BiomaPhos aumenta produtividade do feijão no Cerrado em 17%

A utilização do inoculante solubilizador de fosfato melhorou o desempenho do feijoeiro: houve aumento da massa seca da raiz, da parte aérea e do número de vagens entre outros resultados. Foto: Sebastião Araújo
- Pesquisa da Embrapa testou o inoculante BiomaPhos em lavouras de feijão do Cerrado.
- Quando associado a uma dose de fertilizantes químicos reduzida pela metade, o produto resultou em um aumento de 17% de produtividade.
- Embora promissor, o estudo mostrou que o uso exclusivo do BiomaPhos não garante o suprimento eficiente de fósforo para o feijoeiro no Cerrado.
- A absorção desse nutriente pelas plantas é difícil na região, especialmente devido à presença de solos ricos em óxidos de ferro.
- O inoculante já é usado com sucesso em lavouras de milho, soja e cana-de-açúcar em vários estados brasileiros e até no exterior.
Pesquisa da Embrapa avaliou o desempenho do inoculante BiomaPhos em lavouras de feijão no Cerrado. O uso do produto, associado a uma dose de fertilizante fosfatado reduzida em 50%, gerou um aumento médio de cerca de 17% na produtividade da cultura. A produção chegou a 4,1 mil quilos por hectare, frente aos 3,4 mil quilos por hectare obtidos no tratamento convencional, que utiliza apenas fertilizante químico. O resultado é atribuído à capacidade do inoculante de aumentar a disponibilidade de fósforo no solo, facilitando sua absorção pelas raízes das plantas.
O fósforo é um nutriente presente nos fertilizantes e tem impacto direto na produtividade das culturas. Entretanto, em solos ricos em óxidos de ferro como os do Cerrado, o fosfato tende a ficar preso às partículas do solo e, portanto, indisponível para as plantas. As bactérias que compõem o BiomaPhos são capazes de solubilizar esse composto, facilitando sua absorção pelas raízes.
Na pesquisa da Embrapa, foram realizados experimentos de campo com quatro diferentes doses do BiomaPhos (entre um e quatro mililitros do inoculante por quilo de sementes) combinadas com a aplicação da metade da dose de fertilizante fosfatado. Para efeito comparativo, cultivaram feijão em lotes com a dose completa de fertilizante, mas sem o uso de inoculante; e ainda em parcelas sem nenhum tipo de fertilizante ou inoculante. Essa avaliação foi conduzida durante dois anos consecutivos em diferentes lavouras, uma em Mafra (SC) na safra de verão; duas em Santo Antônio de Goiás (GO) nos cultivos de verão e inverno; e uma em Luziânia (GO) na safra de inverno. Foram utilizadas variedades de feijão desenvolvidas pela Embrapa.
Segundo Enderson Ferreira, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão (GO), os resultados do estudo demonstram o potencial do BiomaPhos para alterar o manejo da fertilização fosfatada na cultura do feijão. “Quando comparado ao tratamento com a dose completa de fósforo, o inoculante solubilizador de fosfato foi eficaz tanto na promoção do desenvolvimento do feijão-comum como no aumento de sua produtividade, mesmo com a fertilização fosfatada reduzida em 50%. Por isso, consideramos o seu uso como uma alternativa viável para aumentar a produtividade, reduzir a aplicação e melhorar a utilização de fertilizantes fosfatados”, destaca.
O resultado mais promissor obtido com o BiomaPhos foi na dosagem de quatro mililitros por quilo (4 mL/kg) de semente, combinado com a aplicação da metade da dose de fertilizante fosfatado. Isso permitiu chegar a 17% a mais de rendimento de grãos em comparação à produtividade alcançada com a dose completa de fertilizante; e 31% a mais do que sem inoculante e sem fertilizante.
Além disso, Enderson Ferreira observa que o desempenho agronômico com a utilização do inoculante solubilizador de fosfato foi diferenciado. “Houve aumento da massa seca da raiz e da parte aérea, do número de vagens, do número de grãos e do acúmulo de fósforo pela planta em comparação com a fertilização fosfatada em dose completa”, enfatiza.
O pesquisador pontua que somente o uso do BiomaPhos não garante o suprimento mais eficiente de fósforo para o feijoeiro. No Cerrado, em especial, diversos fatores podem inibir o fornecimento de fósforo às plantas. Ele cita a acidez, o baixo teor de cálcio e de alumínio, a baixa umidade e a compactação do solo.
Apesar disso, práticas de manejo que melhoram a qualidade física e biológica do solo contribuem para a melhor absorção. Por exemplo, no caso do experimento da Embrapa Arroz e Feijão, Ferreira conta que foi aplicado calcário no terreno cerca de 50 dias antes do início do plantio, em quantidade calculada para aumentar a saturação de bases para 70% e o pH para aproximadamente 6,5, e assim corrigir a acidez do solo.
Saiba mais sobre o BiomaPhos
O inoculante BiomaPhos é resultado de mais de 19 anos de pesquisas. O produto foi desenvolvido em uma parceria entre a Embrapa e a empresa Bioma e já é profusamente aplicado em culturas como o milho e a soja. É produzido a partir de cepas de duas bactérias que estão aptas a solubilizar o fosfato e melhorar o sistema radicular das plantas. As bactérias identificadas pela Embrapa Bacillus subtilis e Bacillus megaterium conseguem fazer com que maior quantidade de fósforo seja absorvida pelas raízes, recebendo em troca compostos fundamentais para o crescimento bacteriano.
O fósforo é um nutriente mineral indispensável para o crescimento e a produção vegetal, uma vez que interfere nos processos de fotossíntese, respiração, armazenamento e transferência de energia.
Na pesquisa em questão, a redução da dosagem de fertilizantes fosfatados representa uma diminuição significativa nos custos de produção das lavouras, visto que a fertilização fosfatada é a segunda maior responsável pelos gastos totais de produção, depois da fertilização nitrogenada. Portanto, o uso do inoculante pode contribuir para a redução da dependência da importação de fosfato e tornar a produção nacional de feijão mais sustentável.
Cultivos mais produtivos
O primeiro inoculante comercial brasileiro para a solubilização de fosfato foi produzido a partir de microrganismos tropicais selecionados pela Embrapa Milho e Sorgo (MG). De acordo com a pesquisadora Christiane Paiva, os bacilos presentes no inoculante se multiplicam mais facilmente e colonizam de forma mais eficiente a região da raiz da planta, denominada rizosfera. Então iniciam a produção de diferentes substâncias que atuam no processamento do fósforo, chamadas de solubilizadores, tornando esse nutriente mais disponível para a absorção e assimilação pelas plantas.
O inoculante alia sustentabilidade à produtividade, pois é biológico e capaz de aumentar a absorção de fósforo pelas plantas. “Com isso, os resultados demonstram que é possível empregar uma tecnologia limpa e de baixo custo nas culturas agrícolas, contribuindo para a sustentabilidade na agricultura, sem perdas para o meio ambiente”, reforça a pesquisadora.
Segundo Paiva, nas avaliações realizadas em áreas de produção de milho, a aplicação do produto resultou em ganho médio de produtividade de 8,9% e aumento de 19% no aporte do elemento fósforo para os grãos. Para a soja, a média de produtividade saltou de 67,2 sacas por hectare para 71,6 sacas, além do aumento de 14% do conteúdo de fósforo nos grãos. No caso da cana-de-açúcar, os ganhos em toneladas por hectare ficaram acima de 14%, além do incremento de 12% em toneladas de açúcar.
“Os resultados do Biomaphos já estavam consolidados para as culturas do milho e da soja. Além do feijoeiro, o inoculante foi validado para a cultura da cana, com registros de ganhos similares de produtividade em toneladas de açúcar e qualidade. É um produto que vai além das fronteiras do Brasil. Agora, ele é comercializado e obteve registro em vários países da América do Sul, Canadá, Estados Unidos e Europa, com bastante sucesso e ganhos para a produção de milho e de soja”, conclui a pesquisadora.






