Projeto de baterias de lítio avança rumo à produção nacional de células
Com investimento de R$ 68,6 milhões, projeto avança na fabricação de protótipos e na implantação de uma planta semiindustrial de baterias

O Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica (ISI-Eletroquímica), em parceria com o Instituto CPQD, realizou, em 19 de agosto de 2026, o 2º Stage Gate do Projeto Estruturante de Baterias de Íons de Lítio. A iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva nacional e ampliar a autonomia tecnológica brasileira em uma das áreas estratégicas para a transição energética e a mobilidade elétrica.
O encontro ocorreu no CPQD, em Campinas (SP), reunindo representantes do Senai Nacional, da EMBRAPII, de empresas parceiras e das equipes técnicas para a apresentação dos resultados alcançados até o momento e das próximas etapas do projeto.
Com investimento global de aproximadamente R$ 68,6 milhões e execução prevista entre agosto de 2024 e julho de 2027, o projeto tem como objetivo elevar a maturidade tecnológica da produção nacional de células de baterias de íons de lítio para os níveis TRL e MRL 7.
A meta é permitir o desenvolvimento de células nacionais em ambiente pré-industrial e contribuir para a formação de competências técnicas e industriais no país.
Avanços em pesquisa e desenvolvimento
Ao fim do segundo ano de execução, foram apresentados avanços significativos nas atividades de pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura.
Entre os destaques estão a fabricação e avaliação de protótipos de células cilíndricas e prismáticas, ainda em escala laboratorial pelo ISI-Eletroquímica, além da evolução dos ensaios elétricos e de segurança realizados pelo CPQD em células comerciais utilizadas como referência tecnológica para o projeto.
Foram concluídos testes de capacidade, resistência interna, densidade de energia, eficiência de recarga, vida útil e diversos ensaios de segurança, consolidando uma importante base de conhecimento para as próximas fases de desenvolvimento.
Os resultados demonstram a capacidade das equipes de desenvolver células com desempenho inicial próximo ao observado em produtos comerciais, fortalecendo a estratégia nacional de domínio das tecnologias críticas de fabricação de baterias.
O projeto contempla tanto químicas LFP quanto NMC, atualmente amplamente utilizadas em aplicações de mobilidade elétrica e armazenamento de energia.
Planta semiindustrial entra em nova etapa
Outro marco relevante apresentado durante o evento foi o avanço da implantação da planta semiindustrial de baterias do ISI-Eletroquímica. A infraestrutura está sendo estruturada para permitir a produção de lotes pioneiros de células cilíndricas 21700 e prismáticas de capacidade próxima de 100 Ah, a validação de processos produtivos, testes de novos materiais e a execução de projetos cooperativos com a indústria.
A planta contará com áreas dedicadas à produção de formulação de pastas catódicas e anódicas, eletrodos, montagem de células e formação eletroquímica, representando uma das mais avançadas estruturas de pesquisa aplicada em baterias do país.
Durante o Stage Gate, também foi apresentado o status da aquisição dos equipamentos da linha de produção para a fabricação das células. Os equipamentos foram embarcados na China em agosto de 2026.
Paralelamente, seguem os trabalhos de implementação da sala seca e as adequações civis necessárias para receber a infraestrutura, etapas fundamentais para o início da operação da planta semiindustrial.
A previsão é concluir a estrutura da planta semiindustrial em dezembro de 2026 e iniciar sua operação em 2027.
Integração com a indústria
Além dos avanços técnicos, o projeto segue promovendo forte integração entre indústria e pesquisa. O 2º Stage Gate contou com a participação presencial de representantes de organizações como Petrobras, WEG, Stellantis, Volkswagen, Marcopolo, Arkema, CBA, Grupo Moura e outras empresas estratégicas para o ecossistema nacional de baterias.
O evento também reuniu 42 participantes em formato online, ampliando o alcance das discussões e fortalecendo a governança colaborativa da iniciativa.
A programação incluiu ainda uma visita aos Laboratórios de Energia do CPQD, proporcionando aos participantes uma visão prática das atividades de pesquisa e dos ensaios realizados no âmbito do projeto.
Próximas etapas
Nos próximos meses, as equipes concentrarão esforços na instalação e no comissionamento da planta semiindustrial, na conclusão dos ensaios de validação e na preparação das condições necessárias para a produção dos primeiros lotes de células nacionais em escala pré-industrial.
A expectativa é que esses avanços contribuam para a consolidação de competências brasileiras em uma tecnologia estratégica para a competitividade industrial e para a transição energética do país.






