Microesferas com cascas de jabuticaba e pequi da Unicamp aumentam a estabilidade de probióticos

Microesferas com cascas de jabuticaba e pequi da Unicamp aumentam a estabilidade de probióticos
Disponível para licenciamento, tecnologia amplia a resistência desses microrganismos em produtos vegetais e à base de frutas

Microesferas com cascas de jabuticaba e pequi da Unicamp aumentam a estabilidade de probióticos

Probióticos auxiliam o equilíbrio da microbiota intestinalfortalecem o sistema imunológico e melhoram a digestão. No entanto, incorporá-los a alimentos não lácteos ainda é um desafio para a indústria, pois esses microrganismos são sensíveis a variações de acidez, temperatura e teor de açúcar.

Para contornar essas limitações, pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA Unicamp) desenvolveram microesferas que encapsulam probióticos, criando uma camada de proteção que viabiliza o uso desses microrganismos em produtos vegetais e à base de frutas. Essas microesferas funcionam como veículos de transporte, mantendo os microrganismos vivos por mais tempo e sob condições mais adversas. A tecnologia corresponde a um Certificado de Adição (CA) de patente anterior, criada também na FEA Unicamp.

Microesferas com cascas de jabuticaba e pequi da Unicamp aumentam a estabilidade de probióticos

“Na primeira versão, desenvolvemos cápsulas com alginato de cálcio – um polímero natural extraído de algas – e casca de jabuticaba em pó. O uso dessa fruta, além de conferir cor naturalaumentou a estabilidade dos probióticos, permitindo que sobrevivessem em alimentos mais ácidos, como uma geleia”, explica o professor Juliano Lemos Bicas, docente da FEA Unicamp e um dos inventores da tecnologia.

O novo processo aprimora essa técnica ao combinar diferentes métodos de encapsulação e incorporar óleo de pequi à matriz composta por alginato de cálcio e casca de jabuticaba. Essa combinação formou camadas adicionais de proteção, criando emulsões duplas capazes de preservar os microrganismos mesmo em condições mais adversas.

“Habitualmente aplicados em produtos lácteos, por conta do pH pouco ácido, os probióticos foram testados em ambientes extremos — com alta acidez e concentração de açúcar — e permaneceram viáveis”, detalha Bicas.

Os resultados apontam para uma maior resistência dos microrganismos encapsulados frente a acidezpressão osmótica e tratamentos térmicos rápidos.

“Esses dados mostram que a tecnologia pode ser aplicada em sucos, polpas, geleias e bebidas vegetais — alimentos nos quais, até então, os probióticos não sobreviviam por muito tempo”, ressalta o docente.

Ingredientes brasileiros e aproveitamento de resíduos

A tecnologia, conduzida junto aos pesquisadores Marina Felix Cedran e Fábio Júnior Rodrigues, ambos doutores em Ciência de Alimentos pela FEA Unicamp, prioriza o uso de ingredientes nativos e o aproveitamento sustentável de subprodutos da agroindústria.

“A combinação de jabuticaba e pequi não só apresenta melhor desempenho, como também valoriza a biodiversidade brasileira”, destaca Bicas.

Ricos em compostos bioativos, estas matérias-primas foram incorporadas à formulação como agentes de proteção e reforço nutricional. “Os resultados indicam que subprodutos e resíduos agroindustriais, por exemplo, que muitas vezes vão para compostagem ou alimentação animal, podem ter um uso mais nobre, trazendo benefícios reais à saúde humana”, afirma o pesquisador.

Os testes laboratoriais mostraram que a adição de casca de jabuticaba e óleo de pequi à base de alginato de cálcio aumentou a eficiência de encapsulação, com efeito sinérgico entre os dois ingredientes brasileiros.

Avanço tecnológico e próximos passos

O próximo passo é ampliar a escala e validar a viabilidade industrial. O grupo já realizou testes em escala piloto, com apoio de parceiros industriais, utilizando uma tecnologia análoga — não idêntica à atual —, o que ajuda a orientar os próximos passos para aumentar a escala da invenção para níveis mais altos de maturidade tecnológica.

A invenção foi protegida com apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp. Para o pesquisador, esse suporte é essencial para conectar a pesquisa à aplicação prática.

“A Inova tem uma estrutura muito organizada, que nos orienta desde a proteção intelectual até a interface com empresas. É o que garante que nossas pesquisas cheguem ao mercado”, avalia o pesquisador.

A tecnologia contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 – Saúde e Bem-Estar ao oferecer alternativas alimentares mais inclusivas e promover o aproveitamento sustentável de resíduos vegetais.

Como licenciar uma tecnologia na Unicamp

A Inova Unicamp disponibiliza no Portfólio de Tecnologias da Unicamp uma vitrine tecnológica. Empresas e instituições públicas ou privadas podem licenciar a propriedade intelectual desenvolvida na Unicamp, com ou sem exclusividade, tais como patentes, cultivares, marcas, software e know-how. O contato e negociação é realizado diretamente com a Agência de Inovação da Unicamp pelo formulário de conexão com empresas.

A Inova Unicamp também oferta ativamente as tecnologias para as empresas, com a intenção de que o conhecimento gerado na Universidade chegue ao mercado e à sociedade em forma de soluções inovadoras. Para conhecer outros casos de licenciamento de tecnologias da Unicamp acesse o site da Inova.

Texto: Adriana Arruda – Inova Unicamp
Fotos: Igor Alisson – Inova Unicamp

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