Juros ainda pressionam micro e pequenas empresas mesmo com início de cortes da Selic, alerta SIMPI Nacional
Copom reduz taxa em 0,25 p.p., mas cenário segue restritivo, com impacto em investimentos, emprego e formalização

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de iniciar um novo ciclo de cortes na taxa Selic, com redução de 0,25 ponto percentual, ocorre em meio a um cenário de elevada incerteza global e manutenção de juros em patamar ainda restritivo no Brasil. Para o SIMPI Nacional, o movimento é positivo, mas insuficiente para aliviar os efeitos já acumulados sobre a atividade produtiva.
Segundo Joseph Couri, presidente do SIMPI Nacional, o nível atual de juros continua impondo um ambiente adverso para empresas de menor porte. “Uma Selic elevada por muito tempo traz queda de investimentos, estresse financeiro e aumento de recuperações judiciais. É um cenário recessivo que afeta diretamente indústria, comércio, serviços e o produtor rural”, afirma.
De acordo com Couri, o impacto vai além do número oficial da taxa básica. “Não podemos nos iludir com a Selic nominal. Para os pequenos empresários, o custo do crédito é significativamente maior, com acréscimos que podem chegar a 4% ou 6% acima das taxas praticadas em outros mercados. Isso torna o ambiente ainda mais desafiador”, destaca.
A decisão do Banco Central ocorre em um contexto de tensões internacionais, especialmente no Oriente Médio, que elevam a volatilidade nos preços de commodities e pressionam as expectativas inflacionárias. Esse cenário, segundo o SIMPI, contribui para a manutenção de uma política monetária ainda conservadora, mesmo com o início do ciclo de cortes.
Para o presidente da entidade, os efeitos dessa combinação são claros. “Estamos diante de um momento de insegurança econômica global, com risco de inflação mais alta e possíveis problemas de abastecimento. Isso reforça um ambiente de cautela que, na prática, inibe o crescimento econômico”, diz.
Couri também alerta para o impacto estrutural sobre o ambiente de negócios no Brasil. “Juros elevados empurram empresas para a informalidade. Quando o custo de operar dentro do sistema se torna insustentável, muitos acabam ficando à margem da economia formal, o que é prejudicial para o país como um todo”, completa.
O SIMPI Nacional reforça que, para além da política monetária, é fundamental avançar em medidas estruturais que reduzam o custo Brasil e estimulem a atividade produtiva, especialmente para micro e pequenas empresas, responsáveis por grande parte da geração de empregos no país.
Sobre o SIMPI Nacional
O SIMPI Nacional é uma associação civil de direito privado, sem fins econômicos, constituída para congregar e representar micro e pequenas empresas da indústria, comércio, serviços e agropecuária, além de microempreendedores individuais (MEIs), na defesa de seus legítimos interesses.






