
De acordo com Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, a valorização observada anteriormente foi sustentada por fatores como a alta do petróleo, tensões geopolíticas e expectativas de compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos. No entanto, a ausência de confirmação dessa demanda favoreceu o ajuste das cotações.
“Com os dados da safra americana voltando ao radar, o mercado se depara com um cenário de plantio avançado, lavouras bem avaliadas e sem problemas produtivos relevantes até o momento. Isso reduz parte do suporte que vinha sustentando os preços”, explica Yedda.
Os números globais da soja apontam para uma oferta um pouco mais ajustada, mas ainda insuficiente para sustentar uma alta mais expressiva dos preços. Embora a relação estoque/uso global tenha recuado para 28,3%, o indicador permanece acima da média histórica, reforçando a percepção de que não há risco imediato de escassez no mercado internacional.
Segundo Yedda, uma retomada mais consistente das cotações em Chicago dependerá de novos fatores de sustentação, como o aumento das compras chinesas nos Estados Unidos, uma deterioração das condições climáticas nas regiões produtoras norte-americanas ou uma nova valorização do petróleo proveniente dos conflitos no Oriente Médio. Enquanto isso, a competitividade da soja brasileira continua limitando movimentos mais robustos de alta no mercado internacional.
Clima segue no radar
Apesar do início positivo da safra nos Estados Unidos, o clima permanece como um dos principais pontos de atenção para os próximos meses. Atualmente, cerca de 25% da produção americana de soja está localizada em regiões com algum grau de seca, percentual superior aos 13% registrados no mesmo período do ano passado. Embora isso ainda não represente perdas produtivas, o mercado segue atento às condições climáticas de julho, período decisivo para o desenvolvimento das lavouras.
No milho, a pressão sobre os preços também refletiu o bom andamento da safra norte-americana. Ainda assim, o balanço entre oferta e demanda segue mais ajustado do que o observado na soja, o que ajuda a sustentar os contratos de vencimentos mais longos.
No Brasil, a entrada da safrinha tem pressionado os preços no curto prazo, enquanto compradores dos setores de ração e etanol mantêm uma postura mais cautelosa diante do aumento da oferta disponível. A expectativa, porém, é de que as exportações ganhem força no segundo semestre, fator que poderá influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda doméstica nos próximos meses.
Para Yedda Monteiro, o momento exige atenção redobrada à comercialização. “O mercado voltou a olhar com mais peso para os fundamentos da safra americana. Isso aumenta a sensibilidade dos preços a qualquer mudança no clima ou na demanda global, especialmente nos próximos meses”, conclui.
Sobre a Biond Agro
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