“Super El Niño” aumenta riscos para a produção agrícola brasileira

Especialista adverte sobre os possíveis impactos do fenômeno climático nas lavouras

“Super El Niño” aumenta riscos para a produção agrícola brasileira
Com “Super El Niño” a caminho, especialista fala sobre os impactos do fenômeno climático nas lavouras do Brasil /Magnific

A iminente configuração de um “Super El Niño” no segundo semestre deste ano acendeu o sinal de alerta no país. Impulsionado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial e pela mudança na circulação dos ventos, o fenômeno altera os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta.

Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há uma probabilidade de 81% de o evento manifestar-se com muita força entre outubro e dezembro, atingindo o Brasil com anomalias térmicas e pluviométricas históricas.

Para além das transformações geográficas, a população brasileira pode enfrentar uma vulnerabilidade dupla: de um lado, os severos estresses fisiológicos e patológicos provocados por ondas de calor inéditas e tempestades severas; de outro, os impactos socioeconômicos imediatos na mesa do cidadão, decorrentes da instabilidade que o clima extremo pode impor à produção agrícola nacional.

“Super El Niño” aumenta riscos para a produção agrícola brasileira
NOAA Satellites

Reflexo nas lavouras

O “Super El Niño” também pode redesenhar o panorama econômico e produtivo do agronegócio nacional. O engenheiro-agrônomo Marcelo Henrique Savoldi Picoli, pós-doutor em Fitopatologia de Plantas pela Universidade do Estado de Iowa (EUA) e coordenador do curso de Agronomia do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), explica que a anomalia climática opera em extremos geográficos opostos.

Na Região Sul, o excesso de precipitação pode inviabilizar o manejo de maquinários, prejudicar culturas de inverno (como o trigo), atrasar a semeadura de verão e favorecer doenças causadas por fungos e bactérias. Já no Norte, Nordeste e em faixas do Centro-Oeste e Sudeste, longas estiagens (“veranicos”) podem penalizar as culturas de sequeiro.

Embora a projeção inicial da Conab para o ciclo 2025/2026 aponte um recorde de 358,6 milhões de toneladas de grãos, a consolidação do “Super El Niño” no final do ano ameaça esses números. As quebras de safra e os entraves logísticos podem encarecer os alimentos nos supermercados, pressionando a inflação.

Peso no bolso

Outro possível impacto será na conta de luz: a seca severa esvazia os reservatórios das hidrelétricas do Norte e Nordeste, forçando o acionamento de termelétricas, o que encarece a tarifa de energia.

“Enfrentar o ‘Super El Niño’ exigirá resiliência técnica, conscientização coletiva e planejamento antecipado, uma vez que o monitoramento constante de sintomas de exaustão orgânica e a otimização de recursos escassos constituem as defesas mais eficazes contra as asperezas de um planeta em visível transformação”, complementa Marcelo Picoli, que sugere diretrizes para mitigar perdas nas lavouras.

Guia de sobrevivência para o campo

  • Manejo e perfil do solo: Realizar o aprofundamento radicular utilizando gesso e calcário para neutralizar o alumínio tóxico em profundidade, forçando as raízes a buscarem água nas camadas inferiores.
  • Plantio direto e palhada: Manter o solo coberto com densa matéria orgânica. Isso protege contra a erosão provocada pelas tempestades no Sul e retém a umidade nos veranicos do Centro-Oeste e Nordeste.
  • Plantio escalonado: Semear em diferentes janelas temporais para diluir o risco de a lavoura ser atingida por secas ou excesso de chuvas simultaneamente.
  • Planejamento fitossanitário preventivo: Monitorar culturas sensíveis (como o trigo no Sul contra a giberela, ferrugem e manchas) e antecipar o uso de bioinsumos e fungicidas. Adotar micronutrientes e aminoácidos via foliar para atenuar o estresse térmico.
  • Mitigação na pecuária: Produtores de aves e suínos devem acelerar a transição para fontes alternativas de energia (como a fotovoltaica) para manter o resfriamento constante das granjas e evitar apagões.
  • Proteção financeira: Priorizar a contratação de seguro rural, além de alinhar o calendário produtivo ao monitoramento rigoroso das previsões meteorológicas oficiais.

Sobre o Centro Universitário Integrado

Centro Universitário Integrado oferta ensino superior de excelência. A instituição tem nota máxima (5) no Ministério da Educação (MEC), é reconhecida como o melhor Centro Universitário do Paraná (CPC/MEC) e figura entre as mais sustentáveis do Brasil (ranking UI GreenMetric).

Sediado em Campo Mourão (PR), com presença no Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Amapá, o Centro Universitário Integrado proporciona educação de vanguarda em mais de 60 cursos de graduação — incluindo Medicina, Agronomia, Odontologia e Direito — e em mais de 70 cursos de pós-graduação. A formação multidisciplinar oferecida ajuda a transformar vidas e está conectada às demandas do mercado global.

A instituição de ensino superior possui estrutura moderna, laboratórios com tecnologia de ponta, ecossistema próprio de inovação, pesquisa e fomento ao empreendedorismo, frente de investimento em startups, professores mestres e doutores com vivência prática e experiência profissional.

O Centro Universitário Integrado faz parte do Grupo Integrado, que em 2026 completa 40 anos e engloba o Colégio Integrado, o Instituto Integrado de Ciência e Tecnologia (IN2), a Integrado Genética, as plataformas Super Professor e Coonect.se e a Faculdade Integrado de Macapá.

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