Belo Monte: por dentro da 3ª maior usina hidrelétrica do mundo

Usina de Belo Monte

Na bacia do Rio Xingu, nas proximidades de Altamira (norte do Pará), o governo federal está construindo a terceira maior usina hidrelétrica do mundo. Tudo em Belo Monte é feito no superlativo: os investimentos estão previstos em R$ 30 bilhões; o lago da usina terá uma área de mais de 500 quilômetros quadrados (abrangendo parte da Amazônia Legal); sua potência de geração instalada será de 11.233 MW (previsão para 2020), suficiente para abastecer casas de 18 milhões de pessoas, porém, deverá produzir efetivamente perto de 4.500 MW por ano (10% do consumo nacional). O empreendimento é erguido, desde junho de 2011, por cerca de 30 mil trabalhadores oriundos de diversas empresas – a concessão é de responsabilidade da Norte Energia S.A. A revista EaeMáquinas conversou com o engenheiro Claudemyr Ribeiro Granja, da Copem Engenharia Ltda., para conhecermos mais detalhes desse mega projeto. Granja observa que a Copem desenvolve vários projetos executivos das áreas elétrica e mecânica dos sistemas de água para o resfriamento dos equipamentos. São estações de tratamento de água e esgotos, drenagem da casa de força, sistema de esvaziamento e enchimento das unidades, ventilação, exaustão e ar condicionado da casa de força e edificações, equipamentos de detecção e combate à incêndios, proteção dos equipamentos e sistemas de telecomunicação. São executados também os projetos dos sistemas de iluminação, condutos para cabos, interligação elétrica, controle de acesso, tubulação mecânica e arranjo físico dos equipamentos. “Uma hidrelétrica é composta das turbinas, geradores, transformadores elevadores, comportas, pórticos e pontes rolantes, subestação elétrica e demais equipamentos principais. Os projetos destes equipamentos são desenvolvidos pelos seus respectivos fabricantes. A responsabilidade da COPEM é desenvolver os projetos de instalação e de toda a infraestrutura auxiliar necessária à operação segura e contínua destes equipamentos e também da usina”, reforça o engenheiro.

Mesmo assim, há muita polêmica sobre a real eficiência dessa usina, quando em operação (a inauguração estava prevista para novembro, mas foi adiada para o início de 2016). A julgar o parque nacional de transmissão, alguns especialistas dizem que o país precisa investir mais em outras matrizes energéticas limpas, como eólica, solar, além das queixas sobre os impactos ambientais. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) – ligada ao Ministério de Minas e Energia – o Brasil precisa gerar por ano uma energia adicional de 6.350 MW até 2022. Atualmente, o parque conta com 121 mil MW, sendo 70% dessa energia produzida por hidrelétricas. Se Belo Monte pudesse funcionar com toda sua capacidade no ano, ela acrescentaria cerca de um quinto dessa carga adicional. O engenheiro  Claudemyr Ribeiro Granja considera que a saída é a diversificação da matriz energética. “Um investimento maior em energia alternativa deve ser feito, criando-se parques de energia eólica, solar, lixo, etc., com o objetivo de instalar uma potência mais representativa deste tipo de geração, para a operação em conjunto com as hidrelétricas e térmicas. A energia gerada nas usinas eólicas e solares e o consumo são simultâneos porque depende dos ventos e calor solar que não podem ser armazenados. A geração nessas usinas permite a redução da geração de energia nas hidrelétricas e térmicas poupando o consumo da água nas barragens e combustíveis das térmicas. O que queremos dizer é que os investimentos nas usinas convencionais devem continuar”.  Ele acrescenta que para se produzir mais 11.200 MW, por exemplo, que é a capacidade estimada para Belo Monte, o país precisaria construir 3.740 torres eólicas de 100 m de altura, rotor 100 m de diâmetro e potência de geração de 3 MW. “Considerando uma distância de 200 m entre torres estas formariam uma fila de mais de 750 km, que atravessaria o estado de São Paulo de leste a oeste. Se instaladas em uma única localidade as torres ocupariam uma área 3×50 km². Apesar das polêmicas acredito que Belo Monte cumprirá sua missão e com o tempo terá a aprovação total da sociedade”, destaca o engenheiro da Copem.   Claudemyr destaca ainda que os  projetos da COPEM envolve ainda os cuidados especiais com o meio ambiente, sendo executados projetos dos sistemas para a limpeza da água antes de sua devolução ao rio, tratamento de esgotos e oxigenação e resgates dos peixes quando aprisionados no interior das turbinas. “O Brasil é um dos países com mais experiência em projetos de hidrelétricas e a COPEM se sente muito segura nesta especialidade. Particularmente, o projeto de Belo Monte se destaca pelas suas grandes dimensões. Tudo é gigante. Como Itaipu, o poço do gerador sem o rotor, poderia abrigar uma orquestra sinfônica. Sua subestação de 525 kV é especial, blindada, isolada com gás (GIS – Gás Insulated Substation), uma das maiores do mundo e está instalada dentro da casa de força. Temos muito orgulho de ter sido a empresa selecionada para a execução deste projeto”, diz Claudemyr.

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