Estudo da UNESP revela como a escolha da braquiária no consórcio pode impactar a produtividade do milho
Trabalho realizado na UNESP Jaboticabal mostra que o milho consorciado com braquiária híbrida Mavuno

A escolha da braquiária no consórcio com milho não é um detalhe: ela pode preservar ou comprometer a produção de grãos. É o que demonstra um estudo desenvolvido na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em Jaboticabal, que identificou diferenças significativas no desempenho do milho quando consorciado com braquiária híbrida Mavuno
Os resultados fazem parte do estudo “A consorciação com braquiárias e a adubação nitrogenada afetam o desempenho do milho?”, desenvolvido pela engenheira agrônoma Tainá Garcia Paiares sob orientação do professor Anderson Prates Coelho e coorientação do pesquisador Victor Augusto da Costa Escarela, com o objetivo de avaliar o desempenho agronômico e produtivo do milho consorciado com diferentes braquiárias e doses de nitrogênio em cobertura.
O interesse pelo tema acompanha a expansão do uso de forrageiras em sistemas consorciados, impulsionada pelos benefícios que essas espécies proporcionam à conservação do solo, à ciclagem de nutrientes, à formação de palhada e à sustentabilidade do sistema produtivo. Nesse contexto, compreender como diferentes materiais se comportam durante o desenvolvimento da cultura do milho tornou-se fundamental para reduzir riscos e aumentar a eficiência do sistema.
O experimento foi conduzido entre outubro de 2025 e abril de 2026 e comparou três sistemas de cultivo: milho solteiro, milho consorciado com a braquiária híbrida Mavuno e milho consorciado com a braquiária ruziziensis, além de avaliar diferentes doses de nitrogênio em cobertura.
O principal resultado foi que o milho cultivado em consórcio com a braquiária híbrida Mavuno
Em termos econômicos, essa diferença ajuda a mostrar que a escolha da braquiária pode pesar muito mais no bolso do produtor do que apenas o preço da semente. Considerando como referência o preço médio de R$ 65,55 por saca apurado pelo Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Cepea) ao longo de julho de 2026, as 22 sacas adicionais por hectare observadas no sistema com braquiária híbrida Mavuno
Segundo o estudo, o melhor desempenho do Mavuno está relacionado ao seu desenvolvimento inicial mais equilibrado, que reduz a competição com o milho por luz, água e nutrientes justamente na fase em que a cultura define seu potencial produtivo. Já a Urochloa ruziziensis
Outro destaque do trabalho é o potencial forrageiro demonstrado pela braquiária híbrida

Para Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, empresa responsável pelo desenvolvimento da braquiária híbrida Mavuno, os resultados reforçam a importância de considerar a escolha da forrageira como parte da estratégia produtiva da propriedade.
“O consórcio deixou de ser apenas uma ferramenta para formação de palhada. Hoje, o produtor precisa pensar em um sistema que preserve a produção de grãos do milho e, ao mesmo tempo, entregue benefícios para o solo e para a produção de forragem”, explica.
Os resultados obtidos pela pesquisa reforçam a importância da escolha da forrageira no planejamento de sistemas consorciados, especialmente em propriedades que buscam aliar produtividade de grãos, formação de palhada e produção de biomassa.
De acordo com Pontes, a pesquisa amplia a discussão sobre o papel das forrageiras nos sistemas de produção. “O consórcio não é uma receita única. Cada material tem um comportamento agronômico diferente e isso precisa ser considerado na tomada de decisão. Trabalhos como esse ajudam o produtor a escolher com base em evidências, entendendo como a braquiária híbrida Mavuno
