Presidente da Embrapa entrega nova remessa de sementes do Brasil ao Banco de Svalbard

Presidente da Embrapa entrega nova remessa de sementes do Brasil ao Banco de Svalbard

Presidente da Embrapa entrega nova remessa de sementes do Brasil ao Banco de Svalbard

Amostras de caju, fava, amendoim, mamona e gergelim vão se juntar às mais de 8 mil já depositadas pela Empresa na caixa-forte norueguesa

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, entregou hoje (10/6) mais uma remessa de sementes do Brasil para o Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega. Os 24 acessos, incluindo caju (2), fava (7), amendoim (4), mamona (3) e gergelim (8), vão se somar aos 8.125 já depositados pela Empresa no silo norueguês. A estrutura funciona como a maior reserva de segurança agrícola do planeta. Seu objetivo é proteger a biodiversidade diante de ameaças globais, como guerras, mudanças climáticas e pragas.

Massruhá estava acompanhada do coordenador do Labex Europa, Elcio Guimarães, que ficará responsável por dar continuidade às relações e às atividades acordadas como áreas de potencial parceria institucional, em conjunto com as instituições visitadas e as unidades de pesquisa da Embrapa (veja mais detalhes em quadros nesta matéria). Antes da visita ao depósito de sementes, a presidente se reuniu com o governador de Svalbard, Lars Fause. No silo, foi recebida pelo coordenador Åsmund Asdal.

O cofre, localizado na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, conserva atualmente cerca de 1,38 milhão de amostras de sementes de mais de 5 mil espécies, originárias de 223 países e territórios. Como os envios não são feitos diretamente pelos governos nacionais, as amostras chegam ao banco por meio de aproximadamente 120 instituições de pesquisa e bancos genéticos distribuídos em mais de 85 países. Esses centros reúnem e salvaguardam a diversidade agrícola de diferentes regiões do mundo.

A presidente Silvia Massruhá vê o depósito de sementes da Embrapa no Silo Global de Sementes de Svalbard como motivo de orgulho e, sobretudo, de responsabilidade com o futuro. “Essa iniciativa representa uma salvaguarda da biodiversidade agrícola mundial e reforça o compromisso da ciência brasileira com a segurança alimentar, a preservação dos recursos genéticos e a capacidade de responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Ao levarmos para Svalbard materiais desenvolvidos no Brasil, mostramos ao mundo a relevância da nossa pesquisa agropecuária e a contribuição da Embrapa para uma agricultura cada vez mais sustentável, resiliente e inovadora”, enfatiza.

Desde 2012, a Embrapa representa o Brasil no banco global. Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Juliano Pádua, a maior quantidade de acessos depositados é de arroz (4.850), feijão (514) e milho (739). Há ainda forrageiras (Andropogon, Stylosanthes, Paspalum), fruteiras (caju e maracujá), hortaliças (abóbora, melão, melancia, cebola, alface), florestais (pinus), soja (17), trigo (3). “A presença maciça de feijão, arroz e milho reflete a base da nossa alimentação e atende a uma das recomendações do Banco de Svalbard quanto à relevância para a segurança alimentar e a agricultura sustentável. Além disso, são culturas que apesar de não serem originárias do Brasil, são cultivadas no País há séculos e, por isso, apresentam características de rusticidade e adaptação às condições nacionais”, reforça.

Os acessos entregues pela presidente são oriundos das seguintes unidades da Embrapa: caju (Embrapa Agroindústria Tropical); fava (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia); amendoim, mamona e gergelim (Embrapa Algodão).

A Caixa-forte brasileira

O envio das sementes brasileiras para o banco norueguês é mais uma ação da Embrapa em prol da segurança alimentar das gerações atuais e futuras. A Empresa tem como uma de suas prioridades, desde a sua criação na década de 1970, a conservação de sementes de importância para a agricultura e alimentação. Por isso, hoje conta com o maior banco de sementes do Brasil e da América Latina e um dos maiores do mundo, com quase 126 mil amostras de 1.213 espécies.

A caixa-forte brasileira é mantida na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF), e conserva as sementes a 18ºC abaixo de zero, em condições semelhantes às do banco norueguês, garantindo que permaneçam viáveis por dezenas ou centenas de anos.

Atualmente, o banco genético vegetal da Embrapa tem capacidade para conservar 600 mil amostras de sementes em quatro câmaras frias. Há ainda uma área para a instalação de outras duas câmaras, ampliando a capacidade de armazenamento para até 900 mil amostras.

A Empresa investe também na preservação de espécies animais e de microrganismos de importância para a pesquisa agropecuária brasileira. Todo esse acervo genético, que conta com materiais nativos e exóticos, está à disposição da ciência brasileira para pesquisa e desenvolvimento de soluções tecnológicas sustentáveis, como bioinsumos, entre outros, em benefício da sociedade brasileira.

A agenda da presidente da Embrapa na Noruega começou no dia 8 de junho e se estende até amanhã (11/6), com uma série de compromissos institucionais.

Confira:

No dia 8 de junho, Massruhá participou de encontros nos ministérios da Agricultura e do Clima e Meio Ambiente da Noruega. No primeiro, foi recebida pela secretária-geral Anne Marie Glosli. No segundo, reuniu-se com Lívia Kramer, assessora sênior da Iniciativa Internacional da Noruega para Clima e Florestas.

No ministério da Agricultura e Alimentação da Noruega, (foto à esquerda) foram discutidas oportunidades de parceria em pesquisa agropecuária, desenvolvimento sustentável e inovação para o setor. No Ministério do Clima, a presidente e o coordenador do Labex Europa participaram de reuniões dedicadas às agendas de clima, florestas e sustentabilidade, temas estratégicos para o futuro da agricultura e da segurança alimentar global.

“Com isso, a Embrapa segue ampliando sua atuação internacional e fortalecendo conexões em prol do futuro”, enfatizou Massruhá.

No dia 9 de junho, a presidente Silvia Massruhá e o diretor-geral do Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (NIBIO), Ivar Horneland Kristensen, assinaram uma carta de intenções para fortalecer a cooperação internacional voltada ao desenvolvimento da agricultura e dos sistemas alimentares por meio da ciência, tecnologia e inovação.

O objetivo é aprofundar o diálogo institucional e identificar oportunidades de colaboração em áreas estratégicas para as duas instituições, como nutrição animal, sanidade e bem-estar; agroindústria, segurança alimentar e processamento de alimentos; biotecnologia e bioeconomia; cadeias de valor e sustentabilidade; além de florestas, biomassa e uso eficiente de recursos naturais.

A cooperação poderá ocorrer por meio de intercâmbio de informações técnico-científicas; reuniões técnicas e fóruns institucionais; missões técnicas e visitas de especialistas; treinamentos presenciais e virtuais; e elaboração conjunta de propostas de projetos, entre outras atividades acordadas entre as partes. Para isso, serão definidos pontos focais de forma a facilitar a comunicação técnica e o acompanhamento das iniciativas decorrentes do documento firmado.

Uma das áreas prioritárias de interesse da Embrapa é a de bioinsumos e o NIBIO atua fortemente na gestão de recursos biológicos e sanidade vegetal, o que impacta em oportunidades de cooperação no desenvolvimento de biodefensivos e biofertilizantes.

Na área de inteligência territorial e monitoramento de solos, o NIBIO participa do projeto Eurosion, que utiliza modelagem avançada para acompanhar processos de degradação e erosão do solo. A iniciativa dialoga com prioridades da Embrapa, especialmente em pesquisas voltadas à conservação dos solos e à manutenção de serviços ecossistêmicos.

O instituto também desenvolve pesquisas em madeira de engenharia, com foco na transformação de recursos florestais em produtos de alto valor agregado para a construção civil sustentável. Outra frente de atuação envolve a gestão de recursos hídricos. Na área, Per Stålnacke é especialista em hidrologia de bacias hidrográficas e nos impactos da agricultura sobre ecossistemas aquáticos.

No Conselho de Pesquisa da Noruega (RCN), principal agência norueguesa de fomento científico, a presidente se reuniu com Thomas Hansteen, chefe do escritório da instituição em Svalbard. Em relação às ações voltadas à mitigação de gases de efeito estufa (GEE), a Embrapa, uma das protagonistas do Plano ABC+, investe em pesquisas sobre recuperação de pastagens e fixação biológica de nitrogênio. O RCN, por sua vez, prioriza o financiamento de estudos em sustentabilidade, transição energética e ciências oceânicas, podendo atuar como facilitador de recursos para projetos conjuntos.

Ainda no dia 9, Massruhá visitou o Instituto Norueguês de Pesquisa em Alimentos (Nofima), referência em pesquisas nas áreas de alimentos e aquicultura. Na ocasião, foi recebida por Finn A. Weltzien, diretor da Divisão de Aquicultura da instituição.

A Embrapa e o Nofima possuem áreas estratégicas de convergência em temas como bioeconomia, aproveitamento de resíduos agroindustriais, aquicultura sustentável, biotecnologia e inovação em alimentos. As instituições também desenvolvem pesquisas voltadas à rastreabilidade, segurança alimentar e sustentabilidade das cadeias produtivas.

O projeto Valorish, liderado pelo Nofima, foca na valorização de resíduos e subprodutos da pesca. A iniciativa está alinhada ao interesse da Embrapa em economia circular, com foco no aproveitamento de biomassas e resíduos agroindustriais para a geração de novos bioprodutos e bioenergia.

O Nofima coordena também o projeto OCCAM, voltado à adaptação às mudanças climáticas na aquicultura. Considerando a expansão da aquicultura no Brasil e o foco da Embrapa em gerar soluções para a resiliência de sistemas aquáticos, a área apresenta potencial para cooperação técnica entre as instituições.

O NIBIO e o Nofima também possuem expertise em programas de melhoramento genético e viabilidade econômica voltados à agricultura orgânica, tema alinhado às iniciativas da Embrapa em sustentabilidade e sistemas produtivos de base biológica.

Pesquisas polares e mudanças climáticas

No dia 11 de junho, para fechar a agenda na Noruega, serão realizadas reuniões com representantes do Instituto Polar Norueguês (NPI), da Universidade de Svalbard (UNIS) e de estações de pesquisa localizadas em Spitsbergen. Entre os participantes estavam Geir Gotaas, líder do programa de Ny-Ålesund no NPI; Zdenek Dvorak, assessor especial do instituto; e Thomas Hansteen.

Confira os produtos da loja!
LOJAEAEMAQ.COM.BR
Clique para ver peças, kits e novidades na Loja EaeMaq.

Deixe seu comentario

Ultimas Noticias

Categorias

Fique por dentro das novidades

Inscreva-se para receber novidades em seu Email, fique tranquilo que não enviamos spam!

Deixe seu Email para acompanhar as novidades