Paraná recolheu quase 90 mil pneus do meio ambiente em 2025 e utilizou para asfaltar estradas

Paraná recolheu quase 90 mil pneus do meio ambiente em 2025 e utilizou para asfaltar estradas

Com a segunda maior frota de transporte pesado do País, Estado investe na sustentabilidade e resistência nas rodovias

Uma cadeia positiva tem permitido pneus inservíveis do meio ambiente e usar para recuperação da pavimentação de estradas paranaenses. A empresa paranaense Greca Asfaltos, pioneira na técnica de utilizar borrachas em asfalto no Brasil, produziu o insumo usado em cerca de 119 quilômetros de estradas em 2025 pela Motiva Paraná, concessionária que administra 569 quilômetros de rodovias no Estado. O volume do material corresponde à retirada de 86,7 mil pneus inservíveis do meio ambiente, ou 752 toneladas de borracha reciclada, que foram usados para a produção do asfalto-borracha pela Motiva Paraná. Além de ampliar a segurança e a durabilidade das rodovias, a parceria diminui a emissão de gases de efeito estufa e promove a sustentabilidade.

Paraná recolheu quase 90 mil pneus do meio ambiente em 2025 e utilizou para asfaltar estradas

De acordo com o gerente executivo de Pavimentos da Motiva Paraná, Jhonnathan Preisner de Souza, o uso desse tipo de material é utilizado nas rodovias do Estado desde que a concessionária assumiu os trabalhos. “As rodovias do Paraná são de alto tráfego e o asfalto borracha prolonga a vida útil do pavimento, reduzindo a manutenção futura e sendo mais sustentável. Tem se comportado muito bem”, explica.

O asfalto-borracha que foi utilizado nas estradas paranaenses leva em sua composição 15% de pó de borracha moída e deixa o pavimento mais durável, com mais resistência ao desgaste, maior vida útil para a rodovia e menos intervenções para manutenção. Estudos das universidades Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de São Paulo (USP) comprovaram que o asfalto-borracha possui 5,5 vezes mais resistência à reflexão de trincas em comparação ao asfalto convencional. Ainda, apresenta mínima deformação sob temperatura elevada, com desempenho semelhante ao de asfaltos modificados por polímeros importados.

Paraná recolheu quase 90 mil pneus do meio ambiente em 2025 e utilizou para asfaltar estradas

Em comparação ao asfalto tradicional, a solução com borracha apresenta menor acúmulo de água e maior aderência. Além disso, a redução de ruído na rolagem dos pneus chega a 5 decibéis, o que significa maior conforto para quem utiliza as rodovias. Pesquisa da Politécnica de Torino (2022) mostrou também uma redução de até 35,9% nas emissões de CO2 por metro de camada de desgaste instalada. Os estudos também apontaram menor esgotamento de combustíveis fósseis e redução na demanda energética acumulada, fatores decisivos para políticas públicas alinhadas à economia de baixo carbono.

“O futuro da pavimentação passa por uma engenharia mais inteligente e sustentável. O asfalto é parte dessa transformação e continuará sendo protagonista quando se trata de unir desempenho, segurança e responsabilidade ambiental”, afirma Roberto Perez, diretor Comercial da GRECA Asfaltos.

Sustentabilidade em longo prazo

A utilização de pneus em asfalto no Brasil está completando 25 anos e foi patenteado pela GRECA Asfaltos. Durante esse período, a empresa já reciclou mais de 28 milhões de pneus.

Além do segundo maior tráfego de veículos pesados do país, o Paraná tem vantagens para a obtenção do insumo por manter desde 2019 um convênio, que estendeu aos seus 399 municípios os pontos de coleta de logística reversa, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Paraná. (link). Até o momento, mais de 30 mil toneladas de pneus já foram recolhidas e corretamente destinadas. Iniciativas como essa são fundamentais para viabilizar economicamente o uso do asfalto-borracha. O custo médio para reciclagem de uma tonelada de pneus varia de R$ 600 a R$ 800, valor que pode ser reduzido com a expansão da cadeia produtiva e incentivos fiscais.

O uso desses materiais também exige pesquisas para adaptar a mistura asfáltica às condições específicas de cada local. A concessionária de rodovias PRVias conta com o apoio técnico do Centro de Pesquisas Rodoviárias (CPR), primeiro laboratório privado do país a desenvolver estudos nesta área, centro que integra as instalações da Motiva.

“Para cada região do país, utilizamos uma mistura específica de asfalto-borracha, com uma composição eficiente que leva em consideração o volume e característica do tráfego, o tipo de clima e a distância da usina e do local onde será aplicado o pavimento. O controle destas variáveis permite um asfalto de qualidade, com as mesmas características daquelas que desenvolvemos nos laboratórios.”, afirma Luis Miguel Gutierrez Klinsky, gerente do laboratório.

Para ele, o Paraná possui uma condição privilegiada, em função do histórico do estado no desenvolvimento de soluções, o que facilita a aplicação em larga escala.

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