Falsificação de insumos agrícolas: indícios, riscos e como se proteger na compra

Falsificação de insumos agrícolas: indícios, riscos e como se proteger na compra

CropLife Brasil alerta cuidados para aquisição de produtos, regionalização e reforça atenção às boas práticas

alsificação de insumos agrícolas: indícios, riscos e como se proteger na compra

Com o avanço da falsificação de insumos agrícolas, produtores rurais precisam estar atentos no momento da compra tanto de defensivos como sementes. Além dos prejuízos econômicos, o uso de produtos ilegais representa riscos à produtividade, ao meio ambiente e saúde humana. Durante a safra, a etapa de compra é tão estratégica quanto o plantio e a colheita, portanto, é preciso verificar a origem e regularidade do que será utilizado no campo. Em determinados contextos regionais e climáticos, esse cenário se agrava. Ciente da realidade, a CropLife Brasil alerta para os principais cuidados na aquisição de defensivos e sementes, aponta os indícios de irregularidade e riscos, e reforça a importância da adoção de boas práticas agrícolas.

alsificação de insumos agrícolas: indícios, riscos e como se proteger na compra

Produtos agrícolas falsificados apresentam sinais que podem ser identificados pelo agricultor em diferentes etapas do processo, desde a origem até a aplicação no campo. Para ter a confirmação da procedência, o produtor rural deve observar aspectos fundamentais, como:

  • Local: soluções de origem desconhecida ou de procedência duvidosa estão entre os primeiros indicativos que aqueles insumos podem ser falsificados. É importante ressaltar que, defensivos químicos não podem ser comercializados pela internet e a compra deve ser realizada em cooperativas credenciadas e distribuidores autorizados, sempre com nota fiscal de compra e receita agronômica. A produção legal, realizada em fábricas ou biofábricas, ocorre em estabelecimentos devidamente credenciais aos órgãos federais (MAPA, Anvisa, Ibama) e estaduais (secretarias da Agricultura e agências de defesa agropecuária).
  •  Preço: valores incompatíveis com o mercado também são um sinal de alerta, no momento da compra. Defensivos agrícolas, químicos ou biológicos, cultivares ou sementes melhoradas de origens industriais têm preços compatíveis com custos de pesquisa, desenvolvimento, registro, produção e logística;
  • Embalagem: embalagens reutilizadas e manipuladas podem indicar produtos falsos ou contrabandeados. Insumos agrícolas cumprem normas de envasamento, rotulagem, armazenamento e cumprem critérios de transporte. Portanto, devem apresentar selo de segurança, lacre de inviolabilidade, rótulo com as devidas identificações de origem, bula e produto interno original. No Brasil é obrigatório que as informações estejam em português;

“A verificação da autenticidade pode ser feita de várias maneiras, como: uso aplicativos disponibilizados pelos fabricantes ou baixados gratuitamente em lojas virtuais como playstore; consulta ao Sistema AGROFIT no site do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA); contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) das empresas fabricantes, cujos canais estão disponíveis nos rótulos dos produtos”, orienta o gerente de Combate a Produtos Ilegais da CropLife Brasil, Nilto Mendes.

Foto: Vinícius Mendonça/ Ibama

Produtos agrícolas falsificados oferecem riscos à sustentabilidade da lavoura, ao meio ambiente e à saúde do consumidor. Estar atento aos primeiros sinais de irregularidades auxilia o produtor rural a evitar perdas durante o plantio da safra ou colheita, além de contribuir para a segurança do consumidor, trabalhador e moradores de regiões agrícolas, conforme exige a legislação.

De acordo com a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), cerca de 30% do mercado de sementes é de origem desconhecida. O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) estima que 25% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil seja ilegal. “Quando olhamos para os dados, o principal impacto para o campo está na insegurança produtiva. Produtos sem procedência confiável geram incerteza quanto à eficiência no controle de pragas, doenças e plantas daninhas, o que pode comprometer o desempenho da lavoura e a previsibilidade dos resultados”, analisa o diretor de Químicos da CropLife Brasil, Arthur Gomes.

Estudo da entidade em 2025, realizado em parceria com a Céleres Consultoria, apontou que a pirataria de sementes de soja no Brasil gera perdas de cerca de R$ 10 bilhões ao ano para agricultores, indústria de sementes, setor de processamento de grãos e exportações. A estimativa é que as sementes ilegais ocupem 11% de área plantada da cultura no país. No Rio Grande do Sul, o percentual pode ser quase o triplo da média nacional (28%), o que acende ainda mais o alerta na região.

No caso dos defensivos agrícolas, levantamento do Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP) apontou perdas de R$ 21 milhões com a pirataria e o contrabando no Brasil em 2022.

Regionalização

problema do mercado ilegal no campo tende a se agravar quando combinado às condições ambientais dos diferentes biomas e às pressões climáticas específicas de cada região, conforme a variação do calendário de plantio. A depender da cultura e do estado, essas particularidades regionais abrem espaço para a atuação de negócios ilícitos, como a falsificação e o contrabando de insumos agrícolas.

Um exemplo recente é o aumento da incidência de ferrugem asiática no Sul do Brasil. Em janeiro deste ano, o “Programa de Monitoramento da Ferrugem Asiática da Soja” no Rio Grande do Sul, conduzido pela Emater-RS, emitiu alerta para a alta predisposição climática para a ocorrência da doença no estado, após aumento da presença de esporos registrado em dezembro de 2025. Nesse contexto, produtos adulterados ou comercializados a preços inferiores aos de mercado passam a ser apresentados aos produtores rurais como suposta alternativa de controle.

O risco, nesses casos, é evidente: o produtor que investiu em sementes, preparo do solo e manejo pode comprometer toda a safra ao utilizar um produto sem procedência confiável, adquiridos fora da rede credenciada. Em vez de vantagem econômica, a escolha pode resultar em perdas produtivas expressivas e impactos financeiros ainda maiores.

Um dos caminhos para se proteger da falsificação e outras formas de ilegalidade no campo é por meio da adoção de boas práticas agrícolas, tema de campanha permanente da CropLife Brasil. A ideia é levar informações técnicas para todas as etapas da produção agropecuária, que inclui capacitação sobre o uso correto de insumos e cumprimento das recomendações técnicas na produção, processamento e transporte.

No apoio ao combate à pirataria de sementes e à falsificação de agrotóxicos, a CLB mantém ativo canal de denúncias, complementar ao dos órgãos fiscalizadores, para receber informações sobre produtos ilegais. As denúncias, que podem ser anônimas, são endereçadas pela associação e encaminhadas para as autoridades públicas. A busca direta pelas empresas fabricantes também é um meio de checagem.

Além disso, a CropLife Brasil apoia as iniciativas das autoridades estaduais e federais de investigar, ou mesmo fiscalizar preventivamente, ações desenvolvidas no mercado de insumos agrícolas ilegais. O controle de informações pelos órgãos reguladores permitirá maior assertividade nas políticas de combate.

Legislação

Os produtos agrícolas brasileiros são regidos por um conjunto de leis, que disciplinam sua pesquisa & desenvolvimento, produção, registro, comercialização, uso e fiscalização. Dentre elas, estão a Lei dos Agrotóxicos (Nº 14.785/2023), a Lei dos Bioinsumos (Nº 15.070/24), Lei de Proteção de Cultivares (Nº 9.456/1997), Lei dos Fertilizantes (Nº 6.894/1980), entre outras. Além de regulamentar os insumos, essas normas também são responsáveis pela garantia das proteções à cultura agrícola, à saúde humana e ao meio ambiente.

O descumprimento configura ilegalidade, compromete a rastreabilidade do produto e expõe o agricultor a riscos agronômicos, ambientais e legais. No Brasil, produtores que falsificam ou adquirem produtos falsificados estão sujeitos a responsabilização criminal.

 

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