Nova lógica do manejo da cana antecipa decisões diante dos extremos climáticos
Especialista da ICL explica por que o período que antecede a estiagem passou a ser estratégico para preservar produtividade e qualidade da matéria-prima

A intensificação dos eventos climáticos extremos tem mudado a forma como a agricultura brasileira se prepara para cada safra. Ondas de calor mais frequentes, períodos de estiagem prolongados e chuvas cada vez mais irregulares tornam o ambiente de produção menos previsível e exigem decisões mais antecipadas no campo.Relatórios recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontam que a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos tendem a aumentar em diversas regiões do planeta, cenário que também vem sendo observado no Brasil por instituições como o Cemaden. Na cana-de-açúcar, essa realidade tem levado produtores a rever o manejo da pré-seca, etapa que vem ganhando importância para preservar o potencial produtivo da cultura antes da chegada do estresse hídrico.
Se antes esse período era tratado principalmente como uma janela operacional do calendário agrícola, hoje especialistas o consideram estratégico para preparar a planta antes da combinação de falta de chuva, altas temperaturas e excesso de radiação solar, fatores que comprometem o crescimento dos colmos e o acúmulo de sacarose.”A produtividade que será colhida meses depois começa a ser construída antes mesmo de a seca se instalar. Esperar os primeiros sinais de estresse para agir significa, muitas vezes, perder parte do potencial produtivo da lavoura”, afirma Maria Gabriela Lanza, gerente de Produtos Foliares da ICL.
Segundo a especialista, durante a transição entre o período chuvoso e a estiagem, a cana passa por importantes alterações metabólicas. O crescimento vegetativo desacelera gradualmente, a absorção de água e nutrientes se torna mais limitada e a planta passa a direcionar parte de sua energia para mecanismos de proteção contra os estresses ambientais. Quanto mais preparada estiver nesse momento, maiores são as chances de manter a produção de biomassa e o acúmulo de sacarose ao longo dos meses seguintes.
Maria Gabriela destaca que um dos principais desafios é justamente o fato de que as perdas provocadas pelo estresse hídrico nem sempre são percebidas imediatamente. “Grande parte dessas perdas acontece de forma silenciosa, à medida que a atividade metabólica da planta diminui. Muitas vezes, o produtor só percebe esse impacto na colheita, quando já não há como recuperar o potencial produtivo perdido.”
Essa nova lógica também altera a forma de avaliar o desempenho da lavoura. Se durante muitos anos o principal indicador perseguido foi o ATR (Açúcar Total Recuperável), hoje cresce a preocupação em maximizar a produção de açúcar por hectare, indicador que combina produtividade agrícola e qualidade industrial.
“Não basta buscar maior concentração de açúcar se isso ocorrer às custas da perda de biomassa. O melhor resultado econômico é alcançado quando a planta consegue manter sua atividade fisiológica por mais tempo, preservando tanto a produtividade agrícola quanto a qualidade tecnológica”, explica.
Outra mudança importante está na tomada de decisão. Em vez de seguir exclusivamente o calendário, produtores e técnicos passam a considerar indicadores fisiológicos da cultura, condições climáticas e o potencial produtivo de cada área. Em um cenário de maior variabilidade climática, antecipar o manejo tornou-se uma estratégia para reduzir riscos e aumentar a estabilidade da produção.
Dentro dessa abordagem, tecnologias voltadas ao fortalecimento metabólico das plantas vêm ganhando espaço como aliadas na preparação da cultura antes da instalação do estresse hídrico. Entre elas estão soluções que combinam bioestimulação e nutrição foliar para favorecer a eficiência fisiológica da planta e aumentar sua resiliência durante o período seco.
Em avaliações conduzidas pela ICL em 22 áreas comerciais, a tecnologia Concorde® apresentou ganho médio de 13,2 toneladas de cana por hectare, com incrementos superiores a 30 toneladas em alguns ambientes produtivos. Quando associada ao Translok Air®, voltada ao fortalecimento fisiológico da cultura, o manejo também apresentou ganhos na produção de açúcar por hectare.
“O maior erro é esperar a seca chegar para agir. Em um cenário climático cada vez mais desafiador, preparar a planta antes da instalação do estresse deixou de ser apenas uma prática de manejo e passou a ser uma estratégia para preservar produtividade, qualidade e rentabilidade“, conclui Maria Gabriela.
Mitos e verdades sobre o manejo da pré-seca
Mito: a seca, sozinha, garante uma boa maturação da cana.
Verdade: sem preparo prévio, a planta pode concentrar açúcar, mas perder biomassa e produtividade.
Mito: quanto antes realizar o manejo, melhor.
Verdade: existe uma janela fisiológica ideal, antes da instalação do estresse.
Mito: o calendário é suficiente para definir o momento da aplicação.
Verdade: as decisões devem considerar clima, fisiologia da planta e potencial produtivo da área.
Mito: o ATR é o único indicador importante.
Verdade: o foco atual é produzir mais açúcar por hectare, conciliando produtividade agrícola e qualidade industrial.
Sobre a ICL
ICL Group Ltd. é uma empresa global líder em minerais especializados, que desenvolve soluções impactantes para os desafios de sustentabilidade da humanidade nos mercados de alimentos, agricultura e indústria. Utiliza seus recursos exclusivos de bromo, potássio e fosfato, sua força de trabalho profissional global e sua P&D focada em sustentabilidade e recursos de inovação tecnológica para impulsionar o crescimento da empresa em seus mercados finais. A empresa emprega mais de 12,5 mil pessoas em todo o mundo e sua receita em 2024 totalizou aproximadamente US$ 6,8 bilhões. Suas ações são listadas duplamente na Bolsa de Valores de Nova Iorque e na Bolsa de Valores de Tel Aviv (NYSE e TASE: ICL).
A ICL atua no Brasil, de diferentes formas, desde a década de 1960, oferecendo um portfólio completo de soluções para atender às necessidades de agricultores e clientes industriais. São fertilizantes de eficiência aprimorada e de liberação gradual, micronutrientes para solo e foliares, macronutrientes secundários, ação fisiológica, tratamento via sementes, adjuvantes e produtos biológicos. A empresa controla também as marcas Aminoagro e Dimicron. Na área de Food and Phosphate, produz ácido fosfórico purificado, fosfatos para uso industrial e alimentício e misturas de ingredientes e aditivos alimentícios. Com 11 unidades de produção e quatro centros de inovação, onde conduz pesquisa e desenvolvimento de produtos e tecnologias, a ICL soma 1,8 mil colaboradores no País.
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