Custo de importação da borracha recua com dólar em baixa e matéria-prima mais barata

Custo de importação da borracha recua com dólar em baixa e matéria-prima mais barata

Preço referência de importação é divulgado mensalmente pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) 

Com dólar em baixa e matéria-prima mais barata, custo de importação da borracha recua

O preço de referência de importação da borracha natural fechou o mês de julho de 2026 cotado a R$ 15,53 por quilo, registrando uma queda de 5,2% em comparação ao mês anterior. O recuo foi impulsionado, principalmente, pela desvalorização da matéria-prima no mercado internacional e pela leve baixa do dólar, além de custos de logística e frete em recuo. O preço referência de importação do produto baliza as negociações de compra e venda de borracha no país para o mês subsequente. O indicador é elaborado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

As cotações dos contratos da borracha natural, que utilizam a Bolsa de Singapura como referência, fecharam julho com vencimento para agosto de 2026 valendo US$ 2,15/kg. O número representa uma retração de 5,5% em relação ao levantamento anterior, sendo o principal vetor para a redução do preço final. O dólar comercial também operou em queda no mês de julho, recuando 0,3%. A média da moeda norte-americana passou de R$ 5,13, em junho, para R$ 5,11, aliviando a pressão sobre os custos de importação do produto. O custo do frete marítimo internacional registrou queda de 0,8%, sinalizando uma acomodação e correção dos níveis considerados excepcionalmente elevados em junho.

Segundo a pesquisadora colaboradora do Instituto de Economia Agrícola e responsável pelo levantamento, Marli Dias Mascarenhas Oliveira, embora a média dos preços nas bolsas asiáticas, especificamente Singapura, tenha apresentado queda, as cotações diárias continuam em níveis elevados considerando-se a séria histórica. “Observa-se, nesse início do mês de agosto, uma tendência de alta nestas cotações, principalmente devido à percepção de restrição da oferta global de borracha natural, particularmente na Indonésia, em um contexto de demanda relativamente firme da indústria pneumática. A sustentação foi reforçada pela recuperação dos preços do petróleo, enquanto, no final do mês, a melhora da oferta de matéria-prima na Tailândia começou a limitar o movimento de alta”, afirma a pesquisadora.

O estado de São Paulo é responsável por 60% da produção nacional de borracha natural. Dados da estimativa preliminar da cultura da seringueira na safra 2025/26 indicam aumento de 0,5% na produção, com previsão de 267,6 mil toneladas de coágulo de látex a serem extraídos, que resultam numa produtividade estimada em 2.406 kg/ha. A área total cultivada de 124,1 mil hectares está 0,4% acima da safra passada, devido ao ligeiro aumento das áreas em formação, estimadas em 12,9 mil hectares. O levantamento de safra é realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e pela Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

SOBRE O ÍNDICE DE PREÇOS DE IMPORTAÇÃO DA BORRACHA

O chamado Índice de Preços de Importação da Borracha é executado pelo Instituto de Economia Agrícola, em conjunto com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O indicador permite que se estabeleça uma política de preços pagos aos produtores mais justa e remuneradora. Anteriormente, o valor a ser pago pela matéria-prima era estipulado por associações de compradores do setor. Em São Paulo, maior produtor nacional, os valores pagos não agradavam muito aos produtores, que vinham se sentindo insatisfeitos com a rentabilidade muito baixa apresentada nos últimos anos, implicando prejuízos à cadeia produtiva.

O  índice busca evitar concorrência desleal com os principais fornecedores internacionais, já que, se utilizassem apenas os preços de cotação internacional e não incluíssem todas as outras despesas de importação, aqui no Brasil se pagaria o mesmo preço que em alguns países da Ásia, onde por vezes o produtor é subsidiado e onde pode haver problemas como condições inadequadas de trabalho, degradação do meio ambiente etc. No Brasil, por outro lado, os produtores têm preocupação com todos estes aspectos em sua produção, com sangradores bem remunerados e com condições de trabalho adequadas e atendimento à legislação ambiental. O indicador também possibilita a manutenção da sustentabilidade econômica do negócio no longo prazo, já que a produção dessa cultura só surge a partir do 7º ano, sendo esse período inicial apenas de investimento.

Para acessar o índice de preços deste mês e anteriores, acesse: Link

 

 

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