Ano Novo Chinês vai além do feriado: falta de planejamento ainda é o maior gargalo das importações
Aumento de custos logísticos pode chegar a 50%. Especialista explica que impacto do período se estende antes e depois do feriado e mostra como as empresas podem reduzir riscos de ter a carga paralisada e elevados custos logísticos.

O Ano Novo Chinês é um dos eventos mais conhecidos do calendário do comércio exterior global, mas, segundo especialistas, seus impactos ainda são subestimados por muitas empresas brasileiras – sejam novos importadores ou compradores regulares da China. Mais do que uma pausa nas atividades industriais da China, o período expõe fragilidades de planejamento, pressiona a logística internacional e amplia riscos operacionais para quem depende de fornecedores asiáticos.
Para Raphael Souza, especialista em Logística da Macroex, empresa de comércio exterior que provê serviços de importação para companhias em todo o Brasil, o erro mais comum é tratar o Ano Novo Chinês apenas como um feriado pontual. “O problema não é só a semana de paralisação. O impacto começa antes, com aumento da demanda e pressão sobre a logística, e continua depois, porque a retomada não é imediata. Basta um fornecedor atrasar ou um embarque não confirmar para o efeito se espalhar por toda a cadeia”, explica.
Durante o período, fábricas operam com equipes reduzidas, respostas demoram mais do que o normal, e a previsibilidade diminui. Os aumentos tarifários podem chegar até 50% durante esses períodos, e a escassez de espaço em contêineres é uma das consequências mais críticas para importadores e exportadores.
Após o feriado, a retomada gradual da produção gera atrasos em sequência, dificuldade para garantir espaço nos navios e elevação de custos logísticos. “Muitas empresas só percebem o impacto quando a carga já está parada ou quando precisam reagir em cima da hora”, observa o especialista.
Nesse cenário, o papel das tradings ganha ainda mais relevância. Segundo Souza, a atuação especializada permite antecipar riscos e reduzir decisões tomadas sob pressão. “A trading ajuda o cliente a ter uma visão clara do cenário real. Acompanhamos se a carga está efetivamente pronta, planejamos embarques com antecedência e negociamos fretes dentro do que o mercado permite naquele momento”, afirma.
A escolha de parceiros logísticos também se torna estratégica. “Trabalhar com armadores que têm regularidade na rota e bom histórico de relacionamento faz diferença, especialmente próximo ao feriado. Não existe solução mágica depois que o Ano Novo Chinês começa”, diz.
Para minimizar impactos, o especialista recomenda antecipação de pedidos, alinhamento realista de prazos com fornecedores e revisão de estoques. “Nem sempre o planejamento sai exatamente como o esperado, mas quando essas conversas acontecem antes, as chances de ajuste aumentam muito”, reforça.
Na Macroex, o acompanhamento do mercado é contínuo. A trading orienta seus clientes, ajusta expectativas e acompanha as operações de perto durante todo o período. “Nosso diferencial está na postura consultiva, na proximidade com o cliente e na transparência sobre riscos e limitações. O objetivo é reduzir surpresas e dar previsibilidade, mesmo em um momento naturalmente mais instável”, conclui Souza.






