Brasil e Japão apresentam plataforma que integra dados agrícolas e propõem consórcio para proteger informações

Uma plataforma digital, batizada de API-CoPADi, que integra dados agrícolas e pode dar origem a consórcio pioneiro para oferta de informações por produtores rurais é um dos principais resultados que serão apresentados nesta quarta, 1, e quinta, 2, na Japan House, em São Paulo. A ferramenta incorpora projeto desenvolvido entre Brasil e Japão para ampliação e fortalecimento da agricultura de precisão e digital com o uso de sensores, dados, automação, conectividade e interoperabilidade.
A demonstração da plataforma e discussões sobre a criação de um consórcio para proteção de dados gerados em campo serão realizadas durante workshop, das 14 às 16 horas neste primeiro dia de evento. Amanhã, um seminário das 9h30 às 12h30 vai marcar estratégias sobre o uso da ferramenta. Nos dois dias de evento estarão reunidos representantes de governo, instituições de pesquisa, setor produtivo, fabricantes de máquinas, startups e universidades.
Os eventos serão realizados em formato híbrido, com participação presencial e transmissão online, e contarão com tradução simultânea em português e japonês. Interessados podem se inscrever pelo link abaixo.
https://forms.gle/
Base digital facilita conexões
Plataformas de dados agrícolas são serviços em nuvem que oferecem informações meteorológicas, dados sobre terras agrícolas, previsões de produtividade, entre outros.
Os dados gerados pela agricultura de precisão e digital podem ser utilizados para rastrear e comprovar práticas sustentáveis, como auditorias de ESG (Ambiental, Social e Governaça), certificações e trazer maior transparência e fortalecer o agro brasileiro.
API segue modelo internacional
A APi-CoPADi está no âmbito do amplo projeto “Desenvolvimento Colaborativo da Agricultura de Precisão e Digital para o Fortalecimento do Ecossistema de Inovação e a Sustentabilidade do Agro Brasileiro (CoPADi)”, desenvolvido entre os dois países e executado nos últimos cinco anos.
A consolidação das discussões técnicas e institucionais sobre a API, incluindo a proposta de criação do Comitê Preparatório do Consórcio CoPADi vão marcar as apresentações desta quarta-feira. A iniciativa da API segue referências de modelos internacionais já consolidados, como na Europa e Ásia, e busca ampliar o acesso a informações de qualidade no setor.
Embora existam várias plataformas privadas de dados agrícolas no Brasil, o ambiente ainda está em busca pela integração.
“Portanto, este projeto entrega a base conceitual e tecnológica, implementada na plataforma de APIs da Embrapa, chamada AgroAPI, onde dados e programas públicos e privados estão sendo testados e validados, com referência ao WAGRI do Japão”, diz o pesquisador da Embrapa Instrumentação (São Carlos -SP), Ricardo Inamasu, coordenador contraparte do projeto pelo Brasil.
Na quinta, o evento inclui debates estratégicos sobre modelos de negócio, termos de uso e governança da ferramenta.
Plataforma integra dados
Os especialistas brasileiros e japoneses vão detalhar as funcionalidades da plataforma API-CoPADi, apresentar casos práticos de aplicação e discutir os impactos da tecnologia no avanço da agricultura digital. Três agtechs participaram dos experimentos pilotos.
A plataforma é uma ferramenta para facilitar o acesso, a integração e o uso de dados no campo, contribuindo para aumentar a eficiência produtiva e apoiar a tomada de decisão por parte de produtores rurais. A Interface de Programação de Aplicações (API) permite a diferentes softwares ou sistemas se comunicarem entre si, além de entregar confiabilidade, segurança e transparência aos dados.
Projeto visa transformação digital
Implementada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Embrapa, universidades, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), propriedades agrícolas comerciais, com o apoio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), o projeto CoPADi procurou criar uma estratégia de transformação digital, um mapeamento de tecnologias agrícolas e um roteiro de desenvolvimento para o Japão e o Brasil.
De acordo com os coordenadores, o CoPADi buscou avançar na padronização e compartilhamento de dados no campo, promovendo maior eficiência produtiva, sustentabilidade e inovação no setor agrícola.
Consórcio propõe segurança de dados
O objetivo central do consórcio é criar um ecossistema de dados agrícolas sustentáveis, equilibrando a inovação tecnológica com a segurança jurídica e a soberania dos dados dos produtores brasileiros. A criação é vista pelos coordenadores do CoPADi como passo fundamental para garantir a continuidade e a adoção da tecnologia após o encerramento do projeto.
Durante o evento será apresentado um esboço do acordo para a criação do consórcio, como o objetivo, princípios norteadores e funções, status jurídico, organização e governança, categorias, membros, escopo das operações, escopo de trabalho, padronização e conformidade.
Maior eficiência produtiva
“O encontro marca a consolidação de uma parceria internacional focada em inovação e no uso de dados como vetor para o desenvolvimento sustentável da agricultura”, diz Inamasu.
Durante os dois dias de evento serão discutidos também os desdobramentos futuros do projeto, incluindo a construção de um ecossistema de inovação baseado na interoperabilidade de dados agrícolas.
A interoperabilidade, baseada em padrões, é a capacidade de diferentes sistemas, dispositivos ou organizações trocarem dados e utilizarem as informações de maneira automática e segura com a intervenção mínima do usuário final.
“Esta é uma oportunidade estratégica para que representantes de órgãos governamentais, instituições de pesquisa, associações industriais, fabricantes, agtechs e universidades se reúnam em um ecossistema único de colaboração. O evento, além de encerrar um ciclo, visa consolidar a interoperabilidade no campo, conjugando os esforços já existentes entre governo, iniciativa privada e academia”, afirma Inamasu.
Além de Inamsu, estarão presentes no evento pela Embrapa Instrumentação, o chefe-geral José Manoel Marconcini e o pesquisador João de Mendonça Naime, além do analista da Embrapa Agricultura Digital (Campinas – SP), Eduardo Antonio Speranza.






