Reforço na vigilância
Na ocasião, Amorim ressaltou a iniciativa que visa a contratação de 28 profissionais que atuarão em conjunto com servidores da Defesa Agropecuária no combate ao HLB/Greening por meio de termo de colaboração com uma Organização da Sociedade Civil (OSC). Os profissionais atuarão divididos em seis equipes, sendo dois engenheiros agrônomos, 24 inspetores de pragas e dois auxiliares administrativos. As propostas das OSCs interessadas podem ser apresentadas até 26 de janeiro de 2026.
“Mais monitoramento é sinônimo de maior segurança e consequentemente, maior produtividade para os pomares paulistas. São Paulo concentra aproximadamente 80% da produção nacional e gerou quase 50 mil empregos só em 2024, ou seja, precisamos continuar agindo para manter a citricultura paulista como referência mundial”, confirmou o secretário executivo.






