
O avanço do armazenamento de energia será um dos fatores mais importantes para sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro nos próximos anos. A avaliação é de Merivaldo Brito, fundador da Tudo Energia, que participou como palestrante e mediador de debates na Energy Farm, realizada dentro da programação da GreenFarm, em Cuiabá (MT).
Segundo ele, a discussão sobre energia no campo já não se resume apenas à geração, especialmente por meio da energia solar. O desafio agora é garantir que essa energia esteja disponível quando o produtor precisar, reduzindo a dependência da rede elétrica e aumentando a segurança operacional das propriedades rurais.
“Não basta apenas gerar energia. É preciso armazenar. O armazenamento é o que garante autonomia e segurança energética para o produtor, principalmente em locais onde a infraestrutura ainda apresenta limitações”, afirmou.
Durante o evento, Brito destacou que o setor elétrico brasileiro vive uma transformação semelhante à ocorrida com a energia solar na última década. Se antes havia resistência à geração fotovoltaica, hoje o mesmo acontece com os sistemas de armazenamento por baterias, conhecidos como BESS (Battery Energy Storage System).
Para ele, a tendência é que a tecnologia se popularize rapidamente à medida que os custos continuem caindo e os benefícios se tornem mais evidentes para consumidores rurais e industriais.
“O armazenamento está passando por uma mudança significativa. Assim como aconteceu com a energia solar, os preços estão caindo e a tecnologia está ficando mais acessível. Isso abre uma oportunidade enorme para o agronegócio”, avaliou.
Merivaldo observou que grande parte das propriedades rurais de Mato Grosso ainda enfrenta limitações de infraestrutura elétrica, principalmente em regiões atendidas por redes monofásicas ou distantes dos grandes centros de distribuição.
Nesse cenário, o armazenamento surge como alternativa para garantir maior estabilidade energética sem depender exclusivamente da expansão da rede convencional.
“O produtor não pode ficar esperando apenas a chegada de novas linhas ou de investimentos da distribuidora. As novas tecnologias permitem que ele tenha mais autonomia e mais segurança para produzir”, disse.
O empresário também destacou experiências internacionais que vêm acelerando a adoção de baterias em larga escala. Ele citou exemplos observados nos Estados Unidos, China e África do Sul, onde o armazenamento tem sido utilizado para complementar a geração solar e aumentar a confiabilidade do sistema elétrico.
Na Califórnia, segundo ele, uma parcela significativa da energia fotovoltaica já passa por sistemas de armazenamento antes de ser utilizada. Já na África do Sul, onde interrupções no fornecimento são frequentes, as baterias se tornaram essenciais para garantir o funcionamento de propriedades rurais e empresas.
Além dos desafios tecnológicos, Brito defende avanços regulatórios e maior qualificação profissional para acelerar a adoção dessas soluções no Brasil. Para ele, o desenvolvimento do setor passa pela integração entre governo, empreendedores, distribuidoras e consumidores.
“O armazenamento não é apenas uma questão tecnológica. É uma questão regulatória, de capacitação e de planejamento. Quando esses fatores caminham juntos, a transição energética acontece de forma mais rápida e eficiente”, afirmou.
Na avaliação do fundador da Tudo de Energia, o maior desafio do setor energético brasileiro continua sendo transformar as necessidades já conhecidas do mercado em soluções efetivamente implementadas.
Ele defende também a criação de políticas públicas e programas permanentes voltados à formação de profissionais, à inovação e ao planejamento energético, especialmente em estados como Mato Grosso, onde o crescimento econômico ocorre em ritmo superior à média nacional.
“O Brasil já conhece os problemas e já possui muitas das soluções. O que falta é conectar esses dois pontos com planejamento, qualificação e execução. É isso que vai garantir a energia necessária para sustentar o crescimento do agro e da economia nos próximos anos“, concluiu.






