Irrigação gera produtividade e empregos no Brasil, aponta estudo inédito da ABIMAQ e USP/ESALQ
Levantamento mostra que polos irrigados na Bahia, em Minas Gerais, no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul concentram menor vulnerabilidade social e PIB per capita até 256% superior aos demais municípios rurais em seus estados

Um estudo inédito conduzido pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) em parceria com o GPP/USP/ESALQ (Grupo de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”), revela que a expansão da agricultura irrigada em polos de irrigação na Bahia, em Minas Gerais, no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul pode aumentar a produtividade média das lavouras temporárias, gerar empregos no meio rural e aumentar o valor adicionado bruto da agropecuária. Esses resultados integram um estudo mais amplo, que será lançado oficialmente no fim de maio..
Estudo da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico)[1] apontou áreas equipadas para irrigação de 8,2 milhões de hectares, as quais podem crescer mais de cinco vezes com a incorporação de 55,85 milhões de hectares, sendo aproximadamente 48% ocupadas por pastagens.
“Com evidências robustas e impacto mensurável, o estudo indica que a agricultura irrigada tende a ganhar ainda mais importância diante dos desafios climáticos e produtivos, ampliando a eficiência no campo e contribuindo para reduzir desigualdades regionais. A avaliação é que, com políticas públicas adequadas e planejamento, a tecnologia pode ganhar escala no país e ajudar o produtor a produzir mais com segurança, mesmo diante das variações climáticas”, afirma Luiz Paulo Heimpel, Vice-presidente da CSEI (Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da ABIMAQ)
O estudo analisou sete polos regionais com forte presença de irrigação.
Os resultados mostram que polos de irrigação oferecem remunerações significativamente mais altas do que os demais municípios rurais. Na Bahia, por exemplo, os rendimentos são, em média, 68,6% superiores. Em Minas Gerais, o ganho chega a 42,85%, enquanto no Rio Grande do Sul e Mato Grosso os aumentos são de 11,96% e 8,13%, respectivamente.
Além da renda, as diferenças de desenvolvimento dos polos de irrigação se estendem à qualidade de vida. Os polos irrigados apresentam menor dependência de programas de transferência de renda. No Mato Grosso, por exemplo, o percentual de beneficiários é cerca de 50% menor em relação aos demais municípios rurais.
No campo econômico, o PIB per capita dos polos de irrigação chega a ser até 256% maior do que o registrado nos demais municípios rurais. Em Mato Grosso, esse valor ultrapassa R$ 182 mil, um dos maiores níveis observados no estudo.
Impacto direto na economia
As simulações indicam que a expansão da irrigação nos polos analisados gera efeitos imediatos e duradouros. Cada incorporação de 1.600 hectares irrigados pode elevar o valor adicionado bruto da agropecuária em R$ 8,27 milhões no curto prazo, com geração de empregos formais. No longo prazo, esse impacto pode alcançar quase R$ 14 milhões.
Agenda estratégica
Apesar do potencial, o avanço da irrigação no Brasil depende de uma agenda coordenada de políticas públicas e ação privada. O estudo aponta quatro pilares para viabilizar essa expansão:
1 – Acesso à energia competitiva;
2 – Formação de mão de obra qualificada;
3 – Gestão eficiente dos recursos hídricos;
4 – Ampliação da conectividade no campo.
Na avaliação dos pesquisadores, a irrigação deve ser tratada como um componente estruturante da política agrícola e da estratégia de segurança alimentar do país.
“A irrigação traz previsibilidade para o produtor, reduz riscos e melhora a produtividade. Os dados mostram que seus efeitos vão além da produção, com impacto direto na renda e no desenvolvimento das regiões”, finaliza Luiz Paulo Heimpel.






