Ondas de calor recordes colocam climatização urbana no centro dos debates
Congresso Mercofrio 2026 discute eficiência energética, resiliência e planejamento diante das temperaturas extremas
As ondas de calor cada vez mais intensas no Brasil e no mundo vêm pressionando sistemas de climatização, redes elétricas e a própria infraestrutura urbana. Recordes históricos de temperatura ampliam o consumo de energia, expõem fragilidades em edificações e colocam em evidência a necessidade de planejamento técnico de longo prazo. O tema estará em pauta no Mercofrio 2026, promovido pela ASBRAV – Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação, de 15 a 17 de setembro, no BarraShoppingSul.

O congresso reunirá engenheiros, urbanistas, especialistas em eficiência energética e pesquisadores para analisar como as cidades podem responder a cenários climáticos mais extremos. O debate envolve desde a capacidade das redes elétricas até o desempenho de sistemas de ar-condicionado em grandes centros urbanos, hospitais, prédios comerciais e residências.
O presidente da ASBRAV, Mário Henrique Canale, alerta que o desafio não é apenas tecnológico, mas estrutural.
“As ondas de calor deixaram de ser eventos pontuais e passaram a fazer parte da realidade urbana. Isso exige sistemas mais eficientes, planejamento energético consistente e integração entre engenharia, arquitetura e políticas públicas”, afirma.
O aumento expressivo no uso de ar-condicionado pode gerar novos riscos se não houver investimento em eficiência e modernização das redes.
“Se não pensarmos em eficiência energética, em equipamentos mais inteligentes e em projetos bem dimensionados, o crescimento da demanda pode pressionar o sistema elétrico e elevar custos para toda a sociedade”, completa.

Entre os pontos que devem ser discutidos no Mercofrio 2026 estão soluções resilientes para edifícios, uso de inteligência artificial na gestão de consumo, modernização de equipamentos, integração com fontes renováveis e estratégias de climatização urbana que reduzam ilhas de calor.
O encontro técnico também abordará a importância de normas atualizadas, qualificação profissional e planejamento de longo prazo para garantir conforto térmico sem comprometer a sustentabilidade energética.
Mais informações podem ser obtidas no site oficial do evento: https://mercofrio.com.br/
Recordes históricos de temperatura
Dados climáticos recentes mostram que o Brasil enfrentou temperaturas extremas nos últimos anos. A maior temperatura oficial já registrada no Brasil é de 44,8°C, observada em Araçuaí (MG) em 19 de novembro de 2023, superando marcas anteriores de 44,8°C em Nova Maringá (MT) em 2020 e 44,7°C em Bom Jesus (PI) em 2005. Essas medições são validadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Além disso, a média anual de temperaturas em 2024 foi de 25,02 °C, a mais alta já registrada no Brasil desde o início das medições em 1961, com 0,79 °C acima da média histórica de 1991-2020, indicando uma forte tendência de aquecimento nacional.
No cenário global, organismos internacionais têm apontado para um contexto ainda mais amplo de aquecimento. O aquecimento global acelerou, com um ritmo de aumento de cerca de 0,27°C por década nos últimos 10 anos. A previsão do Met Office do Reino Unido é que 2026 será um dos anos mais quentes já registrados, com a temperatura média global projetada em aproximadamente 1,46°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900).
Redação: Marcelo Matusiak
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