Brasil pode ganhar relevância na cadeia global de minerais críticos, avalia Brazilian Nickel
Diretora de Assuntos Corporativos da Brazilian Nickel, Luciana Gutmann, destaca processamento mineral, agregação de valor e desenvolvimento local como diferenciais para fortalecer a posição do país
O Brasil reúne condições para ampliar sua relevância na cadeia global de minerais críticos ao combinar recursos minerais, capacidade de processamento e potencial para agregar valor à produção. Essa foi uma das principais mensagens de Luciana Gutmann, diretora de Assuntos Corporativos da Brazilian Nickel (BRN), que participou, na terça-feira (4/8), do Fórum AMCHAM de Minerais Críticos, realizado em Belo Horizonte (MG). O evento reuniu representantes de empresas do setor, como St. George Mining, Meteoric Resources, Sigma Lithium, Hatch, entre outros.

“O Brasil pode escolher não apenas ser um dos maiores produtores, mas também um dos mais confiáveis”, defendeu Luciana Gutmann, da Brazilian Nickel, em evento da AMCHAM em BH. Crédito: Olharr/ Divulgação
Durante o painel “Desafios Operacionais e de Monitoramento Ambiental na Exploração de Minerais Críticos e Terras Raras”, Luciana destacou que a oportunidade para o Brasil vai além do aumento da produção e passa pela construção de uma posição estratégica como fornecedor confiável para as cadeias globais de suprimento.
“O Brasil pode escolher não apenas ser um dos maiores produtores, mas também um dos mais confiáveis. Em um cenário de concentração da oferta global, isso representa uma oportunidade importante para o país. O Projeto Piauí Níquel, por exemplo, utiliza uma rota de processamento com menor consumo de água, menor consumo de energia e custos mais competitivos. Esse tipo de abordagem ajuda a fortalecer a posição do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos”, afirmou.
A executiva ressaltou que a capacidade de processar e agregar valor ao minério no próprio país é parte importante dessa estratégia. O Projeto Piauí Níquel, da Brazilian Nickel, utiliza uma rota de processamento validada em planta-piloto e prevê a produção de níquel e cobalto por meio do processo de lixiviação em pilha.
O níquel e o cobalto são produzidos na forma de Precipitado de Hidróxido Misto (MHP) grau bateria — a primeira vez que essa tecnologia, já usada no processamento de outros metais, será empregada em escala comercial para níquel. O Projeto Piauí Níquel será a primeira operação de níquel e cobalto em escala global a adotar essa abordagem.
“É importante mostrar como novas rotas de processamento podem gerar mais valor para o país. A Brazilian Nickel não venderá minério bruto. Produzirá um produto intermediário, pronto para seguir ao refino e abastecer cadeias industriais, como a de baterias e outras aplicações industriais”, explicou Luciana.
A Brazilian Nickel vem estruturando sua estratégia de relacionamento com as comunidades ainda antes da construção do projeto. A companhia mantém diálogo permanente com diferentes grupos do território e desenvolve iniciativas sociais a partir da escuta e da identificação de demandas locais.
Para Luciana, esse relacionamento contínuo é fundamental para que a empresa esteja próxima da comunidade e possa construir, em conjunto, iniciativas que gerem impacto positivo na região do empreendimento.
“Estamos em uma região que não tem tradição na mineração. Por isso, iniciamos o engajamento muito antes do que normalmente acontece em projetos greenfield. Hoje contamos com um Comitê do Projeto formado por dez grupos comunitários, além de fóruns específicos com mulheres e representantes do poder público. Esse diálogo contínuo nos permite construir uma relação de confiança com o território antes mesmo da implantação do empreendimento”, afirmou.
Na avaliação da diretora, a consolidação de uma cadeia de minerais críticos no país também passa pela cooperação entre empresas, instituições financeiras e poder público, especialmente para viabilizar investimentos e projetos de longo prazo. “Temos recursos minerais e temos capacidade para desenvolver projetos competitivos. O desafio agora é criar as condições para transformar esse potencial em investimentos, desenvolvimento e em uma posição cada vez mais relevante do Brasil na cadeia global de minerais críticos”, concluiu.
Sobre a Brazilian Nickel
A Brazilian Nickel é uma empresa global, fundada em 2013, para desenvolver projetos de lixiviação em pilhas de lateritas de níquel em todo o mundo, começando com seu projeto flagship, o Projeto Piauí Níquel, no Brasil. A equipe da Brazilian Nickel é composta por profissionais altamente experientes da indústria de mineração, com ampla experiência metalúrgica na América do Sul e globalmente. O time vem desenvolvendo, há mais de 20 anos, a lixiviação em pilhas de lateritas de níquel com baixo carbono e responsabilidade ambiental, com o objetivo de construir uma empresa produtora de níquel e cobalto de classe mundial.
