Bicos pulverizadores da Zait.ag usam sensor de clorofila para ajustar aplicação de maturadores no algodão

Bicos pulverizadores da Zait.ag usam sensor de clorofila para ajustar aplicação de maturadores no algodão

Tecnologia permite reduzir em cerca de 20% o uso de maturadores e ajuda a evitar perdas de produtividade causadas pelo excesso do produto

Bicos pulverizadores com sensor de clorofila aplicam maturadores de crescimento no algodão de acordo com o tamanho e necessidade de cada planta

Testes feitos com a tecnologia Weed-it demonstram que os sensores de pulverização localizada conseguem aplicar os reguladores de crescimento na cultura do algodão de acordo com a quantidade de clorofila identificada, em tempo real. Em vez de aplicar uma dose única em toda a área, a tecnologia identifica diferenças no desenvolvimento das plantas e ajusta a quantidade de produto de acordo com a necessidade de cada uma. Isso faz com a área fique mais uniforme, evitando prejudicar a produtividade do talhão ao aplicar excesso de produto nas plantas que não necessitavam.

Além disso, pesquisas acadêmicas mostram que em áreas com grande variabilidade, a aplicação em taxa variável resultou em uma economia de 17% a 18% no uso dos reguladores de crescimento vegetal em algodão.

Testes realizados em uma fazenda de algodão no Oeste da Bahia, pela Zait.ag, demonstraram a viabilidade da estratégia e indicaram que a aplicação variável pode contribuir para tornar o desenvolvimento da lavoura mais uniforme. O experimento foi conduzido em 560 hectares, distribuídos em quatro talhões de 140 hectares, e envolveu sete aplicações de regulador de crescimento ao longo da safra 2025/26.

Bicos pulverizadores com sensor de clorofila aplicam maturadores de crescimento no algodão de acordo com o tamanho e necessidade de cada planta

A principal inovação está na capacidade de realizar a variação da taxa em tempo real e com resolução de até 25 centímetros, sem a necessidade de elaborar previamente um mapa de prescrição. “O sensor identifica a biomassa por meio da leitura da clorofila e o sistema ajusta automaticamente a dose: quanto menor a clorofila, menor a taxa; quanto maior a clorofila, maior a taxa. De acordo com as especificações apresentadas no material técnico, a taxa pode variar em até quatro vezes, sem alterar a pressão de trabalho, o tamanho das gotas ou a distribuição do leque”, explica Marcos Ferraz, vice-presidente da Zait.ag.

A vantagem fica especialmente evidente em áreas que apresentam grande variabilidade de desenvolvimento. No Pivô 01 B, por exemplo, havia plantas com alturas entre 10 e 70 centímetros no momento da aplicação, devido a diferenças de plantio e replantio. Nesse cenário, uma aplicação uniforme poderia submeter plantas ainda pequenas a uma dose de regulador superior à sua necessidade. Segundo a análise dos mapas, a aplicação variável contribuiu para a homogeneização do desenvolvimento das plantas.

Essa característica é importante porque o regulador de crescimento atua justamente sobre o desenvolvimento vegetativo do algodoeiro. O cloreto de mepiquat, utilizado no experimento, reduz o crescimento em altura e no comprimento dos ramos produtivos, direcionando a energia da planta para processos reprodutivos.

Os dados coletados no experimento mostram que a tecnologia não apenas identifica a variabilidade existente no talhão, mas consegue responder a ela durante a operação. No primeiro conjunto de dados analisado no Pivô 01 B, o índice de clorofila predominante ficou entre 0,3 e 0,6, enquanto as taxas aplicadas se concentraram entre 60 e 80 litros por hectare. O gráfico de dispersão mostrou uma relação positiva entre o índice de clorofila e a taxa aplicada: à medida que a clorofila aumentava, a dose também aumentava.

“Esse comportamento representa uma mudança importante em relação à taxa fixa. Na aplicação convencional, a mesma dose é definida para toda a área, independentemente das diferenças entre plantas. Na taxa variável, o produto é direcionado conforme a real necessidade da cultura, reduzindo a possibilidade de aplicar regulador em excesso sobre plantas que ainda precisam crescer”, orienta Ferraz.

Outro resultado observado nos testes foi a diferença entre a área total e a área efetivamente pulverizada em algumas operações. No Pivô 02 B, por exemplo, foram pulverizados 54,11 dos 74,69 hectares, correspondentes a 72,44% da área. No Pivô 07 A, uma das aplicações atingiu 24,54 hectares de um total de 38,60 hectares, ou 63,65% da área. No Pivô 06 B, foram pulverizados 83 dos 140 hectares, equivalentes a 59,28% da área.

Esses números mostram, na prática, como a aplicação baseada na leitura da cultura permite direcionar a operação. O estudo também destaca que os mapas de aplicação permitem identificar exatamente quais áreas receberam o produto e comparar essas informações com os mapas de clorofila. Com isso, é possível verificar a qualidade e a uniformidade da pulverização e identificar regiões com menor desenvolvimento ou falhas na lavoura. “Para o produtor, o ganho potencial está em combinar economia de insumos, precisão operacional e uniformidade da lavoura.”

A tecnologia Weed-it, utilizada nos testes, trabalha com sensores de alta sensibilidade capazes de detectar a fluorescência da clorofila e acionar válvulas PWM de resposta rápida. O sistema possui bicos espaçados a cada 25 centímetros, permitindo que a taxa seja modificada de acordo com a variabilidade encontrada praticamente planta a planta. O sensoriamento pode ser realizado em diferentes condições de luminosidade, e a operação gera mapas e relatórios para posterior monitoramento.

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