Redistribuição agrícola: um elo estratégico na transformação do agro brasileiro
Por Helton Araújo, Diretor de Marketing e Compras para o varejo da Nutrien

O agronegócio brasileiro está passando por um momento único. De um lado, há desafios pesados, como margens cada vez mais apertadas, dificuldade de acesso ao crédito e uma cobrança crescente por práticas mais sustentáveis. De outro, a gente vê avanços impressionantes — desde o uso de tecnologias digitais no campo até a consolidação de uma agricultura cada vez mais profissional e conectada. No meio desse cenário, um jogador essencial tem ganhado cada vez mais destaque: a redistribuição agrícola.
Com o forte ritmo de consolidação do sistema de distribuição nos últimos anos era comum ouvir comentários de que a redistribuição perderia espaço devido ao crescimento das grandes redes de revenda. Porém, o resultado foi o oposto. Enquanto as grandes redes focavam em integrações, harmonizações de políticas e otimização da operação, as revendas de menor porte intensificaram o relacionamento com os produtores rurais, sejam agricultores ou pecuaristas. E com isso, a redistribuição ganhou maior protagonismo como ponte entre grandes indústrias e distribuidores de menor porte, levando acesso a soluções técnicas e se mostrando peça-chave para o abastecimento de insumos na cadeira produtiva do agro.
Por que a redistribuição é tão importante?
Para quem não é do setor, a redistribuição é, basicamente, o elo entre grandes indústrias, que fornecem defensivos, fertilizantes, sementes e outros insumos, e as milhares de revendas de menor porte espalhadas pelo Brasil. E quando falamos de revendas, estamos falando de um mercado pulverizado: o país tem cerca de 8 mil revendas, muitas delas pequenas, familiares, sem estrutura ou escala para negociar diretamente com as indústrias multinacionais.
A redistribuição resolve essa equação, garantindo que essas revendas tenham acesso a portfólios robustos, crédito e suporte técnico. É o que permite que inovações, como bioinsumos e fertilizantes especiais, cheguem ao produtor rural com agilidade e confiança.
Só para dar uma ideia do tamanho do setor: em 2024, as distribuidoras de insumos movimentaram R$ 167 bilhões, sendo R$ 104 bilhões só com insumos agrícolas, segundo dados da Andav. E dentro desse mercado gigantesco, a redistribuição está crescendo como nunca, democratizando o acesso a tecnologias que antes pareciam fora do alcance de pequenos produtores e revendas.
Os desafios que não se pode ignorar
Mas não é só de boas notícias que vive o setor. A redistribuição, assim como todo o mercado agro, enfrenta desafios que exigem jogo de cintura e bastante estratégia. Entre os principais estão:
- Pressão nas margens: Se há 15 anos os defensivos “de marca” dominavam 70% do mercado, hoje eles representam apenas 30%, já que os genéricos ganharam espaço. Isso força todo mundo a buscar mais eficiência e criatividade na hora de fechar contas.
- Ciclos financeiros longos: No setor agrícola, as operações podem demorar até 180 dias para se concretizar, o que significa que empresas precisam de muito capital de giro para manter tudo funcionando.
- Consolidação acelerada: O mercado de distribuição está cada vez mais competitivo, com muitas fusões e aquisições acontecendo.
- Gestão de crédito e segurança: Com episódios recentes de grandes players entrando em recuperação judicial, a redistribuição precisa ser ainda mais criteriosa para evitar calotes e lidar com a volatilidade do mercado. Isto sem falar na situação financeira dos produtores que se agravou no período pós pandemia.
As grandes oportunidades que estão por vir
Apesar de tudo isso, as perspectivas para o futuro da redistribuição são promissoras. Há muitas oportunidades no radar, e quem souber aproveitá-las vai sair na frente. Aqui estão algumas das principais tendências que já estão mudando o setor:
- Bioinsumos em alta: Produtos biológicos, como defensivos naturais e fertilizantes especiais, estão crescendo a um ritmo impressionante — com taxas de crescimento anual em torno de 21% nos últimos quatro anos.
- Expansão digital: o que antes precisava de visita física para apresentação de produtos e serviços, hoje podemos ter uma abordagem mais omnichannel para melhor comodidade do cliente. E podemos deixar a visita física para evoluir em outras frentes.
- Crédito: forte demanda por viabilização de parceiros financeiros com interesse em crescimento e que podem reduzir o risco de crédito.
- Práticas ESG se consolidando: Sustentabilidade não é mais “opcional” — é regra. Rastreabilidade, compliance e responsabilidade sócio-ambiental são diferenciais competitivos cada vez mais importantes.
- Mudança do modelo transacional para o consultivo: A redistribuição está deixando de ser apenas um canal de vendas e se transformando em uma solução integrada, oferecendo suporte técnico, crédito e serviços personalizados para atender as necessidades específicas de cada cliente (revenda).
Mais do que vender produtos, o redistribuidor do futuro vai ajudar a construir soluções completas para o agro.
Agroessence: um ano que já mudou o jogo
Se tem uma empresa que entendeu esse novo papel da redistribuição, é a Agroessence. Fruto da fusão das marcas Casal e Cultive (que possuíam 18 anos de mercado), em pouco mais de um ano de operação a nova marca Agroessence já se consolidou como uma das principais redistribuidoras do Brasil.
Os números falam por si:
- Em 2025, a Agroessence atendeu 2.700 revendas, com presença física em 10 estados e operações em mais 8.
- A redistribuição representa 14% do resultado da Nutrien varejo no Brasil.
Mas o grande diferencial da Agroessence vai além dos números. Ele está no relacionamento próximo com as revendas — 75% da receita da empresa vem de clientes recorrentes, um índice muito acima da média do setor. Isso é resultado de uma operação que valoriza consistência, credibilidade e um trabalho próximo, tanto com os revendedores quanto com os produtores.
O primeiro ano foi marcado por:
- Fortalecimento da marca: A credibilidade da marca Nutrem abriu portas com fornecedores e ampliou o acesso a portfólios técnicos de alto valor.
- Expansão territorial: A presença em 18 estados reforça a capilaridade da Agroessence.
- Integração cultural e operacional: A fusão entre Casal e Cultive unificou equipes e processos, criando uma operação mais coesa e eficiente.
A redistribuição como motor do agro brasileiro
Seja conectando indústrias globais a revendas ou democratizando o acesso à tecnologia, a redistribuição está no centro da transformação do agro brasileiro. Empresas como a Agroessence mostram que é possível transformar desafios em oportunidades, construindo parcerias sólidas e entregando valor em todas as etapas da cadeia.
“Nosso compromisso é democratizar o acesso à tecnologia, com eficiência, parceria e confiança. A redistribuição, mais do que nunca, é uma solução estratégica — e a Agroessence está na linha de frente dessa evolução.”
Com um mercado que promete crescer ainda mais nos próximos anos, a Agroessence está pronta para liderar o futuro da redistribuição, ajudando a construir um agro mais eficiente, sustentável e conectado. Afinal, quando se trata de transformar o campo, é a parceria que faz toda a diferença.






