Engenharia mecânica: mercado de laudos apresenta oportunidades que vão além da indústria tradicional

Especialista na área, Daniel Lemos aponta áreas pouco conhecidas onde profissionais autônomos podem atuar com a emissão de laudos técnicos
A atuação do engenheiro mecânico por meio da emissão de laudos técnicos vai muito além dos segmentos tradicionalmente associados à indústria. Segundo Daniel Lemos, reconhecido como uma das principais autoridades no mercado brasileiro da engenharia mecânica, fundador da Engenhando Soluções e mentor de profissionais que atuam na área de forma autônoma, alguns setores pouco explorados apresentam demanda recorrente por análises técnicas criteriosas e juridicamente fundamentadas, representando boas oportunidades de atuação.
Dentre as frentes apontadas estão os laudos de avaliação de bens industriais. O objetivo desses documentos é responder, de forma técnica, quanto determinado equipamento realmente vale, considerando riscos, condição e responsabilidade envolvida. “O laudo não se limita a estimar um valor aproximado de mercado. A análise envolve critérios técnicos”, explica Lemos, que usa todo seu conhecimento para ajudar colegas de profissão a atuarem como autônomos, faturando acima dos R$ 15 mil mensais mesmo sem experiência.
Como exemplo, ele cita um caso real. “Um cliente me procurou porque precisava saber o valor real de um bem industrial específico. Não era opinião, era avaliação técnica fundamentada. Foram analisados tópicos como estrutura mecânica, sistemas de acionamento, condição funcional, integridade dos conjuntos, desgaste real, viabilidade de uso e aplicabilidade do equipamento no contexto industrial. Tudo isso influencia diretamente no valor técnico do bem, que não sai de uma tabela genérica. Ele é baseado em critérios técnicos e evidências reais, tudo descrito e justificável”.
Outra área que apresenta demanda é a emissão de laudos para ônibus e veículos de transporte coletivo. Nesses casos, a análise não se resume à autorização de circulação, mas à verificação de funcionamento mecânico, sistemas auxiliares, condição real de uso, manutenção preventiva e critérios legais aplicáveis. A inspeção técnica, acompanhada de documentação e A.R.T. (Anotação de Responsabilidade Técnica) vinculada, transforma o veículo em equipamento apto a operar com segurança e conformidade.
Lemos lembra que, nesses casos, não se trata somente de um veículo rodando, mas de um equipamento que transporta pessoas. “Quando os riscos envolvem vidas, a engenharia mecânica precisa ser ainda mais objetiva, técnica e rastreável. Todos os itens, da carroceria ao motor, passando pelos pneus, parte elétrica e climatização, influenciam diretamente na autorização de operação”, diz. “Não há espaço para interpretação subjetiva. É sobre critérios altamente técnicos e responsabilidade assumida”.
A atuação também alcança ambientes esportivos institucionais, onde a engenharia mecânica contribui com avaliações preventivas. Quadras, campos e áreas de circulação podem ser analisados sob a ótica da integridade estrutural, do uso contínuo e da interação entre pessoas e espaço físico. Elementos como trincas, oxidações, desníveis e pontos de contato deixam de ser meros detalhes quando o risco é humano e repetitivo, exigindo leitura técnica e antecipação de problemas.
“Avaliar ambientes esportivos institucionais exige muito mais do que apenas observar se tudo parece estar funcionando”, indica Lemos. Um colégio, por exemplo, precisa ter certeza de que suas áreas esportivas são realmente seguras para uso intenso e diário. “Nesses casos, a engenharia mecânica entra para antecipar problemas. Riscos que não chamam atenção e manutenções e adequações que não parecem urgentes precisam ser levados em conta para que a prevenção técnica seja aplicada”.

Até mesmo serviços considerados improváveis podem demandar laudo técnico, como no caso de protetores de dedos para portas. Embora pareça um item simples, trata-se de um dispositivo destinado a uma atividade crítica de acidentes. “Poucos engenheiros mecânicos sabem que podem fazer laudos para portas. Como exemplo prático, uma escola particular solicitou a comprovação de que o protetor de dedos para portas atendia aos requisitos da NR-12, garantindo proteção contra esmagamentos. A análise envolveu projeto, materiais empregados, funcionamento, resistência mecânica, instalação, conformidade com as normas de segurança, além de inspeção, evidência fotográfica e A.R.T. vinculada. O laudo registrou claramente a diferença entre a condição antes e depois da instalação do protetor”, conta o especialista.
Lemos, que realiza treinamentos online para profissionais da área desde 2018 e já conta com mais de 3.500 alunos, destaca que esses exemplos demonstram como a engenharia mecânica aplicada à emissão de laudos técnicos está presente em diversas frentes do mercado, apresentando oportunidades muitas vezes ignoradas. “Esses são serviços que existem todos os dias no mercado, mas que só acessa quem entende que engenharia mecânica também é proteção, prevenção e posicionamento de alto valor profissional”, completa.
De forma leve, descontraída e acessível, Daniel Lemos, que já foi premiado como referência digital em sua área, dá valiosas dicas para os profissionais do setor em seu Instagram (www.instagram.com/






