Soluções para Indústria 4.0 e qualificação da mão de obra marcam o terceiro dia da FEIMEC 2022

Empresas firmam parcerias com programa de qualificação profissional e projetos inteligentes desenvolvidos pelo SENAI
Automação não é mais uma palavra do futuro, e sim do presente. Nos corredores da Feira Internacional da Indústria de Máquinas e Equipamentos (FEIMEC) é possível contemplar o que há de mais novo em tecnologia para o mercado da indústria. Softwares, robôs, veículos autoguiados e sistemas integrados de monitoramento apresentam ao público soluções inteligentes para otimizar processos, ter mais eficiência na produção e reduzir custos. Diante de tantas novidades digitais, é imprescindível que o mercado busque qualificar cada vez mais a mão de obra especializada.
Presente no evento, o Serviço Nacional da Indústria (SENAI) de São Paulo lançou, nesta edição da feira, a Unidade Móvel de Conectividade, um espaço dedicado ao 5G, WiFi 6, realidade virtual e realidade aumentada. Na carreta, o visitante pode ter contato, por exemplo, com o Touch 3D, um equipamento usado em treinamentos que demandam precisão, como a medicina. A máquina permite que o usuário experimente sensações e texturas de acordo com a programação 3D que está na tela. “Esse sistema é muito usado para treinamento médico de cirurgias. É possível simular pelo Touch 3D as diferentes percepções de cortes do tecido”, explica Bruno Padovan Pinelli, analista de tecnologia do SENAI SP.
A entidade disponibiliza o programa SENAI + Parceiros, uma iniciativa que busca cooperar com empresas, focando em inovação tecnológica, a fim de atender às novas demandas da indústria. O programa já soma 176 empresas atendidas, distribuídas em 28 áreas tecnológicas. As parcerias podem se dar mediante diferentes modelos, como comodata, doação e cessão não onerosa de softwares.
De acordo com o supervisor de projetos estratégicos do SENAI SP, Fernando Telli, essas iniciativas fomentam a indústria e contribuem para o aprimoramento da mão de obra. “A Indústria 4.0 assusta um pouco o setor, que ainda sente dificuldade na contratação de mão de obra especializada. Algumas empresas não assimilaram bem a magnitude dessas tecnologias habilitadoras, por isso temos que investir em soluções tecnológicas e capacitação profissional, preparar as pessoas para atender a demanda desse mercado. Nossas parcerias proporcionam inovações, experiências e oportunidades para uma indústria mais conectada”, diz.
Telli destaca também o projeto Jornada da Transformação Digital, que oferece consultoria gratuita para pequenas e médias empresas. O SENAI SP possui hoje 92 escolas físicas e 78 unidades móveis de ensino em todo o estado. Uma das unidades móveis é voltada para a Indústria 4.0 e a escola que fica em São Caetano do Sul é referência nacional nos estudos do assunto.
Uma das marcas expositoras da FEIMEC 2022 acaba de firmar uma parceria com o SENAI. A empresa suíça Tornos construiu uma cooperação com a escola para instruir operadores a usarem a máquina DT26HP. O objetivo da parceria é suprir a carência de mão de obra especializada na área, problema que, de acordo com a responsável pelo setor administrativo e comercial da Torus, Mayara Wachmann, não é exclusivo do Brasil. “A falta de qualificação para esse tipo de maquinário é um problema no mundo todo, inclusive na Suíça, país de origem da marca. O nosso diferencial aqui no Brasil é ter um órgão estruturado e qualificado como o SENAI para apoiar projetos nesse sentido”.
A empresa disponibilizou um torno suíço por dois anos à unidade SENAI do Brás, centro de São Paulo. No local será realizado um curso de aperfeiçoamento de 80 horas exclusivo para esse equipamento. Para participar das aulas é necessário que o aluno tenha experiência em usinagem industrial. Além do curso de curta duração, a escola irá incluir o torno suiço nas disciplinas dos cursos de longa duração de Técnico em Mecânica e Mecatrônica e Aprendiz Industrial Mecânico de Usinagem.
“Os alunos dos cursos regulares já possuem matérias de CNC – Comando Numérico Computadorizado, como são chamadas essas máquinas. Porém, agora poderão aprimorar o conhecimento nesse modelo de máquina, que é mais completo. A diferença é que o torno suíço é capaz de fazer peças cilíndricas e planas ao mesmo tempo, não sendo necessário o uso do torno e da frisadeira em momentos distintos. Um dos exemplos de peças fabricadas nessa máquina é o implante dentário”, explica Ellen Mariano, coordenadora do SENAI para o relacionamento com a indústria. Ellen ressalta ainda que além de aprimorar a mão de obra e favorecer a geração de empregos, o projeto fomenta o mercado industrial.
Indústria 4.0 – Quem visita a FEIMEC 2022 pode acompanhar uma série de clusters de inovações que ficam em funcionamento durante a feira. O espaço Indústria 4.0 é um demonstrator de soluções e inovações tecnológicas para o setor. Um dos projetos apresentados na área também é de iniciativa do SENAI. Trata-se do Soluções Digitais, uma ideia que abrange dois projetos: o Simulador de Processos e o Escaneamento/Nuvem de Ponto. O primeiro é um software que simula o processo de funcionamento da empresa no chão da fábrica, gerando uma planta completa das atividades realizadas no local por meio de realidade virtual. Essa ferramenta ajuda a identificar gargalos que nem sempre são vistos a olho nu na empresa, como erros de layout e ociosidade de máquinas. A análise permite que o operador identifique e corrija problemas, como fazer a troca de robôs em determinadas operações, alteração de operadores, entre outros.
Já a Nuvem de Pontos é um scanner de ambiente com alta precisão, que pode captar imagens em um raio de até 70 metros. Em uma única varredura ele pode identificar diversos problemas na linha operacional de uma fábrica e permite que essas imagens sejam transmitidas em tempo real em outras telas, por exemplo, na sala de reunião da diretoria. Esse sistema é uma novidade da entidade e está em funcionamento na unidade de São Caetano do Sul. O SENAI trabalha também com óculos de realidade virtual, que permite que empresários consigam visitar as fábricas nacionais estando em outros países, além de facilitar treinamentos técnicos. De acordo com o representante de engenharia do Instituto SENAI, Gustavo Marques, apenas dentro do projeto de Lean Manufacturing, o instituto já atendeu mais de 80 empresas com soluções inteligentes.
No estande ao lado é possível vivenciar a importância da infraestrutura digital. Em uma tela, é monitorado, em tempo real, o uso do ar comprimido que abastece as mais de três máquinas em exposição no espaço da Indústria 4.0. “O acompanhamento das métricas de consumo do ar comprimido é o início para o desenvolvimento de uma política de sustentabilidade e de redução de custos. A partir desse acompanhamento é possível desligar máquinas que não estão em uso, verificar a pressão e as condições dos equipamentos e ainda identificar onde estão os pontos críticos da produção”, destaca Myriam Reis, consultora de vendas e aplicação da Emerson, desenvolvedora do projeto.
Os sensores instalados nos equipamentos avaliam a pressão, a utilização de ar e o quanto esse consumo vai onerar a empresa. Além disso, é uma ferramenta que ajuda a controlar os gastos com energia elétrica e com a emissão de CO2. Segundo Myriam, o sistema já está em uso em grandes empresas do segmento de higiene bucal e cosméticos. Nos primeiros levantamentos realizados, a instalação do projeto impactou em uma redução de 15% dos custos e 3% na emissão de CO2.
Será que é possível tornar compatível uma máquina lançada há 20 anos com as soluções inteligentes de hoje? Esse é o projeto apresentado pelo Centro Universitário FEI no evento deste ano. A ideia partiu de um trabalho feito por um mestrando da faculdade, Alexandre Vicentin, e foi viabilizada por meio do professor Fábio Lima em parceria com a empresa de sensores AI QUATRO.
O projeto consiste em modernizar uma máquina antiga a partir de sensores que possibilitem obter mais informações sobre o equipamento. “Pegamos uma máquina de 20 anos que funciona bem, mas que não oferece dados como consumo de energia, vibração, velocidade e desempenho. Então, instalamos sensores de vibração triaxial nela e agora podemos obter todas as métricas diretamente no software ou no aplicativo para smartphone. O objetivo principal é oferecer condições de modernização para os pequenos e médios empreendedores”, explica o idealizador. Segundo a equipe, o sistema de modernização pode custar entre 12 e 20 mil reais.
Outro desafio da Indústria 4.0 é o uso inteligente dos espaços, visto que isso pode agregar muitos custos e problemas logísticos às empresas do setor. Para mudar esse cenário, a Siemens apresentou em seu estande de ideias o Estoque Digital. Trata-se de um espaço virtual onde a empresa dispõe seu catálogo de peças e a produção das mesmas acontece conforme demanda e é feita por meio de manufatura avançada, a chamada impressão 3D. Além das vantagens em relação ao espaço físico, esse sistema também favorece o custo, uma vez que o design pensado para essas peças pode reduzir os materiais utilizados para fabricação. “Temos exemplos de peças que, na manufatura tradicional, usa-se 14 componentes para fabricá-la. Já na impressão 3D, o número de materiais cai para um. O software oferecido pela Siemens faz o desenho inteligente do projeto e a gestão de dados de cada peça”, explica Henrique Monteiro, gerente de pré-venda da Siemens.
O espaço oferece ainda experiências nas áreas de rastreabilidade, digitalização, gestão digital e manutenção inteligente. O demonstrativo de soluções da Indústria 4.0 tem apoio da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), idealizadora da FEIMEC 2022, que, por sua vez, é organizada e promovida pela Informa Markets Brasil.
3ª FEIMEC – Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos
Data: De 3 a 7 de Maio de 2022.
Horários: De 3ª e 6ª (das 10 às 19h) e Sábado (das 9h às 17h).
Local: São Paulo Expo Exhibition & Convention Center.
Iniciativa: ABIMAQ – Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos.
Promoção e Organização: Informa Markets Brasil.






