Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, explica que o movimento é recorrente e previsível em anos de grande produção. “Esse é o momento clássico em que o mercado ajusta preços para destravar fluxo. Não é destruição de demanda, é excesso temporário de oferta física concentrada no mesmo período”, afirma.

Comercialização lenta gera tensão no mercado
A comercialização da safra 2025/26 chega ao pico da colheita em ritmo abaixo da média histórica. Esse comportamento gera dois efeitos simultâneos: aumenta a pressão pontual sobre o mercado físico, mas também impede quedas mais profundas, já que a retração do produtor força a reação dos prêmios para atrair oferta.
“Quando o produtor vende pouco, o mercado precisa ‘gritar mais alto’ via prêmio para estimular a oferta. Isso cria assimetria: há pressão, mas também potencial de reação sempre que o fluxo trava”, explica Yedda.
Nesse ambiente, os prêmios no Brasil passam a ser o principal instrumento de ajuste do mercado físico, oscilando conforme a entrada ou retração da oferta. A leitura é de pressão sazonal, e não de colapso de demanda.

Chicago pressionada pela oferta, mas ralis técnicos viram oportunidade
No mercado internacional, a Bolsa de Chicago segue refletindo o peso da oferta sul-americana, com a confirmação de uma safra cheia no Brasil reduzindo o prêmio de risco. Apesar disso, movimentos recentes de alta têm sido impulsionados por fatores técnicos, reposicionamento de fundos e expectativas em torno da demanda chinesa.
“A alta recente em Chicago é técnica, não estrutural. Ela nasce de fluxo financeiro, cobertura de posições vendidas e ruídos sobre a China. Esse tipo de rali deve ser tratado como oportunidade tática, não como sinal de virada de tendência”, destaca a especialista.
Esses movimentos ajudaram a destravar parte da comercialização no mercado interno, melhorando temporariamente o flat price e devolvendo liquidez ao produtor. Para quem está com vendas atrasadas, o relatório aponta que esses ralis são momentos estratégicos para avançar comercialização, reduzir risco e garantir caixa.

Estratégia para a safra: gestão ativa e uso das janelas de mercado
A leitura integrada do mercado indica que o principal risco da safra 2025/26 deixou de ser produtivo e passou a ser comercial. Em um ambiente de safra grande, esperar por uma alta estrutural amplia a exposição ao risco, enquanto vender tudo no pico da pressão sazonal compromete o preço médio.
“O mercado raramente avisa duas vezes. Quando a alta vem por técnica e fluxo, ela precisa ser usada, não romantizada. A estratégia mais eficiente é usar esses momentos para avançar vendas, proteger margens e manter flexibilidade para o restante da safra”, conclui Yedda Monteiro.
Sobre a Biond Agro
Empresa especializada em gestão e comercialização de grãos para o produtor brasileiro, originária de um grupo de companhias com 25 anos de experiência (Fyo, CRESUD e Brasil Agro). Compreendendo os números e especificidades do negócio e como interagir com os mercados. A Biond Agro desenha estratégias de comercialização e execução de negócios, profissionalizando a gestão de riscos para tornar o agronegócio sustentável no longo prazo. Saiba mais em https://www.biondagro.com/






