Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio discute crédito mais escasso e endividamento no campo

Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio discute crédito mais escasso e endividamento no campo

Desafios do financiamento rural, execução de garantias e segurança jurídica estarão no centro de debate entre juristas, magistrados e executivos

Um dos temas mais sensíveis para o agronegócio brasileiro — o crédito rural em um cenário de restrição financeira e aumento do endividamento no campo — estará em debate no dia 30 de março durante o painel “Seguro e financiamento rural: sustentabilidade e crise do crédito”, no Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio (CBDA). Especialistas do setor privado, do sistema financeiro e do Judiciário irão analisar os desafios jurídicos e institucionais do financiamento ao produtor em um momento de maior pressão sobre as margens e de dificuldades para renegociação de dívidas.

Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio discute crédito mais escasso e endividamento no campo

“O agronegócio brasileiro é um sistema cuja viabilidade depende cada vez mais do financiamento privado, especialmente da atuação das multinacionais de grãos. Diante da atual crise de crédito, a segurança jurídica se torna um elemento central para a confiança dos financiadores e para a sustentabilidade econômica do setor”, afirma Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio discute crédito mais escasso e endividamento no campo, gerente jurídico do Grupo Amaggi.

Em sua apresentação, Fraga analisará a participação dos agentes de crédito nas duas últimas safras, o papel das multinacionais de grãos no financiamento da produção e os impactos da recuperação judicial de produtores rurais sobre o ambiente de crédito. Outro ponto de destaque será a evolução institucional do setor, simbolizada pelos mais de 30 anos da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento considerado fundamental para o desenvolvimento do crédito rural no país.

Já a superintendente jurídica do Itaú Unibanco, Andréa Aranha Greco, abordará “as dificuldades enfrentadas por credores para excutir garantias fiduciárias em processos de recuperação judicial”, especialmente quando o devedor alega a essencialidade dos bens dados em garantia.

Moderado por Pauleandro Duarte, head jurídico do Grupo Rabobank para a América do Sul, o painel contará também com a participação do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Ricardo Villas Bôas Cueva, e do juiz de Direito Thiago Castelliano (foto), do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

Castelliano irá discutir os desafios jurisprudenciais relacionados ao crédito rural -em um contexto de maior escassez de recursos e aumento do endividamento dos produtores – além das dificuldades na aplicação do Manual de Crédito Rural pelo Judiciário e os obstáculos processuais enfrentados por produtores que buscam renegociar dívidas.

“Entre esses entraves está a criação, em algumas decisões judiciais, de requisitos prévios para ações de alongamento de dívidas rurais, como a exigência de requerimento administrativo anterior e de negativa formal da instituição financeira. A combinação desses requisitos pode dificultar o acesso do produtor rural à Justiça”, afirma o juiz.

Para o presidente do IBDA, Renato Buranello, embora o cenário do agronegócio brasileiro pareça positivo à primeira vista — com safra recorde e posição estratégica do país na produção de alimentos, fibras e bioenergia — os próximos anos tendem a ser desafiadores.

“Os fundamentos estruturais do setor permanecem sólidos. No entanto, 2025 e 2026 refletem os efeitos de um ciclo recente de forte expansão do crédito. Observamos margens mais pressionadas e um número crescente de empresas da cadeia produtiva enfrentando dificuldades semelhantes”, afirma.

Segundo Buranello, essa fase de ajuste não deve se dissipar no curto prazo. “Ao contrário, tende a se estender ao longo de todo o ano de 2026, agravada por fatores como o calendário eleitoral e a realização da Copa do Mundo. Historicamente, em anos eleitorais, temas estruturantes costumam avançar com menor intensidade.”

Ministro do STF

A palestra inaugural da sexta edição do Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio será ministrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, com o tema “Ordem Econômica e Segurança Jurídica”.

A programação inclui ainda painéis sobre segurança jurídica na reforma do Estatuto da Terra e na aplicação do Marco Temporal, incentivos à segurança climática, regulamentação e transição da reforma tributária e uma mesa redonda sobre os desafios das relações de trabalho no campo e a importância da negociação coletiva no estatuto do trabalhador rural.

O evento será realizado das 9h às 18h no Hotel Renaissance São Paulo. As inscrições para participação presencial ou on-line podem ser feitas pelo site oficial: https://congressodireitoagro.com.br/. A transmissão on-line será gratuita. As inscrições estarão abertas até 29 de março ou enquanto houver vagas.

Sobre o IBDA

O Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA) tem por objetivo o estudo do Direito e Economia dos Sistemas Agroindustriais (SAGs), formando um observatório para a formulação de políticas públicas e melhor interpretação do conjunto de normas que regulam o setor. O Instituto promove a difusão de conhecimento específico sobre regime jurídico do setor, bem como estudos técnicos que venham a contribuir para seu melhor desenvolvimento.

Serviço:

  • Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio
  • Data: 30 de março de 2026
  • Horário: das 9h às 18h

Local: Hotel Renaissance São Paulo – Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo

Realização: Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA)

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