Modernização das obras públicas: realidade no exterior, sonho no Brasil

Modernização das obras públicas: realidade no exterior, sonho no Brasil

Modernização das obras públicas: realidade no exterior, sonho no Brasil

*Por Fernando Scheffer, Fundador e Diretor de Marketing da Espaço Smart

A necessidade de modernizar o setor da construção tem sido discutida em diferentes partes do mundo, especialmente quando o tema é a realização de obras públicas. Esse debate ganha força em um momento em que o setor enfrenta problemas de produtividade nos canteiros ao redor do mundo, visto que estamos em meio ao maior apagão de mão de obra já visto. Para se ter uma ideia, um levantamento da Fundação Getúlio Vargas aponta que 82% das empresas da construção têm dificuldade para contratar novos trabalhadores, e esta é uma questão que impacta todos os próximos passos de uma obra: com menos trabalhadores, o prazo de entrega se estende, e com isso, aumentam também o custo das construções.

Nesse contexto, diversos governos passaram a incorporar a construção industrializada como parte de suas políticas de infraestrutura e habitação. Estudos da FGV Ibre apontam que métodos construtivos industrializados trazem vantagens importantes, como redução dos prazos de execução das obras, menor necessidade de mão de obra no canteiro, maior controle de custos, diminuição de resíduos, melhor desempenho das edificações e menor impacto ambiental.

Em projetos financiados com recursos públicos, esses benefícios se tornam ainda mais relevantes. Obras públicas exigem transparência, previsibilidade de custos e cumprimento rigoroso de prazos, fatores que podem ser diretamente favorecidos pela industrialização da construção. Ao reduzir variáveis típicas do canteiro, como interferências climáticas, improvisos ou retrabalhos, esse modelo tende a proporcionar cronogramas mais confiáveis e maior controle sobre a execução das obras.

Neste formato, em vez de concentrar praticamente todo o processo produtivo no canteiro de obras, parte significativa da construção passa a ser realizada em ambientes industriais, onde componentes são produzidos com maior agilidade, controle de qualidade e precisão. Esse modelo, combinado com ferramentas digitais de projeto e planejamento, permite reduzir desperdícios, aumentar a previsibilidade e acelerar a execução das obras.

Reino Unido, Japão, Suécia, Alemanha e Singapura são frequentemente citados como referências na adoção de sistemas construtivos industrializados em obras públicas. Em muitos desses casos, a industrialização foi incentivada por políticas governamentais que estimulam métodos mais modernos de produção no setor. No Reino Unido, por exemplo, diretrizes ligadas aos chamados Modern Methods of Construction passaram a incentivar o uso de soluções industrializadas em projetos financiados com recursos públicos. Já Singapura criou programas de incentivo e metas de adoção para sistemas construtivos industrializados, especialmente em habitação.

Programas habitacionais de grande escala

A industrialização também tem sido aplicada em programas habitacionais de grande escala, com o objetivo de  reduzir déficits ao redor do mundo. A produção de componentes em fábrica, aliada à montagem rápida no canteiro, permite aumentar significativamente o volume de unidades construídas sem comprometer qualidade ou controle de custos. Em países europeus e asiáticos, esse modelo já faz parte de políticas habitacionais estruturadas.

No Brasil, esse movimento ainda está em fase de transição. Nos últimos anos, houve avanços importantes na adoção de sistemas construtivos industrializados, como steel frame e wood frame, impulsionados principalmente por iniciativas privadas e pelo avanço tecnológico do setor. Segundo dados da Sondagem da Construção em Sistemas Industrializados, elaborada pela FGV Ibre, 64,5% das empresas do setor já aplicam a construção industrializada em algum nível de seus processos. Ainda com base na pesquisa, o segmento residencial representa cerca de 50% dessas obras.

Ainda assim, os métodos tradicionais continuam predominando, especialmente nas obras públicas. Parte desse cenário está relacionada a barreiras culturais, regulatórias e estruturais. Além da resistência ou falta de familiaridade técnica, processos de licitação e marcos normativos muitas vezes não acompanham a velocidade das inovações no setor da construção.

A experiência internacional mostra que a transformação do setor raramente acontece apenas por iniciativa do mercado. Na maioria dos casos, essa mudança foi acompanhada por políticas públicas, programas de incentivo à inovação e adaptação dos marcos regulatórios, permitindo a adoção de novos métodos construtivos. Em um momento de déficit habitacional de mais de 5 milhões de moradias no Brasil, trazer essa discussão para o país é fundamental. Ampliar a industrialização da construção pode contribuir para aumentar a produtividade do setor, melhorar a previsibilidade de obras públicas e ampliar a capacidade do país de executar projetos de infraestrutura e habitação em escala.

Confira os produtos da loja!
LOJAEAEMAQ.COM.BR
Clique para ver peças, kits e novidades na Loja EaeMaq.

Deixe seu comentario

Ultimas Noticias

Categorias

Fique por dentro das novidades

Inscreva-se para receber novidades em seu Email, fique tranquilo que não enviamos spam!

Deixe seu Email para acompanhar as novidades