Relatório da Fundação Ellen MacArthur mapeia caminhos para um ciclo circular de baterias e minerais críticos

Relatório da Fundação Ellen MacArthur mapeia caminhos para um ciclo circular de baterias e minerais críticos

Relatório da Fundação Ellen MacArthur mapeia caminhos para um ciclo circular de baterias e minerais críticos

A Fundação Ellen MacArthur lançou um white paper chamado Leading The Charge, destacando que a atual cadeia de produção de baterias para veículos elétricos (EV) enfrenta riscos estratégicos significativos devido à dependência de minerais críticos e a um modelo linear de produção que agrava vulnerabilidades na oferta e nos preços desses insumos essenciais. Com a previsão de que veículos elétricos representem entre 65% e 75% das vendas globais de carros até 2050, o relatório alerta para potenciais descontinuidades de abastecimento e aumentos de custo que podem frear tanto a adoção quanto a competitividade do setor. Nesse cenário, a economia circular surge como uma oportunidade para reverter esse possível risco.

Para viabilizar esse sistema circular, o documento destaca cinco pontos-chave de intervenção para a circularidade do sistema das baterias elétricas: aplicar design para a circularidade das baterias, repensar modelos de serviço que tratem baterias como ativos de longo prazo, ampliar infraestrutura circular regional, desenvolver modelos de negócio circulares e habilitar um sistema operacional circular por meio de dados, padrões e políticas.

Análise: Wen-Yu Weng, Líder executiva para Mineirais Críticos na Fundação Ellen MacArthur

O sistema atual de baterias para veículos elétricos representa um risco estratégico: é linear, intensivo em materiais e frágil. À medida que a adoção de veículos elétricos aumenta, uma economia circular para as baterias e para os minerais críticos que as alimentam deixa de ser opcional. É assim que garantimos acessibilidade, resiliência e crescimento, ao mesmo tempo em que reduzimos os impactos ambientais e sociais. As baterias de veículos elétricos são ativos estratégicos, e a economia circular é fundamental para capturar e reter o valor central associado aos minerais críticos.

É hora de uma ação coordenada e urgente para escalar a economia circular das baterias, assegurando o seu valor e garantindo que os minerais críticos necessários para produzi-las nunca se tornem resíduos. Esta é a nossa janela de oportunidade para transformar o risco mineral em uma vantagem competitiva.

Pesquisa diz que planeta já vive uma “pós-crise” da água e pede reorganização global

O relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU) afirma que o mundo entrou em uma nova era de “falência hídrica”, marcada por danos estruturais e, em muitos casos, irreversíveis aos sistemas que garantem a disponibilidade de água doce. Segundo os pesquisadores, a combinação entre mudanças climáticas, poluição e décadas de uso excessivo levou ao esgotamento não apenas dos fluxos renováveis de água, como chuvas e neve, mas também das reservas de longo prazo armazenadas em aquíferos, geleiras e ecossistemas. Cerca de 70% dos aquíferos subterrâneos estão em declínio contínuo, e fenômenos como secas prolongadas, lagos encolhendo e colapsos na produção hidrelétrica indicam que o problema não é temporário, mas uma nova condição permanente do planeta.

Nesse contexto, o relatório alerta que parte das perdas já é inevitável e que insistir na ideia de “crise hídrica” mascara a gravidade do cenário. A tarefa central, segundo os autores, passa a ser evitar novos danos irreversíveis enquanto o mundo se reorganiza em torno de um “orçamento hidrológico menor”, compatível com a água que ainda está disponível. Isso exige uma revisão profunda de políticas públicas, modelos de produção e consumo, além da proteção de ecossistemas essenciais para o ciclo hidrológico.

Análise: Luisa Santiago, diretora executiva da América Latina na Fundação Ellen MacArthur

A pesquisa aponta um cenário crítico de falência hídrica, causado por mudanças climáticas, uso excessivo da água e diferentes formas de poluição, como o da própria água. Além de ressaltar a gravidade da situação, a notícia reforça a urgência de evitar novos danos, indicando a necessidade de reformular os modelos de produção e consumo para não agravar ainda mais a pressão sobre um recurso já limitado.

Diante desse contexto, a economia circular é ferramenta essencial para  reorganizar os sistemas econômicos em torno de um orçamento hidrológico cada vez menor. Ao ter como princípios a eliminação da poluição desde o design, a manutenção de produtos e materiais em uso por mais tempo e a regeneração da natureza, a economia circular orienta os modelos de negócio a reduzirem a demanda por recursos naturais e estimularem a regeneração da natureza,  evitando a sobrecarga sobre os sistemas naturais, inclusive os hídricos.

A aplicação da economia circular revela um potencial estratégico em setores com alto consumo hídrico, como plásticos, minerais críticos e moda. Ao priorizar modelos circulares nessas indústrias, reduzimos drasticamente a extração de matérias-primas — etapa tradicionalmente intensiva no uso de água. Mais do que poupar recursos, essa transição permite que as empresas adotem práticas regenerativas que favorecem a produção e retenção de água nos ecossistemas, além de mitigar a poluição hídrica nos processos produtivos. Ao centralizar a economia circular nas estratégias de desenvolvimento, é possível dissociar o crescimento econômico da pressão sobre os recursos naturais, garantindo a resiliência dos negócios diante das crises ambientais

Agência da ONU pede fim de investimentos destrutivos e aposta em economia pró-natureza

O novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) mostra que o sistema financeiro global segue operando majoritariamente contra a natureza. Segundo o estudo, a cada US$ 1 investido na proteção ambiental, cerca de US$ 30 são direcionados a atividades que degradam ecossistemas, como combustíveis fósseis, agricultura intensiva, mineração e expansão industrial. Ao todo, US$ 7,3 trilhões em fluxos financeiros — públicos e privados — foram considerados prejudiciais à natureza em 2023, enquanto apenas uma fração dos recursos foi destinada a soluções baseadas na natureza, em grande parte com origem estatal.

Diante desse desequilíbrio, a agência ambiental da ONU propõe uma “grande virada da natureza”: redirecionar os fluxos econômicos globais para trabalhar a favor, e não contra, os ecossistemas. A estratégia passa pelo corte gradual de subsídios e investimentos ambientalmente destrutivos e pela incorporação de soluções baseadas na natureza em setores-chave da economia. Para o Pnuma, enxergar a natureza como um ativo estratégico, capaz de gerar bem-estar, resiliência econômica e benefícios climáticos, é essencial para cumprir as metas globais de biodiversidade e evitar perdas ambientais ainda mais profundas nas próximas décadas

Análise: Luisa Santiago, diretora executiva da América Latina na Fundação Ellen MacArthur

O chamado para redirecionar os fluxos financeiros em direção a soluções que apoiem a natureza, em vez de prejudicá-la, reconhece o papel central do capital como agente de transformação sistêmica. O direcionamento de investimentos tem capacidade real de acelerar mudanças positivas e estruturais, especialmente em um contexto em que os modelos econômicos dominantes seguem pressionando os limites planetários. Nesse cenário, financiar negócios alinhados aos princípios da economia circular é não apenas uma resposta ambiental necessária, mas uma oportunidade econômica concreta.

Estudos já demonstram que o modelo de economia circular é capaz de trazer mais eficiência, resiliência e prosperidade no longo prazo, reduzindo riscos associados à volatilidade de preços, à escassez de recursos e a choques na cadeia de suprimentos. Isso porque, através da aplicação dos princípios da economia circular – eliminar resíduos e poluição, circular produtos e materiais em seu mais alto valor e regenerar a natureza – as empresas contribuem com a manutenção e regeneração dos recursos naturais que garantem a sua existência.

Atividades econômicas que figuram entre as que mais atraem financiamento — como os setores industriais, a extração e produção de matéria-prima, e a comercialização de bens de consumo — representam justamente as áreas onde o modelo de economia circular pode revolucionar a lógica produtiva. Ao redirecionar o capital para priorizar os princípios da economia circular nesses setores, é possível converter desafios em ganhos ambientais e econômicos simultâneos.

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