Pesquisa revela que 24% dos tomadores de decisão do setor agrícola desconhecem conceito de Agricultura Tropical
Campanha “O que é que só o Brasil tem?”, promovida pela CropLife, vai abordar especificidades produtivas e busca ampliar compreensão sobre soluções desenvolvidas no país.

Um em cada quatro formadores de opinião e tomadores de decisão do setor agrícola não sabe definir o conceito de Agricultura Tropical, modelo que viabiliza a produção em larga escala no país diante das condições climáticas, de solo e dos desafios fitossanitários tropicais. O dado foi apresentado nesta quarta-feira (27), em Brasília, no lançamento da campanha “O que é que só o Brasil tem?”, da CropLife Brasil, e faz parte de pesquisa inédita realizada pela Nexus com parlamentares do Congresso Nacional, servidores públicos do Poder Executivo federal, jornalistas especializados em política e empresários do agronegócio.
Enquanto uma parcela dos entrevistados reconhece a potência agrícola brasileira, o conceito apresenta respostas difusas, alguns mitos persistem e o debate reproduz percepções desatualizadas. O contraste é significativo: ao mesmo tempo em que 85% reconhecem o Brasil como potência agrícola mundial e 95% como uma referência em inovação e tecnologia para a agricultura, 24% não sabe associar o termo espontaneamente. Entre as respostas mais frequentes, estão clima brasileiro (7%), frutas (7%) e sustentabilidade (5%), enquanto tecnologia e segurança alimentar foram citadas por apenas 1% dos entrevistados cada. O protagonismo do país não é conectado ao modelo tropical que o sustenta, evidenciado o descompasso entre a relevância do sistema produtivo e o nível de compreensão sobre o tema.

“O conceito de Agricultura Tropical ainda não está cristalizado entre a população brasileira, especialmente entre decisores, e isso impacta diretamente a forma como o setor é visto e, principalmente, regulado”, afirma Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil. “Ao longo das últimas décadas, desenvolvemos tecnologias adaptadas as nossas próprias necessidades e soluções produtivas pioneiras, mostrando que o modelo não é resultado apenas das condições naturais do país. Quando entendemos melhor o que nos torna únicos, também conseguimos valorizar esse modelo produtivo e protagonizar o tema”, completa a executiva.
A pesquisa revelou, ainda, que mitos também persistem: 32% acreditam que o Brasil é o país que mais usa defensivos agrícolas no mundo, ainda que 86% confiem que o uso é rigorosamente regulado pelos órgãos competentes.
Para o Deputado Federal Pedro Lupion, da Frente Parlamentar da Agropecuária, produzir no clima tropical exige inovação constante. O parlamentar enfatiza que para viabilizar as três safras anuais, o Brasil depende de tecnologia e moléculas eficientes, uma parceria essencial com indústrias do agronegócio. “A modernização da legislação é vital para garantir o aumento da produtividade e a redução de custos no campo,” complementou durante sua participação no evento.

A pesquisa de opinião conduziu 230 entrevistas com seis perfis de público: Deputados Federais (85), Poder Executivo (Mapa, Anvisa, MMA, MDIC, INPI e Embrapa) (40), jornalistas (30), assessores legislativos (30), empresas do agronegócio (30) e Senadores (15).
Campanha
Para ajudar a compreender a relevância do setor e trazer informações sobre as especificidades da agricultura tropical, a CropLife Brasil lança a campanha “O que é que só o Brasil tem?”. A iniciativa contará com comunicação digital e hub de conteúdo que reúne dados, estudos e pesquisas sobre o setor, além de análises e conteúdos explicativos que ajudem a sociedade e formuladores a compreender como o país desenvolveu soluções produtivas próprias para o clima tropical. O objetivo é qualificar o debate público com informações e evidências que contribuam para desmistificar percepções equivocadas e reforçar a relevância, a inovação e a competitividade do agronegócio brasileiro.
A transformação da agricultura brasileira nas últimas décadas foi impulsionada pelo avanço da ciência, da pesquisa e do desenvolvimento de tecnologias e a escala a elas atribuídas, de forma a produzir dentro das condições específicas do país e sob abundância. Entre as tecnologias adotadas estão o melhoramento genético, a biotecnologia e as diferentes formas de proteção de cultivos, químicas e biológicas, que se complementam no campo. Essa combinação de soluções, integrada a base regulatória, permitiu adaptar cultivares às condições de solo presentes no território nacional, promover resiliência climática e impulsionar ganhos de produtividade.
Essa visão é endossada por André Savino, presidente da Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil e presidente do Conselho de Administração da CLB. Ele destaca que os desafios climáticos e biológicos diários exigem que não se fuja dos problemas, mas sim que sejam enfrentados com boas práticas agrícolas suportadas por ciência e tecnologia. “Para que a agricultura prospere de forma sustentável, econômica e ambientalmente, e atenda à crescente demanda populacional, é imperativo ter segurança jurídica e regulamentação moderna”, afirma o executivo, que também é produtor rural. Ele cita dados de que o desenvolvimento de uma nova tecnologia leva em média 11 anos e custa 307 milhões de dólares, reforçando a necessidade do respeito à propriedade intelectual para garantir investimentos contínuos em produtos mais eficiente e seguros.

Agronegócio Brasileiro
Os resultados ajudam a explicar a posição do Brasil como um dos principais players globais do agronegócio. Nas últimas três décadas (1990 a 2024), a produção brasileira de grãos cresceu quase 500% (494,8%), enquanto a área cultivada aumentou apenas 115,8%, resultado direto do investimento em ciência, inovação e adaptação ao clima tropical. Segundo a Conab e a FGV Agro, esse salto tecnológico permitiu poupar 144 milhões de hectares para alcançar a mesma produção, e evidenciam como o desempenho produtivo está diretamente ligado ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias adaptadas aos trópicos, às boas práticas e ao manejo no campo.

“A agricultura tropical brasileira não é apenas fruto das condições naturais do país. Ela é resultado de ciência, tecnologia e inovação desenvolvidas ao longo de décadas”, complementou Ana Repezza.
Do avanço setorial à representatividade econômica nacional. Em 2025, o agronegócio ampliou sua participação na economia brasileira e respondeu por 25,13% do PIB nacional, ante 22,9% em 2024. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB do setor chegou a R$ 3,20 trilhões, sendo aproximadamente R$ 2,06 trilhões concentrados no ramo agrícola. O resultado representa crescimento de 12,20% em relação ao ano anterior.

A campanha pode ser vista nas redes sociais, por meio dos perfis @agriculturatropicalbr (Instagram) e @agricultura-tropical-br (LinkedIn), e pelo site www.agriculturatropical.org.br.






