Forrageiras de genética superior podem aumentar a produtividade e a eficiência na cultura de grãos

Forrageiras de genética superior podem aumentar a produtividade e a eficiência na cultura de grãos
Estudos conduzidos por UNESP, UEM e GAPES ICT avaliam o papel da braquiária híbrida Mavuno em sistemas com milho e soja, cobertura do solo e manejo de nematoides 
 Forrageiras de genética superior podem proteger produtividade e ampliar eficiência na cultura de grãos

Produzir palhada já não é suficiente para definir a escolha de uma forrageira em sistemas agrícolas. Características como velocidade de estabelecimento, capacidade de acumular biomassa sem competir com a cultura principal, comportamento do sistema radicular e efeitos sobre o solo e a cultura implantada na sequência começam a ganhar peso na decisão do produtor. Nesse cenário, a genética da forrageira passa a ser considerada uma aliada capaz de ampliar a eficiência da área ao longo de diferentes etapas da produção.

Resultados recentes obtidos em três frentes de pesquisa com a braquiária híbrida Mavuno ajudam a demonstrar essa mudança. Os trabalhos avaliaram seu comportamento no consórcio com milho, como cobertura antes da soja e diante do nematoide das lesões radiculares. Em conjunto, mostram que materiais com características agronômicas específicas podem entregar funções diferentes dentro de um mesmo sistema de produção.

“Uma braquiária de qualidade precisa fazer mais do que produzir massa. É preciso entender como ela entra no sistema, como se comporta junto com a cultura comercial, o que permanece depois da colheita e quais outros benefícios pode proporcionar ao produtor”, afirma Alexander Wolf, CEO da Wolf Seeds, responsável pelo desenvolvimento do Mavuno.

Mais grãos

Um dos exemplos está no consórcio com milho. Estudo realizado na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em Jaboticabal, comparou o milho solteiro ao cultivo consorciado com Mavuno e com Urochloa ruziziensis.

O milho cultivado com Mavuno manteve produtividade estatisticamente equivalente à do milho solteiro. Já no consórcio com ruziziensis houve redução de aproximadamente 13% na produção de grãos. Na comparação direta, o sistema com Mavuno produziu 1.332 quilos de grãos de milho a mais por hectare em relação ao consórcio com ruziziensis, diferença próxima de 22 sacas.

Segundo o trabalho, uma das explicações está no desenvolvimento inicial mais equilibrado da braquiária híbrida, reduzindo a competição por luz, água e nutrientes justamente no período em que o milho estabelece seu potencial produtivo. Depois dessa fase, o material mantém capacidade elevada de formação de biomassa: em cultivo exclusivo, foram 14,28 toneladas de matéria seca por hectare, ante 9,60 t/ha da ruziziensis.

“Hoje, o produtor precisa pensar em um sistema que preserve a produção de grãos do milho e, ao mesmo tempo, entregue benefícios para o solo e para a produção de forragem. Esse estudo mostra que uma planta de cobertura pode cumprir sua função sem necessariamente comprometer a cultura principal no momento mais crítico para a definição da produtividade”, explica Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds.

Contribuição na safra seguinte

Forrageiras de genética superior podem proteger produtividade e ampliar eficiência na cultura de grãos Forrageiras de genética superior podem proteger produtividade e ampliar eficiência na cultura de grãos
Mavuno como cobertura para a soja: experimento registrou 83,7 sacas por hectare, 6,6 sacas acima da referência

O impacto da forragem de qualidade na produtividade continua mesmo depois que a cobertura encerra seu ciclo. Em experimento conduzido pelo GAPES ICT, em Rio Verde (GO), a soja semeada após diferentes coberturas apresentou respostas distintas de produtividade.

No tratamento com Mavuno foram colhidas 83,7 sacas de soja por hectare, 6,6 sacas acima da referência, de 77,1 sc/ha. O Mix de Cobertura da Wolf Seeds, que inclui Mavuno, crotalária, nabo forrageiro, milheto BRS 1501 e feijão-guandu, chegou a 85,2 sc/ha, incremento de 8,1 sacas por hectare.

O estudo também mostrou que produzir mais biomassa, isoladamente, não significou necessariamente maior produtividade da soja. Tratamentos com maior quantidade de matéria seca não foram os que resultaram nos melhores rendimentos da cultura seguinte.

Para Pontes, o dado reforça a necessidade de avaliar a forrageira pelo conjunto de características. “Quando falamos em uma braquiária de qualidade, não estamos falando apenas de quanto de massa ela produz. É preciso olhar para o sistema de forma ampla, inclusive como aquela cobertura pode contribuir para a cultura seguinte.”

Raiz também entra na escolha

Uma terceira linha de trabalho amplia a avaliação das forrageiras na agricultura para o que acontece no solo. Pesquisa conduzida pela Araucária Soluções Agronômicas em parceria com a Universidade Estadual de Maringá (UEM) avaliou o comportamento de diferentes materiais diante de Pratylenchus brachyurus, nematoide associado a lesões radiculares.

Nas condições do experimento, o Mavuno apresentou redução de 65,83% na população do nematoide e de 93,79% na densidade por grama de raiz. Embora os resultados não signifiquem que a utilização da braquiária substitua medidas específicas de controle, eles indicam que seu uso pode contribuir dentro de estratégias de manejo do nematoide Pratylenchus brachyurus, e que o comportamento diante de organismos que afetam o sistema radicular também deve ser considerado na escolha da cobertura dentro de um programa integrado de manejo.

“Esse resultado é particularmente importante porque mostra que não é apenas uma questão de formar palhada. O comportamento das raízes e a interação da forrageira com organismos presentes no solo também precisam entrar nessa decisão”, acrescenta o engenheiro.

Genética como parte da estratégia

Os resultados dos estudos sugerem mudança na forma de avaliar as forrageiras. Preço da semente ou mesmo o volume de palhada produzido são fatores que se somam à capacidade de cada cultivar de cumprir diferentes funções no sistema produtivo, sem comprometer a rentabilidade da cultura principal.

“Uma braquiária de qualidade precisa proteger o solo, produzir biomassa, se encaixar no sistema de produção e, quando os dados mostram essa possibilidade, contribuir para outros objetivos de manejo. O principal, no fim das safras, é seu poder de colocar mais dinheiro no bolso do produtor”, conclui o CEO da Wolf.

Wolf Sementes 
Com sede em Ribeirão Preto (SP), a Wolf Sementes contribui há 50 anos com a pecuária nacional e internacional. Apoiada fortemente no controle de qualidade e gestão, a Wolf Sementes foi pioneira do segmento de pastagem a obter em 2008 a certificação de qualidade ISO 9001. A empresa é associada às principais entidades dos setores onde atua, como Unipasto e ABCZ. Com atuação em todo território nacional, também exporta para mais de 65 países.

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