Big data: locadoras que ignoram dados perdem competitividade

Big data: locadoras que ignoram dados perdem competitividade

Com ociosidade em alta, pressão de preços e reforma tributária (IBS/CBS), gestão data-driven vira condição de sobrevivência no rental de máquinas

Big data: locadoras que ignoram dados perdem competitividade

A gestão baseada em dados deixou de ser tendência e se tornou fator de sobrevivência no setor de locação de máquinas no Brasil. Em cenário de concorrência acirrada, ociosidade crescente e reforma tributária, locadoras que ainda operam com base em percepção tendem a perder espaço já a partir de 2026.

Dados recentes do Rental Market Report 2025, estudo encomendado pela Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Máquinas, Equipamentos e Ferramentas (ANALOC), reforçam o peso econômico do segmento. Segundo o levantamento, o mercado brasileiro de locação movimenta cerca de R$ 49 bilhões por ano, gera mais de 200 mil empregos e contribui com aproximadamente R$ 9 bilhões em tributos.

Apesar da relevância, os números também evidenciam um momento de ajuste operacional. O aumento da oferta de equipamentos, somado ao ambiente de juros elevados e à oscilação da demanda, tem pressionado a utilização das máquinas e reduzido margens das empresas de rental, exigindo maior precisão na gestão.

Esse cenário marca um ponto de inflexão no setor. “Locadoras que não conseguem identificar com clareza onde estão gerando resultado — ou acumulando perdas — passam a operar com ativos ociosos, preços desalinhados e baixa eficiência financeira. Nessa perspectiva, quanto mais dados, menor a margem para erros”, afirma Leônidas Ferreira, conhecido como Leo Sisloc, diretor da Sisloc Softwares.

Gestão sob pressão exige precisão

Segundo o executivo, o modelo tradicional de gestão, baseado na experiência dos gestores e em decisões rápidas, ainda está presente em boa parte das empresas, mas já não responde sozinho à complexidade atual do mercado. “Esse modelo ainda funciona, mas cada vez menos. O aumento da concorrência, impulsionado inclusive pela entrada de novos players e maior oferta de equipamentos, combinado com juros elevados e redução na utilização das frotas, exige um nível de controle muito mais rigoroso”, observa.

Na prática, isso altera a forma como decisões estratégicas são tomadas dentro das locadoras. Processos ligados à renovação de frota, definição de portfólio, precificação de contratos e priorização de clientes passam a depender de dados estruturados e análises consistentes. “Sem dados confiáveis, a empresa perde visibilidade sobre custos reais, produtividade dos ativos e eficiência operacional. Isso impacta diretamente o caixa”, acrescenta.

Esse novo contexto também evidencia um problema recorrente no setor: a falsa sensação de lucratividade. Em muitas operações, o faturamento elevado mascara ineficiências que comprometem o resultado final. Custos de manutenção subestimados, períodos de ociosidade não monitorados, preços praticados abaixo do necessário e ativos com baixa performance são fatores que, isoladamente, podem passar despercebidos, mas se combinados, corroem a rentabilidade e reduzem a capacidade de reação das empresas.

Big data se consolida como requisito operacional

Paralelamente, a digitalização da gestão tem avançado no setor, impulsionando o uso de dados como ferramenta central de decisão. Sistemas integrados como o Sisloc passaram a reunir informações operacionais, financeiras e comerciais, permitindo uma leitura mais completa do desempenho das empresas.

Dessa forma, o uso de big data aplicado na locação de máquinas propicia maior capacidade de análise às empresas de rental, que passam a antecipar demandas, ajustar preços com mais precisão, otimizar a alocação de equipamentos e identificar gargalos operacionais com maior agilidade. Em contrapartida, empresas que ainda operam sem dados estruturados tendem a reagir com atraso às mudanças do mercado, ampliando riscos e reduzindo sua capacidade de resposta.

Na prática, essa transformação se materializa na adoção de indicadores considerados essenciais para a gestão do negócio, entre eles a taxa de utilização da frota, o custo-hora por equipamento, a análise da rentabilidade por ativo, e o acompanhamento do nível de ociosidade.

Para Leo Sisloc, o movimento é irreversível e redefine os parâmetros de gestão no setor. “Durante muito tempo, a experiência do gestor foi suficiente para conduzir o negócio. Hoje, isso não basta mais. Quem não tem dados confiáveis para tomar decisão, inevitavelmente vai perder margem e competitividade”, conclui.

Alimentação de informações

Apesar dos avanços tecnológicos, Leonardo Ferreira, coordenador de vendas da Sisloc Softwares, lembra que a transformação digital não depende apenas da implantação de um software. De acordo com ele, o sucesso da gestão orientada por dados está diretamente ligado ao engajamento das pessoas e à disciplina na alimentação das informações.

“Muitos empresários acreditam que a simples adoção de um sistema resolverá todos os problemas da empresa, mas não é assim que funciona. A tecnologia é uma aliada poderosa, mas precisa ser acompanhada por processos bem definidos e por uma equipe comprometida com a qualidade dos dados. A primeira pessoa que precisa comprar essa ideia é o próprio gestor. Quando todos entendem a importância das informações e trabalham de forma integrada, os resultados aparecem de maneira muito mais consistente”, assinala Leonardo.

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