Fim do “quanto mais água, melhor”: o excesso está acabando com a lucratividade e produtividade das lavouras irrigadas.

Fim do “quanto mais água, melhor”: o excesso está acabando com a lucratividade e produtividade das lavouras irrigadas.

Fim do "quanto mais água, melhor”: o excesso está acabando com a lucratividade e produtividade das lavouras irrigadas.

A iCrop Nebraska-USA comprova o erro deste mito.

Estudos recentes demonstram que o excesso de irrigação não se traduz em ganho de produtividade; pelo contrário, pode agravar os prejuízos. Em um levantamento com 11 propriedades nos EUA, apenas três fecharam a safra com lucro. Os resultados indicam que a rentabilidade final está diretamente atrelada à precisão no momento da rega e à coordenação eficiente entre a irrigação e o regime de chuvas.

A decisão de acionar os sistemas de irrigação frequentemente se baseia na tentativa de mitigar riscos agronômicos. O mercado brasileiro ainda adota práticas preventivas que resultam no uso excessivo de recursos hídricos e energéticos. Identificamos no setor metodologias que recomendam volumes elevados de água especificamente para evitar o risco de falhas no desenvolvimento da cultura. Essa abordagem eleva os custos operacionais, desperdiça insumos e não entrega o retorno financeiro correspondente ao produtor.

O impacto da gestão de irrigação na produtividade e lucratividade foi validado em um estudo conjunto com pesquisadores da Universidade de Nebraska-Lincoln. Os resultados foram apresentados no CANVAS 2025, em Seattle, um dos principais eventos globais de ciências agrárias e meio ambiente. Paralelamente, as soluções da iCrop passaram por avaliações de campo em uma renomada competição agronômica no Nebraska, o UNL-TAPS 2025.

Em ambos os contextos, a análise técnica das áreas avaliadas mostra que o fator decisivo para o incremento da margem de lucro foi a assertividade e exatidão do calendário de irrigação. Culturas irrigadas com lâminas totais menores, mas com aplicações realizadas no estágio fisiológico adequado e em sincronia com os eventos de precipitação natural, apresentaram os melhores índices de rentabilidade.

Desse modo, a aplicação de lâminas de água superdimensionadas ilustra claramente o princípio dos retornos marginais decrescentes nas lavouras, em que o excesso de irrigação não gera ganhos proporcionais na colheita e serve apenas para elevar os custos operacionais. O manejo hídrico de excelência, portanto, exige a integração de tecnologias de suporte à decisão para identificar a demanda exata da cultura. O objetivo é garantir que cada evento de irrigação proteja a eficiência no uso de insumos e a margem financeira da operação, evitando gastos que não se pagam.

Então, para comprovar essa dinâmica no mundo real, utilizamos os dados oficiais do UNL-TAPS 2025 (Testing Ag Performance Solutions), um programa da Universidade de Nebraska que testou decisões de manejo em escala comercial, do qual a iCrop participou como uma das opções de ferramenta para gestão de irrigação. Na categoria de Milho de Grau Alimentício (Food Grade Corn), a desconexão entre o alto volume de irrigação e a geração de lucro ficou matematicamente evidente.

Abaixo, consolidamos o contraste entre o uso de insumos, a produtividade alcançada e o resultado financeiro final das principais estratégias observadas:

Fim do "quanto mais água, melhor”: o excesso está acabando com a lucratividade e produtividade das lavouras irrigadas.

Fonte: Relatório oficial UNL-TAPS 2025 – University of Nebraska.

O caso da Fazenda 5 demonstra que o manejo guiado por dados supera a irrigação preventiva. Utilizando a plataforma de monitoramento da iCrop, a operação aplicou a menor lâmina de água entre todos os competidores da categoria. A precisão na definição do momento de irrigar garantiu a marca mais alta de produtividade da competição e o maior lucro líquido.

Em contraste, a Fazenda 7 adotou a abordagem do “excesso preventivo”. A aplicação de 13,5 polegadas (342 mm) de água e altíssimas taxas de nitrogênio não se converteu em teto produtivo. A área colheu 30 bushels (aproximadamente 31,5 sacas/ha) a menos que a Fazenda 5, e o custo operacional dessa estratégia resultou no pior prejuízo da competição.

A Fazenda 10 exemplifica que produzir mais também exige controle rigoroso de custos: obteve a segunda maior produtividade geral, mas os gastos com a produção a levaram a um cenário de perda financeira.

A dinâmica observada a campo é cientificamente validada por uma pesquisa recente apresentada no evento CANVAS 2025 em Salt Lake City, Utah. Este estudo avaliou o desempenho da iCrop® como uma ferramenta de apoio à decisão para otimizar o uso da água sem comprometer a produtividade. Um experimento de campo foi conduzido em 2025 em North Platte, Nebraska, sob um sistema de pivô central, comparando quatro estratégias de irrigação: (1) uma taxa fixa de 25 mm por semana, (2) irrigação variável baseada nas recomendações do iCrop, (3) recomendação do iCrop menos 25% e (4) recomendação do iCrop mais 25%.

Os resultados confirmam: o momento (timing) é tudo. A estratégia guiada pelo modelo iCrop utilizou menos água no total (167,6 mm contra 187,9 mm do cronograma fixo), mas entregou uma eficiência no uso da água de irrigação quase duas vezes superior. Mais revelador ainda sobre o custo do excesso: o tratamento que aplicou 25% a mais de água obteve a pior eficiência de todo o experimento. O estudo comprovou que adicionar mais água do que a planta necessita não é apenas um desperdício de recursos, mas um fator totalmente contraproducente.

Os dados de colheita do experimento ilustram perfeitamente como o excesso de irrigação prejudica o rendimento físico da lavoura. Ao comparar o volume aplicado na recomendação da iCrop (167,6 mm) com a estratégia de excesso (232,4 mm), os resultados apontaram uma queda substancial de produtividade:

No milho de baixa estatura (Short Corn): A área manejada pela recomendação da iCrop obteve 240,3 sc/ha (229,7 bu/ac). Já o tratamento que recebeu 25% a mais de água viu a sua produtividade despencar para 200,3 sc/ha (191,5 bu/ac). Isso significa que a supersaturação causou uma perda de 40,0 sacas por hectare (38,2 bu/ac). Ironicamente, a área com excesso de água produziu até menos do que o tratamento submetido a déficit hídrico, que colheu 216,5 sc/ha (207,0 bu/ac).

No milho de estatura regular (Regular Corn): A tendência se confirmou, com a recomendação da iCrop liderando com 242,9 sc/ha (232,2 bu/ac), enquanto o tratamento de excesso hídrico entregou apenas 224,9 sc/ha (215,0 bu/ac), uma redução de 18,0 sacas por hectare (17,2 bu/ac).

Esses resultados comprovam que a tentativa de forçar o teto produtivo aplicando mais água do que o modelo agronômico indica não funciona. A irrigação em excesso não apenas reduz a lucratividade pelos altos custos de operação, mas atua como um limitante fisiológico, diminuindo a quantidade de sacas colhidas no final da safra.

Para gestores do agronegócio, o ajuste na estratégia requer o abandono do foco no volume total de água aplicado. O planejamento diário deve utilizar dados consolidados para que o sistema de irrigação funcione de forma complementar ao regime de chuvas. O objetivo prático é garantir que o investimento financeiro na operação hídrica retorne em toneladas colhidas por hectare, otimizando o custo de produção.

Fontes:

FERREIRA CAETANO, M. L.; SOUSA FERREIRA, V. de; VELHO, V.; DALL AGNOL, R.; CAIXETA BITENCOURT, L. F.; FERREIRA QUARATINO, V.; PROCTOR, C. A. Model-Based Irrigation Scheduling for Sustainable Nebraska Corn: [Abstract]. In: CANVAS 2025, Salt Lake City. Anais […]. Salt Lake City: SciSoc, 2025. Disponível em: https://scisoc.confex.com/scisoc/2025am/meetingapp.cgi/Paper/170433. Acesso em: 18 mar. 2026.

UNIVERSITY OF NEBRASKA-LINCOLN. 2025 UNL-TAPS Farm Management Competition Report: Overview, results and initial analysis for the 2025 University of Nebraska-Lincoln (UNL) Testing Ag Performance Solutions (TAPS) Farm Management Competitions. Disponível em: https://uofnebraska.sharepoint.com/sites/UNL-TAPS/Shared%20Documents/Forms/AllItems.aspx?id=%2Fsites%2FUNL-TAPS%2FShared%20Documents%2FPublic%2F2025%20TAPS%2F2025%20UNL-TAPS%20Report%5FWeb%5FV04%2Epdf&parent=%2Fsites%2FUNL-TAPS%2FShared%20Documents%2FPublic%2F2025%20TAPS&p=true&ga=1. Acesso em: 19 mar. 2026.

 

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