Integração entre modais deve orientar próximos investimentos em infraestrutura logística

Integração entre modais deve orientar próximos investimentos em infraestrutura logística

Plano CNT de Transporte e Logística 2026 reforça a necessidade de integrar a infraestrutura brasileira, enquanto o PNL 2050 avança na construção de uma visão de longo prazo para a matriz de transportes.

Conexão entre modais deve orientar próximos investimentos em infraestrutura logística

A discussão sobre infraestrutura logística no Brasil precisa superar a lógica de avaliar rodovias, ferrovias e hidrovias de forma isolada e passar a considerar a jornada completa da carga. Essa constatação fica mais relevante diante dos novos movimentos de planejamento do setor, como o Plano CNT de Transporte e Logística 2026 e o desenvolvimento do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, lançado em 12 de agosto deste ano.

O Plano CNT de Transporte e Logística 2026, anunciado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em julho, apresenta uma carteira de projetos e prioridades para infraestrutura de transportes, com foco na redução de gargalos e no aumento da competitividade brasileira. A agenda da entidade também contempla diferentes segmentos da infraestrutura, como rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, reforçando a importância de uma visão coordenada do sistema de transportes.

Para a Combitrans, operadora logística brasileira referência nacional no transporte fluvial e rodoviário, a integração precisa ir além da existência de investimentos individuais em cada modal. O planejamento deve partir da origem e do destino da carga, identificando quais combinações de infraestrutura e transporte são capazes de garantir eficiência, previsibilidade e menor custo ao longo de todo o percurso.

“Não faz sentido pensar que uma rodovia é eficiente apenas porque está em boas condições, ou que uma hidrovia cumpre seu papel apenas porque tem capacidade disponível. O que precisa ser analisado é como esses modais se conectam ao longo da jornada da carga. A eficiência logística acontece quando a carga consegue passar de uma etapa para outra com segurança, previsibilidade e o mínimo possível de rupturas”, afirma Augusto Andrade, diretor Administrativo-Financeiro da Combitrans.

Planejamento precisa acompanhar a jornada completa da carga

A necessidade de uma visão integrada também está presente no desenvolvimento do Plano Nacional de Logística 2050, instrumento de planejamento integrado de transportes que busca avaliar a matriz brasileira e projetar cenários para orientar a expansão da oferta dos diferentes subsistemas de transporte. O plano é elaborado no âmbito do Planejamento Integrado de Transportes (PIT), instituído pelo Decreto nº 12.022/2024.

Entre os insumos utilizados na construção do PNL 2050 estão as matrizes origem-destino de cargas, que contemplam 43 macroprodutos distribuídos em seis grupos de carga e projeções para diferentes horizontes temporais. A metodologia permite observar não apenas onde as cargas estão hoje, mas também como os fluxos podem se comportar nas próximas décadas.

Na avaliação da Combitrans, esse tipo de planejamento é fundamental para que investimentos em infraestrutura sejam direcionados aos pontos em que efetivamente podem melhorar a circulação das cargas. Isso significa considerar conexões entre terminais, portos, hidrovias e rodovias, além das condições de acesso e transferência entre os diferentes trechos de uma operação.

“Quando olhamos apenas para um modal, podemos resolver um gargalo e, ao mesmo tempo, criar ou manter outro logo adiante. A carga não termina sua viagem quando deixa uma rodovia ou chega a um terminal. Por isso, o planejamento precisa acompanhar o percurso inteiro e entender onde estão os pontos de conexão que podem comprometer a operação”, explica Andrade.

Integração como caminho para reduzir gargalos

O desafio ganha ainda mais relevância diante da atual composição da matriz logística brasileira. Segundo dados da Infra S.A. divulgados pelo Ministério dos Transportes, 54% da movimentação está concentrada nas rodovias, enquanto as ferrovias representam 27% e o segmento aquaviário, 19%. O próprio PNL 2050 estabelece entre suas prioridades ampliar a intermodalidade e diversificar essa matriz, buscando aproveitar de forma mais eficiente as características de cada infraestrutura.

Isso significa que o debate sobre infraestrutura deve ser pautado pela capacidade de diferentes sistemas trabalharem de maneira complementar e não pela escolha de um modal exclusivo. Uma hidrovia, por exemplo, pode ser mais adequada para determinado trecho, enquanto o transporte rodoviário pode assumir a etapa de coleta ou distribuição. O resultado depende, portanto, da qualidade das conexões entre essas diferentes etapas.

”A combinação entre iniciativas de curto e médio prazo, como a carteira de projetos prioritários apresentada pela CNT, e instrumentos de planejamento de longo prazo, como o PNL 2050, representa uma oportunidade para o Brasil avançar na construção de uma infraestrutura mais conectada às necessidades reais dos fluxos de carga. A integração entre modais deve ser considerada desde o planejamento dos investimentos, evitando que novos projetos sejam avaliados de forma isolada e sem conexão com as demais etapas da cadeia logística”, finaliza o diretor da Combitrans.

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