FETCESP traz um raio-x do primeiro semestre e alerta para novos desafios do transporte de cargas na segunda metade de 2026
Mudanças regulatórias, pressão sobre custos e debates trabalhistas devem continuar exigindo planejamento estratégico das transportadoras nos próximos meses

O mês de junho tende a consolidar uma máxima vista em todo o primeiro semestre de 2026, um ambiente de maior complexidade para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Responsável por aproximadamente 65% da movimentação de cargas no país, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o modal precisou se adaptar simultaneamente a mudanças regulatórias, pressão sobre custos, exigências crescentes de conformidade documental e escassez de mão de obra, ampliando os desafios para manutenção da eficiência e da competitividade.
Entre os principais movimentos observados no período estão as novas exigências relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), as alterações no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e o avanço dos mecanismos de fiscalização eletrônica. Na avaliação da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), essas mudanças exigiram investimentos em tecnologia, revisão de processos internos e fortalecimento dos controles operacionais.
“O primeiro semestre mostrou que o desafio das transportadoras deixou de ser apenas operacional. Hoje, as empresas precisam acompanhar um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico, investir em tecnologia, reforçar controles internos e manter capacidade de adaptação rápida para preservar eficiência e competitividade”, afirma Carlos Panzan, presidente da FETCESP.
Além das adequações regulatórias, o setor continua enfrentando desafios estruturais. O diesel, que chegou a acumular alta de 19% em março, permanece como um dos principais componentes do custo operacional das empresas, representando entre 35% e 50% do valor do frete, podendo superar 70% em algumas operações. Ao mesmo tempo, levantamento da NTC&Logística apontou uma defasagem média de 10,1% no frete rodoviário no início de 2026, ampliando a pressão sobre as margens das transportadoras.
Na visão da FETCESP, os primeiros seis meses do ano evidenciaram que a adaptação regulatória deixou de ser uma questão pontual e passou a fazer parte da rotina estratégica das empresas. A avaliação da entidade, para o segundo semestre, é que os principais desafios tendem a se concentrar em questões estruturais ligadas ao ambiente econômico, político e trabalhista.
Entre os temas que mais preocupam o setor está a discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho. Estudo encomendado pela CNT estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais poderá elevar em 8,66% os custos com mão de obra no setor de transporte, gerando impacto anual de aproximadamente R$ 11,9 bilhões.
O levantamento aponta ainda que, para manter os atuais níveis de operação e atendimento, seria necessária a contratação de cerca de 240 mil novos trabalhadores em todo o setor. O cenário preocupa especialmente o Transporte Rodoviário de Cargas, que já enfrenta dificuldades para preencher vagas de motoristas profissionais, com um déficit estimado de mais de 100 mil motoristas, além de outros cargos operacionais.
“Estamos diante de uma discussão que exige equilíbrio. O transporte de cargas é uma atividade essencial para o abastecimento da economia e qualquer mudança estrutural precisa considerar seus impactos sobre custos, produtividade e capacidade de atendimento”, avalia Panzan.
Além das discussões trabalhistas, as transportadoras acompanham com atenção o ambiente político e econômico do país, especialmente diante do calendário eleitoral e dos preparativos para a implementação gradual da Reforma Tributária.
“A tendência é que o segundo semestre continue exigindo elevado nível de planejamento e capacidade de adaptação das empresas. O setor precisa de previsibilidade para investir, organizar operações e manter competitividade. Quanto maior a estabilidade regulatória e o diálogo entre poder público e setor produtivo, maiores serão as condições para que as transportadoras continuem operando com eficiência e segurança”, destaca Panzan.
Diante desse cenário, a FETCESP reforça a importância do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas como ferramenta para acompanhar as expectativas dos empresários em relação ao ambiente econômico, regulatório e às perspectivas do setor para os próximos meses.
“Estamos diante de um cenário marcado por mudanças regulatórias, pressão sobre custos e desafios relacionados à mão de obra e à competitividade. Quanto mais empresas participarem da pesquisa, mais qualificado será o diagnóstico sobre a realidade do transporte de cargas. Esse conhecimento é fundamental para subsidiar debates, orientar ações institucionais e fortalecer a representação do setor diante dos desafios que se apresentam para os próximos meses”, finaliza, o presidente da FETCESP.
Sobre a FETCESP
A Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo foi fundada em 1989 com a finalidade de representar o Transporte Rodoviário de Cargas no Estado de São Paulo junto às autoridades em todos os níveis das administrações pública e privada federal e estadual. Por isso, atua como órgão técnico e consultivo no estudo de soluções de questões ligadas ao transporte.
A Federação mantém comissões de trabalho formadas por empresários e assessorias jurídica e técnica especializadas. Os grupos participam de discussões sobre infraestrutura dos transportes, privatização das rodovias, terminais de cargas, tributos nas empresas de transportes, política trabalhista, acidentes no trabalho, roubo e desvio de cargas, multimodalidade, poluição veicular, legislação de trânsito e transporte de produtos químicos (perigosos), entre outros temas.






