Crise dos Correios foi o estopim para o encerramento das atividades da FedEx no Brasil? Entenda
Encerramento foi anunciado nesta quarta (7); crise de serviços e da falta de competitividade no setor agrava o cenário
A FedEx, gigante americana de logística presente no Brasil há mais de três décadas, anunciou nesta quarta (7) o encerramento gradual de suas operações de transporte doméstico no país, mantendo apenas os serviços internacionais e soluções de supply chain. Esta decisão, comunicada a clientes e parceiros, marca o fim de uma era para a companhia no segmento de entregas internas, com coletas previstas até 6 de fevereiro de 2026 e conclusão das entregas já contratadas dentro dos prazos estabelecidos.
Conforme nota oficial da empresa, a medida faz parte de um realinhamento estratégico para responder proativamente às dinâmicas do mercado, concentrando esforços em operações onde possui maior vantagem competitiva — especialmente remessas internacionais e serviços integrados de cadeia de suprimentos. O processo de desmobilização das operações domésticas deve se estender até junho de 2026, incluindo o fechamento de estruturas logísticas internas e desligamento de equipes ligadas ao serviço nacional.
Embora não exista nenhuma citação direta, todo o contexto geral do setor logístico brasileiro tem sido marcado por desafios significativos enfrentados pela crise dos Correios, incluindo atrasos, dificuldades operacionais e pressões financeiras, que reverberam em toda a cadeia de entregas no país.

Para o advogado Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, a decisão da FedEx reflete mais do que um movimento isolado.
“O encerramento das atividades domésticas da FedEx no Brasil expõe fragilidades estruturais no setor logístico, que vão além de uma simples estratégia empresarial. A crise de serviços e a falta de competitividade no mercado nacional, criam um ambiente onde operadores privados encontram dificuldades para manter operações com escala e rentabilidade. Soma-se a esta tempestade perfeita, o fato da FedEx ter como principal concorrente no Brasil, um player aloprado com uma marca centenária na mente de todo brasileiro, e que não tem qualquer compromisso com eficiência, dando-se ao luxo de apresentar prejuízos consecutivos, custeados pelos pagadores de impostos”.
Segundo ele, a FedEx está reposicionando sua atuação para onde tem maior previsibilidade e retorno. “Isso porque o transporte doméstico no Brasil enfrenta entraves que oneram o custo final ao cliente”.
Além do impacto competitivo, o encerramento dos serviços domésticos representa uma mudança relevante na oferta de entregas expressas no Brasil, reduzindo opções para consumidores e empresas que dependiam da ampla rede nacional da FedEx. A empresa continuará presente no país, mas com foco claro no transporte internacional e nas soluções de logística que conectam o Brasil a mercados globais — segmentos nos quais tem histórico de atuação consolidada.
O movimento da FedEx sinaliza tendências mais amplas no setor de logística brasileiro: operações domésticas de baixo retorno têm se tornado cada vez menos atraentes para grandes players internacionais em um mercado competitivo e pressionado por custos e estruturas operacionais complexas. Para Canutto, “este é um momento de reflexão para o setor e para os formuladores de políticas públicas, que precisam incentivar um ambiente mais eficiente e sustentável para o transporte e entrega de mercadorias — algo que impacta diretamente a economia e a experiência do consumidor final”.
Embora a FedEx atribua oficialmente a mudança a dinâmicas mercadológicas, o fechamento das atividades domésticas no Brasil ocorre em um contexto de desafios sistêmicos no setor de logística, no qual a crise dos Correios tem desempenhado papel indireto ao influenciar a competitividade e a estrutura de custos das operações no país.
Fonte:
Fernando Canutto – Sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, Societário e Mercado de Capitais. Pós-graduado em Direito Corporativo pelo IBMEC.
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