Sistema absorve volume de água da chuva e ajuda a evitar alagamentos
Engenheiro explica como elas funcionam. No Órion Complex, sistema tem capacidade de reter mais de 16 mil litros de água durante uma tempestade

As chuvas fortes vem trazendo preocupação nas cidades, pois as precipitações intensas têm gerado alagamentos nos centros urbanos do Brasil afora. Em Goiânia, não é diferente, Na cidade, de acordo com o Climatempo, o volume de chuva acumulado em janeiro foi de 411 milímetros (mm). O número supera a média de precipitação para a capital goiana para o mês, que é de 249 mm. A prefeitura implantou um sistema de alertas para orientar a população a evitar passar por pontos de inundação. Embora ele salve vidas, não soluciona o problema.
Em razão da cobertura asfáltica e da pouca permeabilidade dentro das casas e nos espaços públicos, a chuva é toda direcionada para as galerias pluviais, que acabam não suportando o volume e transbordam. “Além disso, há também o problema das galerias entupidas, que pioram a situação”, observa o engenheiro Leopoldo Gouthier de Oliveira. As galerias cheias geram um transbordo muito rápido no leito dos rios, elevando rapidamente o seu nível. Uma solução para criar novos caminhos de absorção das chuvas nas cidades são as caixas de retenção.
O Plano Diretor de Goiânia estabelece que até um terço da área permeável obrigatória para os imóveis podem ser feitas por meio deste tipo de técnica, sendo estas obrigatórias para os edifícios. “As caixas de retenção são construídas no subsolo. A água da chuva que cai no telhado do imóvel é direcionada para lá, e ela tem uma vazão mais lenta para que seja absorvida no terreno aos poucos”, explica o engenheiro. Desta forma, além de não sobrecarregar as galerias pluviais das cidades, as caixas de retenção também ajudam na alimentação do lençol freático local

Na prática
Um exemplo bem sucedido de caixa de retenção em Goiânia está no Órion Business & Health Complex. O edifício possui dois reservatórios voltados para a finalidade de retardar a liberação das chuvas torrenciais no solo. O primeiro, com capacidade de receber 35.700 mil litros de água, está instalado no sétimo andar e recebe tanto a água da chuva, que vem das calhas instaladas na cobertura, quanto as que vêm dos drenos do ar condicionado das clínicas. Neste andar, passa por filtros para retirar as impurezas.
Nesta época de chuva esse reservatório é preenchido em sua capacidade máxima. Depois do tratamento, ela segue por uma tubulação própria para ser reaproveitada na limpeza do prédio e para aguar as plantas. O segundo tanque, de 16.800 litros, fica no quinto andar e recebe apenas água da chuva destinada a infiltração no lençol freático. Ele é responsável por reduzir a velocidade com que a água desce para chegar a um terceiro tanque, o de infiltração que está instalado no subsolo.
Deste tanque, parte da água vai para o lençol freático e o excedente é destinado para as galerias pluviais, o que acontece somente após a chuva ter passado, devido ao tempo para encher cada compartimento. “Desta forma, fazemos o uso otimizado da água, abastecemos o lençol freático e evitamos as enchentes que tanto afligem a todos nós em momentos de tempestades”, destaca Leopoldo Gouthier, que também é síndico do Órion Complex.






