Indústria brasileira vai ao Panamá para ampliar presença na América Latina
Missão da CNI leva mais de 100 participantes ao Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, a partir desta terça (27). Comércio Brasil-Panamá foi recorde em 2025 e cresceu 426% na última década

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lidera, entre esta terça-feira (27) e a próxima sexta-feira (30), a Missão Empresarial ao Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe (ALC), no Panamá. A iniciativa, que leva mais de 100 empresários brasileiros ao país, quer reforçar a presença e o protagonismo do setor produtivo do Brasil em um dos principais espaços de diálogo regional sobre crescimento sustentável, inclusão e competitividade.
Em 2025, as exportações brasileiras para o Panamá bateram o recorde de US$ 1,6 bilhão, um crescimento de 426% na última década, com a indústria de transformação representando quase 90% desse fluxo. Os dados são de um levantamento da CNI, com base em dados da Apex-Brasil, do Banco Mundial, do ComexStat e do Banco Central, que mostra ainda que o Brasil teve investimentos no Panamá que somaram US$ 9,5 bilhões em 2024. Além disso, há 647 oportunidades de exportação mapeadas para o mercado do país.
Apesar do desempenho expressivo, a relação bilateral tem espaço para crescer. Enquanto as exportações brasileiras avançam, as importações do Panamá permanecem tímidas: somaram US$ 16,4 milhões em 2025. Neste cenário, a indústria brasileira defende o avanço das negociações de um Acordo de Livre Comércio entre Brasil e Panamá, considerado prioridade do setor privado brasileiro para ampliar competitividade e condições de acesso ao mercado. Mercados como os Estados Unidos, a União Europeia e outros parceiros latino-americanos já têm acordos comerciais com o Panamá e estão um passo à frente.
Para o líder da missão e diretor da CNI, Paulo Afonso Ferreira, a iniciativa reflete uma estratégia clara de fortalecimento da presença da indústria brasileira na região. “O Panamá é um parceiro estratégico para o Brasil e um ponto de conexão fundamental com a América Latina e o Caribe. Essa missão foi desenhada para criar oportunidades concretas de negócios, ampliar o diálogo institucional e posicionar a nossa indústria em um ambiente competitivo e integrado”, avalia o representante da CNI.
Brasil tem papel central no desenvolvimento econômico da região
No comércio intrarregional da América Latina, o Brasil se destaca como o principal exportador de bens para os demais países da região, o que atribui ao país um papel estratégico na integração comercial da América Latina, como elo fundamental para o fortalecimento do comércio da região. Segundo levantamento da CNI, as exportações brasileiras para a América Latina atingiram US$ 56,5 bilhões em 2025, um crescimento de 51% na década. Esse aumento foi impulsionado pelo desempenho das vendas externas para a Argentina. No ano, 87,7% do valor exportado foram de bens da indústria de transformação, segmento também predominante nas importações brasileiras com origem na região.
No entanto, o Brasil tem reduzido sua presença como fornecedor de bens aos países da região. Em 2024, o país perdeu 3,1 p.p. de participação como origem de importação da América Latina e Caribe, movimento que evidencia desafios relacionados ao aproveitamento do potencial da região e ao aprofundamento da integração econômica e do comércio bilateral.
Além do acordo comercial Brasil-Panamá, a indústria brasileira leva ao encontro prioridades estratégicas na América Latina como o avanço na agenda econômico-comercial do Mercosul, a celebração de um novo acordo comercial Brasil-México, a modernização dos acordos comerciais do Brasil com a América do Sul, o fortalecimento das relações econômicas com a América Central, uma maior a integração física e logística da América Latina e Caribe e a implementação do Acordo Mercosul-União Europeia.
Empresariado brasileiro conectado ao mercado global
A missão empresarial prevê imersão dos participantes no ecossistema econômico e institucional da região, com agendas estratégicas de desenvolvimento, investimento e integração econômica, além de oportunidades de aproximação com empresários locais. A iniciativa tem apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e parceria do Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN) e do Fórum Nacional da Mulher Empreendedora (FNME).
Além das reuniões bilaterais, a delegação da CNI realizará um encontro do Conselho Industrial do Mercosul e lançará, em parceria com o CAF e com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma consulta empresarial sobre os desafios da mulher no comércio internacional na América Latina.
Durante o fórum acontece também a Rodada de Negócios América Latina e Caribe: Conexão ao Mercado Global. O objetivo é aproximar a oferta exportável da região da demanda global, impulsionando comércio, investimentos e novas parcerias. A iniciativa prevê encontros direcionados entre empresas brasileiras, compradores internacionais, parceiros locais, investidores, instituições financeiras e representantes de diversos países da região. Estão previstos 150 compradores internacionais, 300 exportadores da América Latina e mais de quatro mil reuniões individuais.
A expectativa da CNI é de resultados práticos para as empresas participantes. “Estamos falando de um mercado com comércio bilateral recorde, grande potencial que pode ser mais explorado e uma agenda intensa de encontros empresariais. Esperamos que a missão resulte em parcerias, investimentos e novos caminhos para a internacionalização das empresas brasileiras”, afirma o diretor Paulo Afonso Ferreira.
Integram a delegação da CNI lideranças das federações da indústria – os presidentes Jamal Bittar (FIBRA), Cassiano Pereira (FIEPB), André Rocha (FIEG), Carlos Henrique Passos (FIEB) e Roberto Serquiz Elias (FIERN) –, a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri; e a vice-presidente do Fórum Nacional da Mulher Empreendedora, Janete Vaz; além de representantes de câmaras de comércio, entidades setoriais e empresas brasileiras.






