Onde a água flui, o propósito cresce: por que mais mulheres devem liderar o futuro da tecnologia da água

 

Onde a água flui, o propósito cresce: por que mais mulheres devem liderar o futuro da tecnologia da água

Onde a água flui, o propósito cresce: por que mais mulheres devem liderar o futuro da tecnologia da água

por Sophie Borgne*

A água é o recurso mais silenciosamente poderoso do mundo. Ela sustenta todas as economias, todas as indústrias, todos os lares – e, ainda assim, em muitas salas de conselho, permanece invisível. Com bastante frequência é tratada como um item utilitário de baixo custo na planilha, em vez de um ativo estratégico. Mas, à medida que nossos sistemas se modernizam e se digitalizam, o setor de água tornou-se um dos campos de carreira mais empolgantes e de maior impacto. E agora, mais do que nunca, precisamos de mulheres no centro de sua transformação.

O tema do Dia Mundial da Água deste ano, Onde a Água Flui, a Igualdade Cresce, destaca uma verdade simples: quando as mulheres participam igualmente das decisões relacionadas à água, os serviços tornam-se mais inclusivos, eficazes e sustentáveis. Esse princípio não se aplica apenas ao acesso – aplica-se também à liderança, ao talento e à força de trabalho do futuro.

A força oculta por trás de todas as indústrias

A água sustenta tudo: manufatura, energia, sistemas alimentares, saúde e a economia digital. Um data center de 1 MW pode utilizar mais de 25 milhões de litros de água por ano, e a demanda global de água para cargas de trabalho de IA deve atingir 1,7 trilhão de galões por ano até 2027. Esses não são temas de nicho; estão no centro da competitividade futura. Para empresas que estão modernizando operações, expandindo capacidade computacional e ampliando a produção, a confiabilidade da água é tão essencial quanto a eletricidade.

E, mesmo assim, a indústria responsável por proteger esse recurso enfrenta uma lacuna de talentos. Funções em operações digitais, automação, ciência de dados e inteligência de ativos – áreas nas quais as mulheres ainda estão sub-representadas – estão entre as necessidades que mais crescem. E, conforme a transformação digital se acelera, as competências exigidas também estão mudando.

A IA já não é somente um motor de demanda; está se tornando parte central da solução. Gêmeos digitais, otimização orientada por IA e sistemas de automação adaptativa estão ajudando concessionárias e indústrias a reduzir perdas de água, diminuir o consumo de energia e construir operações mais resilientes. A transição para uma gestão da água inteligente e orientada por dados representa uma das oportunidades mais significativas desta década.

Por que a água é um campo de carreira orientado por propósito

Para mulheres que buscam um trabalho significativo, o setor de água oferece propósito em uma escala incomparável. As Nações Unidas ressaltam que 2,2 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável gerida com segurança e 3,4 bilhões não dispõem de saneamento gerido com segurança – condições que afetam de forma desproporcional mulheres e meninas.

Pesquisas também mostram que, quando as mulheres participam igualmente da governança e da tomada de decisões sobre a água, os resultados melhoram, os serviços tornam-se mais inclusivos e as comunidades se beneficiam em todos os níveis.

Trata-se de um trabalho que apoia diretamente saúde, dignidade e oportunidades econômicas. Porém, já não é o trabalho tradicional de “botas e tubulações” que muitos imaginam. Hoje, as carreiras em água são orientadas por tecnologia, impulsionadas por sensores IoT, automação e gêmeos digitais; são orientadas por dados, exigindo análise, modelagem de sistemas e inteligência operacional; são críticas para a missão, mantendo cidades em funcionamento e indústrias produtivas; e têm profundo impacto humano, melhorando a vida cotidiana por meio de serviços mais seguros e confiáveis. É um dos raros campos em que as competências técnicas se traduzem diretamente em valor social.

Transformação digital da água está abrindo novas portas

O setor global de água está passando por uma das transformações digitais mais rápidas entre as indústrias essenciais. Concessionárias estão adotando automação definida por software, análises em tempo real e manutenção preditiva, transformando a maneira como a água é produzida e monitorada.

Essa mudança abriu categorias inteiramente novas de funções em automação industrial, engenharia, análise de dados, modelagem de gêmeos digitais, cibersegurança para infraestrutura crítica e design centrado no ser humano para experiência do cliente. Trata-se de um cenário em que competências em STEM, digital ou sustentabilidade podem ter impacto imediato e visível.

Setor toca todos os segmentos da economia – o que torna as habilidades transferíveis

A água se cruza com praticamente todas as partes da economia moderna. É central para a manufatura, por meio da gestão precisa da água e do controle de qualidade; para os sistemas de energia, via resfriamento, da geração e da produção de hidrogênio; para a agricultura, mediante a eficiência da irrigação; para a saúde, com base no saneamento e prevenção de infecções; e para a infraestrutura digital, no que diz respeito ao uso responsável da água em data centers.

Por consequência, as competências desenvolvidas no setor de água (pensamento sistêmico, análise e resiliência operacional) são transferíveis entre indústrias. Uma carreira em água não é limitadora; é expansiva.

Liderança feminina gera resultados melhores

A UNWater enfatiza que colocar a liderança feminina no centro das decisões sobre água resulta em sistemas mais inclusivos, resilientes e eficazes. As mulheres agregam perspectivas moldadas por experiências vividas, consciência sobre segurança, acessibilidade, impacto doméstico e necessidades comunitárias de longo prazo. Esses são exatamente os insights necessários à medida que as concessionárias se modernizam.

Apesar disso, o setor, como muitos campos técnicos, continua sofrendo com o desequilíbrio de gênero. A Comissão Europeia relata que 86% das ocupações em áreas com escassez de profissionais não apresentam equilíbrio de gênero, e as mulheres continuam sub-representadas em funções técnicas e de engenharia. Isso é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade.

Plano para levar mais mulheres ao setor de água

Para atrair e reter mais mulheres, o setor precisa modernizar não só a sua infraestrutura, mas também seus canais de formação de talentos. Isso significa reformular a natureza do trabalho para evidenciar a tecnologia, a inovação e o propósito em seu núcleo; construir caminhos mais sólidos para o início de carreira por meio de parcerias com escolas, grupos STEM e programas de qualificação profissional; criar ambientes de trabalho inclusivos, com liderança feminina visível, mentoria e redes de apoio; e ajustar a contratação para priorizar competências digitais, analíticas e orientadas a sistemas, em vez de estereótipos ultrapassados sobre funções baseadas em trabalho de campo.

Os próprios programas de educação juvenil e empreendedorismo da Schneider Electric, que já capacitaram mais de 1 milhão de jovens em todo o mundo, demonstram como o desenvolvimento direcionado de habilidades pode ampliar o pool de talentos e acelerar a entrada de mulheres em carreiras de alto impacto.

Por que o momento é agora

A força de trabalho do setor de água está envelhecendo, a infraestrutura global está se modernizando e as concessionárias enfrentam complexidades crescentes – da digitalização ao aumento da demanda. Esse segmento não conseguirá enfrentar seus desafios futuros sem recorrer a todo o seu potencial de talentos.

E, para as mulheres, a água oferece algo raro: crescimento profissional, estabilidade, inovação e propósito em grande escala.

Um convite pessoal

Depois de mais de 25 anos trabalhando na interseção entre automação industrial, operações digitais e infraestrutura essencial, posso afirmar com confiança que não há lugar melhor para mulheres que desejam carreiras que realmente importam.

Se você é apaixonada por tecnologia, sustentabilidade, pensamento sistêmico ou simplesmente por tornar a vida das pessoas melhor, você pertence ao setor de água. Porque onde a água flui, a igualdade cresce. E, quando as mulheres lideram, o futuro da água se torna mais inteligente, mais forte e mais resiliente para todos nós.

*Sophie Borgne é presidente do segmento de Água e Meio Ambiente da Schneider Electric

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