Com galpões mais caros, empresas ampliam estoques em até 120% com verticalização
Escassez de áreas estratégicas, aumento do custo por metro quadrado e pressão por entregas mais rápidas levam empresas a investir em verticalização e inteligência de espaço, diz especialista da ISMA

Com galpões logísticos mais caros, cenário econômico complexo, ocupação elevada e menor disponibilidade de áreas em regiões estratégicas, empresas brasileiras estão revendo uma lógica antiga de crescimento: em vez de buscar novos espaços, muitas passaram a tentar ganhar capacidade dentro do próprio centro de distribuição.
No estado de São Paulo, principal polo logístico do país, o preço médio dos galpões atingiu R$ 33,54 por metro quadrado, enquanto a vacância chegou a 6,4% no primeiro trimestre de 2026, o menor nível da série histórica. Esse cenário tem pressionado operações de varejo, e-commerce, indústria e distribuição a buscar alternativas para armazenar mais, reduzir custos e manter velocidade de atendimento sem ampliar a área ocupada.

Para Flávio Piccinin(foto), diretor executivo da ISMA, especialista em sistemas de armazenagem intralogística, o aumento do custo imobiliário tornou a eficiência do espaço uma decisão estratégica.
“Durante muito tempo, crescer significava procurar outro galpão. Hoje, isso nem sempre fecha a conta. Em regiões estratégicas, a disponibilidade é menor, o custo é mais alto e a mudança de operação envolve licenças, infraestrutura, adaptação e risco de perda de produtividade”, afirma.
Segundo o executivo, projetos bem dimensionados de verticalização podem ampliar em até 120 % a capacidade de armazenagem na mesma área construída, dependendo do pé-direito disponível, resistência do piso, perfil da operação, equipamentos de movimentação e nível de seletividade exigido. Em alguns casos, a estratégia também pode reduzir em 40 % o custo por posição-palete e evitar a necessidade de contratação de áreas adicionais.
“Cada metro cúbico não aproveitado representa dinheiro parado. A discussão deixou de ser apenas sobre metragem de piso. O desafio é transformar altura, layout e fluxo em capacidade real de atendimento”, diz Piccinin.
Apesar do potencial de ganho, o executivo alerta que a verticalização mal planejada pode gerar o efeito contrário: mais capacidade nominal, porém menos produtividade real. Isso acontece quando a empresa aumenta posições de armazenagem sem considerar seletividade, curva de giro dos produtos, raio de giro das máquinas, largura dos corredores, resistência do piso, velocidade de separação e fluxo de expedição.
“Um armazém pode parecer mais eficiente no papel, mas se o operador precisa fazer movimentações extras para acessar produtos, se os corredores ficam congestionados ou se os equipamentos não acompanham a nova altura, o ganho de capacidade vira gargalo operacional”, explica.
Erros comuns
De acordo com Piccinin, os erros mais comuns ocorrem quando empresas priorizam apenas a densidade de estocagem, sem avaliar o perfil da operação. Ambientes com alto volume e baixo mix de SKUs podem exigir soluções de alta densidade e profundidade, como drive-in, push back, sistemas dinâmicos ou pallet shuttle.
Já operações com grande variedade de produtos e alto nível de serviço precisam de maior seletividade, com acesso rápido aos itens e menor retrabalho na movimentação.
“Não existe uma solução única para todos os armazéns. O projeto precisa equilibrar capacidade, velocidade e acesso. Uma operação com muitos SKUs e entregas rápidas não pode ser tratada da mesma forma que uma operação com poucos itens e grande volume estocado”, afirma Piccinin.
Outro ponto que tem ganhado importância é a flexibilidade. Como parte relevante das operações logísticas funciona em galpões alugados, muitas empresas têm contratos de três a cinco anos e precisam avaliar se o investimento feito no CD atual poderá ser reaproveitado em uma eventual mudança.
“A empresa precisa pensar no ativo logístico com visão de ciclo de vida. Em um galpão alugado, não faz sentido imobilizar capital em uma estrutura sem possibilidade de adaptação futura. A modularidade protege parte do investimento e dá liberdade para a operação acompanhar mudanças de mercado”, afirma o diretor da ISMA.
Reforma tributária pode redesenhar a malha logística
A pressão sobre o uso dos centros de distribuição também deve ser influenciada pela reforma tributária, que tende a redesenhar parte da malha logística nacional nos próximos anos. Com possíveis mudanças na lógica de localização de estoques, centros de distribuição e operações regionais, empresas precisarão reavaliar onde armazenam, quanto armazenam e como utilizam seus espaços.
“O centro de distribuição deixou de ser apenas um endereço. Ele se tornou parte da estratégia comercial e da experiência do cliente. Em um mercado em que o prazo de entrega influencia diretamente a venda, dominar o uso do espaço logístico é uma vantagem competitiva”, afirma Piccinin.
Para o executivo, a tendência é que a verticalização deixe de ser vista como uma solução pontual para falta de espaço e passe a fazer parte do planejamento estratégico das empresas.
“As empresas mais competitivas serão aquelas capazes de transformar metros quadrados em metros cúbicos produtivos. Não se trata de empilhar mais produtos, mas de projetar uma operação que use melhor seus ativos, reduza custos ocultos e sustente o crescimento sem comprometer o nível de serviço”, conclui.
Sobre a ISMA
Fundada em 1970 em Mogi Mirim (SP), a ISMA consolidou, ao longo de 56 anos, sua posição como potência nacional em soluções para armazenagem intralogística. Com um parque fabril tecnológico de 34.000 m² e uma equipe de 330 colaboradores, a empresa atende a gigantes da indústria e setores estratégicos, como operadores logísticos e e-commerce, diferenciando-se pelo rigor técnico e pela segurança de suas entregas.
Seu portfólio abrangente contempla desde sistemas de alta densidade — como porta-paletes, dinâmicos e mezaninos — até serviços especializados de engenharia, inspeção e retrofit. Desenvolvidos com matéria-prima certificada e acabamentos de alta resistência, seus produtos são projetados para otimizar espaços e garantir durabilidade. Além da liderança em sistemas de armazenagem, a ISMA oferece uma linha complementar de móveis corporativos em aço e sistemas deslizantes, e atua ativamente na segurança operacional de seus clientes por meio de inspeções e treinamentos técnicos.
O diferencial estratégico da ISMA reside em projetos alinhados à Indústria 4.0 e ao estrito cumprimento normativo, assegurado pela certificação ISO 9001:2015 e pela garantia de responsabilidade técnica (ART) em todos os serviços. Com uma cultura enraizada no ESG e na inovação contínua, a marca vai além da fabricação de estruturas: ela projeta a inteligência logística necessária para otimizar fluxos e reduzir custos, posicionando-se como uma referência indispensável para o mercado brasileiro de negócios e logística.
Para saber mais, acesse o Site, Instagram, Youtube e L
