Bioenergia avança em novos mercados, do biobunker ao biometano

Bioenergia avança em novos mercados, do biobunker ao biometano

Conferência FenaBio destaca soluções para reduzir emissões e aponta potencial de R$ 320 bilhões em investimentos em biometano

Do biobunker ao biometano, bioenergia avança sobre novos mercados
Fenasucro & Agrocana 2026 reúne empresas, especialistas e lideranças da cadeia da bioenergia em Sertãozinho (SP).

A programação do terceiro dia da Fenasucro & Agrocana 2026, nesta quinta-feira (13), combinou debates sobre as novas oportunidades para a bioenergia com reflexões sobre tecnologias e desenvolvimento humano. Já o segundo e último dia da FenaBio destacou o uso dos biocombustíveis no mar, céu e terra, mostrando um futuro promissor para a mobilidade sustentável.

Na navegação, Carlos Alberto Meirelles Marçal, diretor de Transição Energética da Petrobras, destacou que uma das soluções mais imediatas para reduzir as emissões é o uso de misturas de combustíveis fósseis com biocombustíveis, que não exigem grandes adaptações nos navios nem nos portos.

 Do biobunker ao biometano, bioenergia avança sobre novos mercados
FenaBio trouxe debate sobre soluções para reduzir emissões e ampliar o uso de biocombustíveis na navegação marítima

Durante o painel “Biobunkers: oportunidades para as bioenergias”, ele citou como exemplo o B24, mistura de combustível fóssil com 24% de biodiesel que já está em comercialização e permite uma redução de cerca de 20% nas emissões de carbono. A expectativa, segundo Marçal, é avançar para o B30, com 30% de biodiesel. 

Capacidade da bioeconomia brasileira

Já nos painéis relacionados ao biogás, os destaques ficaram para os avanços tecnológicos, escala de fabricação, custos e infraestrutura para conectar a produção ao mercado consumidor. Segundo os especialistas, a capacidade produtiva do Brasil é estimada em 44 bilhões de metros cúbicos de biometano.

Quase 50% desse potencial está associado ao setor bioenergético, o que pode representar cerca de R$ 320 bilhões em investimentos nos próximos anos. As oportunidades incluem a substituição de combustíveis fósseis e a transformação de resíduos em fontes de receita. 

“Esse setor já não é mais uma promessa, é uma realidade. A gente precisa trabalhar as políticas públicas, fomentar o investimento e continuar demonstrando atratividade”, afirmou Hernan Zwaal, da Galileo Technologies.

As mudanças na economia mundial também foram discutidas durante o painel “O papel das bioenergias em um mundo que ainda luta por petróleo”, com Joaquim Levy, diretor de Estratégia Econômica do Banco Safra, e Roberto Dumas Damas, estrategista econômico da Sicoob-COCRED. Levy defendeu investimentos em inteligência artificial e tecnologia para agregar valor ao agronegócio, ao etanol e à agricultura.

Segundo Paulo Montabone, diretor da feira, a diversidade dos assuntos demonstra a abrangência do evento e seu diálogo com diferentes áreas da bioeconomia e da sociedade. “As discussões aproximaram tecnologia, investimentos, novos mercados e desenvolvimento humano. Esses são temas fundamentais para preparar a cadeia da bioenergia e suas lideranças para as oportunidades que já estão surgindo no Brasil e no mundo”, afirma.

Liderança e agenda institucional

No terceiro dia de feira, o médico psiquiatra e escritor Augusto Cury relacionou a gestão das emoções e capacidade de liderar na palestra “O futuro do agro exige novas mentes: liderança e gestão da emoção na nova era da bioenergia”. Ele alertou para os efeitos da pressão, da autocobrança e do estresse sobre quem ocupa posições de decisão.

Já o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também teve agenda na 32ª edição da Fenasucro & Agrocana nesta quinta-feira (13). Sua passagem incluiu um almoço com as lideranças do setor, além de um tour pelo pavilhão para conhecer as tecnologias e inovações apresentadas pelos expositores. 

Último dia da feira

A Fenasucro & Agrocana 2026 chega ao último dia nesta sexta-feira, dia 14. A programação terá a palestra “Automação assistida, inteligência artificial e cibersegurança”. Já o LIDE Agro promoverá o tema “Liberdade na Transição Energética e o Futuro do Petróleo”, com Jean-Paul Prates, sócio da Altiva Inteligência Estratégica, head do LIDE Energia e chairman do CERNE; e Henrique Araújo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Copersucar.

Acompanhe a cobertura completa da feira no blog.

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