Efeito Priming surge como inovação científica para enfrentar o estresse climático no campo
Tecnologia prepara plantas para reagirem melhor a ondas de calor, seca e doenças em um dos períodos mais quentes da história

O ano de 2025 entrou para a história como o terceiro mais quente já registrado desde o início das medições globais e marcou o primeiro período de três anos consecutivos (2023, 2024 e 2025) em que a temperatura média do planeta superou 1,5 °C em relação à era pré-industrial. Os dados, divulgados por cientistas da União Europeia a partir do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), reforçam um alerta cada vez mais presente no cotidiano do campo brasileiro: o estresse climático deixou de ser exceção e passou a ser regra.
Ondas de calor mais longas, estiagens severas e irregularidade no regime de chuvas vêm comprometendo o desenvolvimento das lavouras em todo o país. As altas temperaturas favorecem o avanço de pragas e doenças, aceleram a perda de nutrientes, intensificam a erosão e reduzem a fertilidade do solo, impondo novos desafios à produtividade agrícola.
Diante desse cenário, ganha protagonismo um conceito avançado da biologia vegetal que começa a redefinir as estratégias de adaptação da agricultura às mudanças climáticas: o Efeito Priming. Trata-se de um mecanismo fisiológico que permite às plantas entrarem em um estado de alerta metabólico, preparando seus sistemas internos para responder de forma mais rápida, eficiente e equilibrada a estresses futuros, como seca, calor excessivo, salinidade e ataques de patógenos.
“O priming funciona como uma espécie de memória adaptativa da planta. Ela não ativa imediatamente seus mecanismos de defesa, mas fica preparada para reagir com muito mais eficiência quando o estresse ocorre, economizando energia e preservando seu potencial produtivo”, explica Alexandre Craveiro, Cientista Chefe e Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Fertsan, empresa brasileira especializada em fisioativadores.
Segundo Craveiro, a tecnologia desenvolvida pela Fertsan utiliza elicitores enzimáticos, capazes de induzir esse mecanismo adaptativo nas plantas. O resultado é um sistema radicular mais desenvolvido, maior aproveitamento de água e nutrientes do solo e melhor estruturação dos vasos condutores, tornando a planta fisicamente mais resistente e fisiologicamente mais equilibrada.
Estudos científicos indicam que o efeito priming pode gerar ganhos de produtividade entre 20% e 30% em condições de estresse, dependendo da cultura e do ambiente. Além disso, essa resposta adaptativa contribui para uma agricultura mais sustentável, ao reduzir a necessidade de defensivos químicos e melhorar a eficiência dos insumos aplicados.
Outro diferencial relevante é que, em determinadas condições, os benefícios do priming podem ser transmitidos para as sementes, ampliando o impacto positivo da tecnologia para as gerações futuras — um fator estratégico em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas.
Para a soja, cultura foco do momento no Brasil, a Fertsan desenvolveu o FT Poly Campo, produto que associa a mitigação dos danos causados pelo estresse climático ao aumento da produtividade, ao promover melhor estruturação da planta e de seus órgãos reprodutivos.
“O produto é líquido, solúvel em água e pode ser aplicado em mistura de calda, o que facilita o operacional do produtor e aumenta a eficiência de absorção dos ativos. Isso potencializa os pacotes de defensivos, nutricionais e demais insumos estratégicos”, detalha Craveiro.
Com o fechamento de 2025 entre os anos mais quentes da história, o que antes era tratado como projeção científica já se impõe como realidade no campo. Nesse contexto, tecnologias baseadas em inovação fisiológica e adaptação inteligente das plantas, como o Efeito Priming, despontam como ferramentas-chave para garantir produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar em um novo cenário climático.






