Parafuso inteligente contra clonagem e vistoria digital marcam anúncios da ANDtech 2026
AND apresenta soluções com IA para reforçar segurança veicular e integrar serviços dos Detrans

As placas de veículos no Brasil deverão passar a contar com um “parafuso inteligente”, capaz de permitir identificação digital, fixação segura e emissão de alertas em caso de violação, furto ou roubo. A novidade, chamada de DSE (Dispositivo de Segurança de Emplacamento), foi anunciada nesta quarta-feira (11) por Givaldo Vieira, presidente da Associação Nacional dos Detrans, durante a ANDtech 2026.
A proposta busca corrigir fragilidades do modelo atual de emplacamento. Hoje, embora os Detrans sigam os protocolos definidos pela Senatran, a fixação final ainda ocorre com parafusos comuns, suscetíveis a violação e reutilização por quadrilhas especializadas em clonagem.
Segundo Givaldo Vieira, o padrão Mercosul trouxe modernização em relação às antigas placas cinzas, mas eliminou o lacre físico e abriu margem para fraudes, inclusive com cópias irregulares de QR Code. Em São Paulo, o crime de clonagem de placas faz cerca de 5 mil vítimas por mês.
No novo sistema, a placa receberá um dispositivo inteligente de alta segurança, funcionando como um lacre digital que reage à tentativa de violação. O mecanismo poderá ser identificado em fiscalizações eletrônicas, por proximidade ou de forma automática, além de ser compatível com tecnologias já existentes, como pedágios eletrônicos, free flow e sistemas de estacionamento.

Além de proteger a fixação, o dispositivo armazenará dados criptografados do veículo, permitindo rastreabilidade e dificultando adulterações. Testado em Magé (RJ), Leopoldina (MG) e Serra (ES), o DSE será integrado ao AI2 – Ambiente de Integração e Interoperabilidade, plataforma vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação voltada à integração de soluções tecnológicas de segurança e proteção de dados.
A Senatran e o Inmetro acompanharam o desenvolvimento do projeto para garantir compatibilidade com o padrão Mercosul. Segundo a AND, o sistema está em fase de validação jurídica e busca adesão dos Detrans estaduais.
Mais novidades
Outra inovação apresentada foi o SIVED (Sistema de Integração de Vistorias entre Detrans), criado para integrar nacionalmente as vistorias veiculares interestaduais, obrigatórias em transferências de propriedade entre estados e mudanças de domicílio do veículo.
“Hoje, em alguns casos, um veículo percorre centenas de quilômetros para realizar uma vistoria. Ainda existem laudos em papel, envelopes com carimbos manuais e lacres sujeitos a violação”, afirmou Givaldo Vieira.
Pelo novo sistema, os laudos circularão eletronicamente entre os Detrans, com validação segura por recursos de inteligência artificial. Cada órgão continuará responsável pela emissão de seus laudos, mas o compartilhamento ocorrerá de forma rastreável, com mais agilidade e menor custo.
Segundo a AND, a proposta reduz burocracia, melhora a cooperação entre estados e libera equipes hoje dedicadas à conferência manual de documentos.
Rede nacional
A integração de dados também orienta a criação da Redetran, plataforma federativa voltada ao compartilhamento de informações estaduais sobre frotas e condutores. Hoje, o Brasil possui cerca de 123 milhões de veículos com dados fragmentados entre os estados. A nova rede pretende permitir consultas integradas em ambiente seguro, com atualização mais rápida e interface unificada de busca.
Cada Detran participante deverá manter um servidor próprio para evitar sobrecarga nos sistemas locais. Segundo a AND, o modelo adota protocolos de segurança semelhantes aos utilizados pela Estônia e respeita a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Além das consultas, a plataforma contará com um ambiente consolidado de inteligência chamado Torre AND, reunindo indicadores nacionais sobre veículos e motoristas para apoiar decisões sobre mobilidade e trânsito.
Capacitação
A quarta iniciativa anunciada foi a AND Academy, plataforma de formação gratuita para profissionais dos Detrans estaduais em parceria com o centro universitário Santa Cruz. A iniciativa começa com 23 cursos em desenvolvimento. O primeiro será voltado às mudanças recentes no processo de formação de condutores, após resolução publicada pela Senatran em dezembro.






