Mercado de inoculantes mantém crescimento em 2026, com cenário de maior consolidação e competitividade na indústria

Mercado de inoculantes mantém crescimento em 2026, em cenário de maior consolidação e competitividade

Mercado de inoculantes mantém crescimento em 2026, em cenário de maior consolidação e competitividade

O mercado brasileiro de inoculantes mantém trajetória de crescimento em 2026, mas passa por uma dinâmica diferente da observada durante os períodos de expansão mais acelerada do segmento. Tecnologias já consolidadas, como as baseadas em Bradyrhizobium e Azospirillum, enfrentam maior competição e pressão sobre os preços, enquanto a adoção de novas soluções ocorre de maneira gradual. Além disso, mesmo diante de um cenário onde o produtor enfrenta margens mais apertadas, a expectativa do setor é de que os investimentos em inoculação sejam mantidos.

 

A avaliação é de Guilherme de Figueiredo, engenheiro agrônomo e diretor comercial da Agrocete, empresa com atuação no mercado de inoculantes desde 1998 e uma das principais produtoras da categoria no país, respondendo por cerca de 30% do mercado brasileiro. A leitura é acompanhada pela própria projeção da companhia para 2026, de crescimento de aproximadamente 10% em seus negócios de inoculantes em relação ao ano anterior.

“O cenário sucede um período de forte expansão do setor e, embora esse mercado siga em crescimento, os produtos à base de Bradyrhizobium e Azospirillum passam por uma nova dinâmica. Nesse ambiente de maior pressão sobre preços e competitividade, o produtor deve dar maior importância ao planejamento, à escolha de tecnologias confiáveis e à busca por resultados no campo”, avalia Figueiredo.

 

Dados da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), compilados pela Scot Consultoria, mostram que as empresas associadas à entidade entregaram 205,6 milhões de doses em 2024, ante 148 milhões em 2023, crescimento de 28,1%. Em valor, as vendas chegaram a R$ 527,5 milhões, alta de 10,5% sobre o ano anterior. Para 2025, a entidade estimava crescimento de 12,4% nas vendas.

 

Na análise por microrganismos, em 2024 os produtos à base de Bradyrhizobium responderam por 57% das vendas e 77% das doses entregues, enquanto os formulados com Azospirillum representaram 29% das vendas e 21% das doses. Para o executivo, a concentração nessas tecnologias demonstra o grau de consolidação alcançado pelo mercado, que passa a operar sob maior pressão competitiva e redução de preços. Entre os fatores que explicam esse movimento estão a antecipação de vendas em campanhas comerciais, a necessidade das empresas de manter o crescimento em volume, a entrada de novos players e estratégias de composição de portfólio.

Mercado de inoculantes mantém crescimento em 2026, em cenário de maior consolidação e competitividade

Com preços mais pressionados, a comparação entre fornecedores ganha importância, mas, na avaliação do Figueiredo, o valor do produto não deveria ser analisado isoladamente. “O mais importante é o resultado no campo e a procedência da tecnologia, que estão diretamente relacionados. É importante escolher uma empresa fornecedora confiável, com processos de qualidade comprovados, além de sempre avaliar a consistência dos resultados obtidos no campo”, afirma.

Outro movimento observado neste ano é a manutenção de um comportamento de compra próximo ao registrado em 2025, com decisões concentradas no período que antecede o plantio, o que pode pressionar o abastecimento de determinados produtos. “Caso os produtores não antecipem suas programações, há risco de falta de produtos nas próximas três semanas. Como a disponibilidade de determinados inoculantes é limitada, o planejamento passa a ser importante para garanti-los dentro da janela adequada de utilização”, alerta o executivo.

O cenário de margens mais apertadas também coloca em discussão a racionalização dos investimentos no campo. Para Figueiredo, porém, a inoculação tende a ser preservada, diante da relação entre o custo da tecnologia e sua contribuição para o estabelecimento da cultura. “Não se trata de investir mais ou menos, mas de escolher corretamente onde investir. Um bom início é o primeiro passo para buscar maiores produtividades e, nos inoculantes, a recomendação é manter a tecnologia adequada e utilizar a dose indicada, sem deixar de investir nessa tecnologia, que é essencial para o início do ciclo produtivo”.

Agrocete vem ampliado sua atuação  para outras frentes no setor de bioinsumos, incluindo soluções biológicas multifuncionais

A expectativa de manutenção dos investimentos em inoculação, mesmo em um cenário de margens mais apertadas, sustenta a perspectiva de continuidade do crescimento do mercado nos próximos anos. O avanço, porém, tende a assumir novas formas à medida que as tecnologias tradicionais se consolidam, com espaço crescente para soluções biológicas que agreguem diferentes funções e ampliem suas aplicações no manejo. Esse movimento acompanha a própria evolução da indústria, que passa a diversificar suas tecnologias e aplicações — caso da própria Agrocete, que, após quase três décadas de atuação no mercado de inoculantes, vem ampliando gradualmente sua atuação para outras frentes no setor de bioinsumos.

Guilherme de Figueiredo é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), possui MBA em Gestão Comercial pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e atua há cerca de 30 anos na Agrocete, multinacional paranaense que atua no desenvolvimento e na fabricação de soluções para nutrição vegetal, fisiologia, produtos biológicos, adjuvantes e tecnologia de aplicação, onde atualmente é diretor comercial. Também presidiu, entre 2022 e 2025, a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), mais antiga e tradicional entidade representativa do setor no país.

Sobre a Agrocete:

Fundada em 1980, a Agrocete é uma multinacional brasileira, com sede em Ponta Grossa (PR) e unidades nos Estados Unidos, México e Paraguai, com referência internacional na área de adjuvantes, fisiológicos, biológicos e nutrição.

A Agrocete tem uma das maiores e mais avançadas plantas fabris de inoculantes biológicos do mundo e é certificada pela ISO 9001, de gestão e qualidade, e pela ISO 14001, de gestão ambiental. Também é reconhecida pelo selo Together for Sustainability, iniciativa global que certifica empresas com uma indústria química segura e comprometida com o meio ambiente.

A empresa é pioneira na produção de fertilizantes especiais e inoculantes no Brasil e se destaca pela inovação e modernidade tecnológica, do laboratório ao campo. Prova disso, é a implantação de uma unidade para o desenvolvimento, validação e testagem de produtos inovadores, como os biológicos de controle e biofertilizantes, e da Universidade Agrocete, para capacitação dos colaboradores da empresa.

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