Obras públicas no século XXI não podem ser construídas com métodos do século passado
Com quase 12 mil obras públicas paralisadas e bilhões de reais desperdiçados, o Brasil precisa romper com o modelo construtivo tradicional e adotar métodos industrializados, como o steel frame, para garantir previsibilidade, eficiência e qualidade na infraestrutura do século XXI.
*Rubens Campos, CEO da Espaço Smart

O Brasil vive uma das maiores contradições do seu tempo: enquanto há urgência por infraestrutura e equipamentos públicos de qualidade, milhares de obras seguem inacabadas, paralisadas ou atrasadas. De acordo com o Tribunal de Contas da União, mais de 11,9 mil obras públicas estão paralisadas, o que representa cerca de 52% dos empreendimentos em andamento. Somente essas interrupções já consumiram R$9 bilhões dos cofres públicos e exigiram outros R$ 20 bilhões para conclusão. O resultado é um ciclo de desperdício e frustração, com prejuízos estimados em mais de R$ 110 bilhões ao país. As áreas de saúde e educação são as mais afetadas, concentrando 72% das obras paradas.
Os motivos são conhecidos: falhas de planejamento, orçamentos mal dimensionados, ausência de fiscalização e contratação de empresas sem capacidade técnica. Mas a pergunta que devemos fazer é: por que insistir nos mesmos métodos que geram resultados ineficientes? O modelo de construção tradicional, artesanal e dependente de condições climáticas, não é compatível com a complexidade das demandas públicas modernas. É preciso industrializar o processo construtivo, e o steel frame surge como uma das soluções mais eficazes para transformar essa realidade.
Trata-se de um método industrializado, previsível e rastreável, que reduz o tempo de execução em até um terço quando comparado à alvenaria convencional. É uma obra mais leve, que demanda menos mão de obra e com praticamente zero imprevistos orçamentários e de prazos de entrega. Mais que velocidade, o steel frame garante qualidade, desempenho térmico e acústico superior, e permite personalização de projetos para atender desde escolas e unidades de saúde até habitações populares.
Mesmo representando uma pequena parte da construção no Brasil, essa eficiência já é comprovada no setor privado, mas para que o setor público também colha os benefícios dessa mudança, é preciso coragem e atualização normativa. Licitações devem incorporar critérios técnicos que privilegiem desempenho, produtividade e sustentabilidade, e não apenas o menor preço. É fundamental que gestores públicos entendam que a previsibilidade orçamentária e o cumprimento de prazos dependem diretamente do método construtivo escolhido. O steel frame oferece controle de custos e cronogramas porque tudo é pré-fabricado e montado conforme projeto executivo — eliminando grande parte das incertezas e retrabalhos típicos das obras tradicionais.
Assim como a indústria automobilística não monta carros a céu aberto, a construção civil também precisa abandonar processos improvisados e apostar em sistemas inteligentes, de precisão e escala. O desafio, portanto, não é técnico — é cultural. É preciso superar a ideia de que inovação na construção é sinônimo de risco. O verdadeiro risco está em manter-se preso ao passado. A adoção do steel frame nas obras públicas pode significar não apenas economia e eficiência, mas também um legado de infraestrutura duradoura, sustentável e de qualidade para milhões de brasileiros.
O Brasil não pode desperdiçar tempo e recursos. Temos tecnologia, capacidade produtiva e conhecimento para transformar a forma como construímos escolas, hospitais e moradias. Falta apenas vontade de fazer diferente. E quando o setor público se abrir à construção a seco, o país finalmente dará um passo concreto em direção a um futuro mais ágil, sustentável e inteligente.
*Rubens Campos, CEO da Espaço Smart, primeira loja de casas do Brasil






