Cinco mitos e verdades sobre os fertilizantes que você precisa conhecer
Fertilizante é agrotóxico? Seu uso ajuda ou prejudica o meio ambiente? Coordenador-geral e científico da Nutrientes Para a Vida (NPV) esclarece dúvidas comuns sobre o insumo

Você sabe diferenciar fertilizantes, adubos, agrotóxicos e defensivos agrícolas? Boa parte da população diz que não. É o que aponta uma pesquisa qualitativa encomendada pela Nutrientes Para a Vida (NPV) e realizada pelo Instituto de Pesquisa Ipeso. O estudo desenvolvido com 600 entrevistados indica que, em geral, os brasileiros conhecem esses insumos apenas de forma superficial e não se consideram bem-informados sobre suas funções na produção agrícola e na conservação dos recursos naturais.
Compreender como estes elementos atuam é essencial para ampliar o debate sobre segurança alimentar e sustentabilidade, como aponta Valter Casarin, engenheiro agrônomo e coordenador-geral e científico da Nutrientes Para a Vida (NPV), iniciativa da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), que desmistifica o papel dos fertilizantes na agricultura.
“É importante que a sociedade conheça o verdadeiro papel que os fertilizantes desempenham nos sistemas de produção. Esses insumos não substituem práticas como a conservação do solo e o manejo adequado, mas fazem parte de um conjunto de tecnologias que permite produzir mais alimentos com eficiência e responsabilidade ambiental”, destaca.
E o que você sabe sobre o tema? Para esclarecer algumas das principais dúvidas, Casarin explica o que é mito e o que é verdade quando o assunto são os fertilizantes. Confira a seguir:
Fertilizantes e agrotóxicos são a mesma coisa: mito
Embora muitas vezes sejam confundidos, fertilizantes e agrotóxicos têm funções completamente diferentes. Os fertilizantes fornecem nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento das plantas, como nitrogênio, fósforo e potássio. Já os agrotóxicos, também chamados de defensivos agrícolas, são utilizados para proteger as lavouras contra pragas, doenças e plantas daninhas. Em outras palavras, enquanto os fertilizantes nutrem a planta, os defensivos atuam na sua proteção.
Fertilizantes empobrecem o solo: mito
Na prática, ocorre o contrário. A cada safra, parte dos nutrientes presentes no solo é removida junto com os grãos, frutas, fibras e demais produtos agrícolas. Os fertilizantes têm justamente a função de repor esses elementos minerais, ajudando a manter a fertilidade e a capacidade produtiva do solo. O que pode comprometer a qualidade do solo é a ausência dessa reposição ou o manejo inadequado da área, e não o uso responsável dos fertilizantes.
Fertilizantes ajudam a preservar as florestas: verdade
Ao aumentar a produtividade das áreas já cultivadas, os fertilizantes contribuem para que mais alimentos sejam produzidos sem a necessidade de expandir continuamente a fronteira agrícola. Isso reduz a pressão pela abertura de novas áreas e favorece a conservação de ecossistemas naturais. No Brasil, os ganhos de produtividade registrados nas últimas décadas permitiram ampliar significativamente a produção agropecuária sem crescimento proporcional da área cultivada.
Quanto maior a quantidade de fertilizantes, maior a produção: mito
A produtividade não depende apenas da quantidade de fertilizante aplicada. Assim como acontece na alimentação humana, tanto a deficiência quanto o excesso podem causar prejuízos. A recomendação da dosagem correta deve considerar fatores como análise do solo, necessidades da cultura e estágio de desenvolvimento da planta. O equilíbrio é o que permite maior eficiência no uso dos nutrientes, melhor desempenho das lavouras e menor risco de perdas para o meio ambiente.
A agricultura orgânica não utiliza fertilizantes: mito
Os sistemas de produção orgânica também utilizam fertilizantes. A diferença está na origem e nos tipos de insumos permitidos pelas normas da produção orgânica, que priorizam fontes como esterco, compostos orgânicos e determinados minerais naturais. Independentemente do sistema de cultivo, todas as plantas necessitam de nutrientes para crescer, completar seu ciclo e produzir alimentos.
Casarin reforça que a disseminação de informações confiáveis é fundamental para qualificar o debate sobre a produção agrícola sustentável. “Fertilizantes não são vilões, nem soluções mágicas. São ferramentas que, quando utilizadas corretamente, ajudam a garantir alimentos na mesa, renda no campo e maior preservação dos recursos naturais”, conclui.
Sobre a Nutrientes para a Vida (NPV)
A Nutrientes Para a Vida (NPV) é uma iniciativa da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), dedicada a ampliar o conhecimento da sociedade sobre o papel dos fertilizantes na produção de alimentos, na nutrição humana e na sustentabilidade ambiental. Com atuação baseada em informação técnica e científica qualificada, a NPV contribui para o debate público sobre segurança alimentar, manejo eficiente do solo e preservação dos recursos naturais, conectando o campo ao cotidiano das pessoas.
Por meio de conteúdos educativos, busca desmistificar conceitos, combater associações indevidas entre fertilizantes e outros insumos agrícolas, e reforçar a importância da reposição responsável de nutrientes para a produtividade agrícola e a qualidade dos alimentos. A iniciativa é uma extensão da fundação Nutrients for Life, que é uma organização que atua com o mesmo propósito em países como Estados Unidos e Canadá.






