Rotas da Cerveja ampliam a visibilidade de pequenos negócios e impulsionam o desenvolvimento regional
Com potencial para atrair turistas e fortalecer a economia local, a iniciativa beneficia empreendedores e promove novos destinos cervejeiros.

Com a criação das Rotas da Cerveja em sete destinos diferentes no estado de São Paulo, produtores e empreendedores estão confiantes que os negócios só têm a prosperar. A formalização de um roteiro da cerveja, considerada paixão nacional, vai atrair mais turistas para as cidades envolvidas, movimentar a hotelaria, gastronomia e a economia local. O resultado é o desenvolvimento regional e da cadeia como um todo.
A nova rota reúne 104 cervejarias distribuídas em sete roteiros temáticos, 20 destinos cervejeiros em 55 municípios paulistas. Uma das regiões contempladas é Campinas, onde já existe uma Cadeia Produtiva Local (CPL), formada por 28 cervejarias e gerida pelo Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas. A rede foi reconhecida como consolidada pelo programa SP Produz, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, que tem como objetivo estimular a auto-organização de aglomerações produtivas setoriais e promover o desenvolvimento.
Segundo o presidente do Polo Cervejeiro, Bruno Oliveira Cardoso, a CPL é formada por micro e pequenas empresas que não têm recursos para divulgação. “A criação da rota vai atrair o público para mostrar o trabalho que a gente faz. Essas iniciativas demonstram o potencial do estado de São Paulo no setor cervejeiro. A rota vai levar um público que não atingimos, vai estimular o pessoal a sair dos locais de costume, como a capital, para conhecer novos sabores em outros lugares”, afirma.
A CPL pretende participar do edital de fomento do SP Produz, que está aberto a inscrições. Uma das ideias é receber recursos para a realização de um grande evento cervejeiro na região de Campinas, que reúna produtores, fabricantes de insumos e de equipamentos e unir todos os elos da cadeia.
Outras seis CPLs de produção de cerveja, cultivo de lúpulo e de fabricação de equipamentos para o setor já foram reconhecidas em diferentes regiões pelo programa estadual.
Visibilidade aos negócios
Recentemente criadas, as Rotas da Cerveja de São Paulo passam por cidades do Noroeste Paulista, Mogiana Paulista (de tradição cafeeira), Campinas e Região Metropolitana, Circuito das Águas e Frutas, Serra do Itaqueri, Cuesta e Centro Paulista, Sorocaba e Região e Capital e Região Metropolitana, além dos Destinos Cervejeiros e de Negócios.
Eduardo Siqueira Francisco é proprietário da cervejaria Los Gatos, localizada em Sorocaba e em funcionamento há dois anos. Integrante da Rota da Cerveja e da Rota Turística de Histórias e Aventuras, ele só vê vantagens por atrair novos públicos. Uma vez por mês, a cervejaria já realiza um mini tour na fábrica, onde turistas podem descobrir processos como matéria-prima, produção e degustação.
“Integrar a rota é um reconhecimento do poder público de que pequenos produtores são importantes dentro das cadeias de desenvolvimento. São eles que movimentam, principalmente, as economias locais, para que tenham visibilidade dentro do estado. Isso fortalece tanto a economia quanto o turismo. Acho que os dois estão sempre muito interligados”, diz.
Em Sete Barras, no Vale do Ribeira, a Matsumi Beer mantém sua fábrica, com visitação e harmonização de chopp com comida, e tem ainda um pub em Registro. Na região já conhecida pelo turismo ecológico, com cavernas e cachoeiras, são oito cervejarias.
A diretora de marketing e comercial da empresa, Flávia Matsumi, ressalta que a rota vai apresentar o Vale para novos visitantes. “Fortalece muito a cerveja artesanal, que está crescendo demais atualmente. O setor está forte no mercado. Para nós, de cidade pequena, é uma ação muito importante porque movimenta a região como um todo. Quem não conhece, tem que vir: seja pelas cervejarias, restaurantes, hotéis ou pela nossa natureza da Mata Atlântica”, conta.

Eduardo Modesto é produtor do jaracatiá, árvore nativa da Mata Atlântica e comum no estado. Há mais de 30 anos, ele e outros 40 pequenos produtores de São Pedro, na Serra do Itaqueri, transformaram a planta em negócio. Primeiro, foi a compota da fruta, depois veio a cachaça e agora a cerveja de jaracatiá. As pesquisas para novos usos continuam.
“Somos 100% sustentável. Com esse desenvolvimento propiciado pela rota, aumenta a venda, o lucro dessas famílias e dá maior capilaridade social. A rota promove a troca de experiências entre os produtores, gerando desenvolvimento, trabalho e renda para todos”, relata.
Não só o interior paulista ganha visibilidade com a criação de rotas, mas também fortalece o empreendedorismo na região metropolitana. Tábata Palma é proprietária da Meo Pot Top, que comercializa geleias e antepastos em Guarulhos, na Grande São Paulo.
De acordo com ela, rotas levam ao desenvolvimento regional. “Fazemos um processo artesanal: aperitivo combina com cerveja, e a gente trabalha com harmonização. Temos parceiros, podemos fazer a revenda dos produtos e tornar a experiência para o cliente mais agradável e personalizada. Se eu cresço, a cerveja cresce, o turismo cresce, é um ciclo”, conclui a empreendedora.
Sobre a SDE
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), pasta do Governo do Estado de São Paulo, exerce papel fundamental para a reindustrialização e atração de investimentos com foco na geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. Além disso, conta com programas de capacitação profissional, ações de fomento ao empreendedorismo, que incluem linhas de microcrédito do Banco do Povo. Tem como instituições vinculadas a InvestSP, a Desenvolve SP e a Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).






