Prejuízos adicionais por redução da jornada
Uma parte dos trabalhadores ficaria sem conseguir o acesso à casa própria
Trabalhadores da construção poderiam ser prejudicados se a escala de trabalho 6×1 acabar neste ano e a jornada semanal se reduzir para 40 horas.
Não há como acelerar abruptamente a atividade de profissionais bem qualificados como armadores, pedreiros, carpinteiros, pintores e assentadores de cerâmicas, hoje já bastante produtivos. Impossível construir em menos dias o que leva seis para ser realizado.
Seria necessário contratar mais profissionais, o que elevaria o custo e consequentemente o preço dos imóveis. Para evitá-lo, as empresas, especialmente prestadoras de serviços de construção, se veriam impelidas a contratar mão de obra informal ou a despedir profissionais qualificados e contratar outros com menor remuneração.
Com toda essa precarização, haverá diminuição da produtividade – justamente o contrário do que se necessita para reduzir a jornada com manutenção dos salários. Produtividade esta que é afetada por fatores fora do controle das empresas, como o deslocamento de trabalhadores por três horas de suas residências aos locais de trabalho em transportes públicos lotados, como acontece na cidade de São Paulo.
A combinação de aumento dos preços dos imóveis e elevação do desemprego na construção com perda da renda mensal levará parte das famílias de trabalhadores deste e de outros setores a ficar impossibilitada de acesso à aquisição da casa própria.
Por estas e outras razões, o assunto requer uma discussão profunda e não sua aprovação a toque de caixa neste ano eleitoral. Exige estímulos para a elevação da produtividade e um olhar para exemplos do exterior, como o dos países nórdicos. Na Noruega, Suécia e Finlândia, o limite legal é de 40 horas, e a jornada média se reduziu para 30 horas, por meios de acordos coletivos de trabalho.
ENTRE ASPAS É UMA PUBLICAÇÃO DO SINDUSCON-SP – SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO
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