DP World: Brasil precisa dobrar investimentos em infraestrutura para ampliar rotas com países árabes
O Brasil precisa dobrar o investimento em infraestrutura logística dentro do seu território se quiser viabilizar corredores marítimos comerciais de alta eficiência com seus principais parceiros no exterior.

CEO da DP World diz que Brasil precisa dobrar investimento em infraestrutura para viabilizar linhas dedicadas a parceiros estratégicos
A avaliação é de Fábio Siccherino (foto), CEO no Brasil da operadora de terminais portuários DP World, empresa originária dos Emirados Árabes Unidos, e foi feita durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, organizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, nesta terça (25), na capital paulista.
“O Brasil investe cerca de 2,2% do PIB [Produto Interno Bruto] em infraestrutura, quando deveria aportar 4,5%. Para suportar o crescimento do Brasil e aumentar a sua participação em mercados internacionais, precisamos ter infraestrutura [interna, até o porto] e corredores [marítimos diretos] eficientes, principalmente com os países árabes”, disse Siccherino.
O CEO da DP World afirma que as exportações brasileiras de minerais, celulose e commodities agrícolas para a região já ocorrem em volumes que justificam a criação de linhas marítimas dedicadas. A viabilização dessas rotas, no entanto, depende não só da otimização da logística até o porto, mas também de medidas para baratear o custo do capital e oferecer segurança jurídica para investimentos.
Há, ainda, os desafios do mar. O CEO da DP World afirmou que as principais rotas internacionais hoje têm pontos de estrangulamento suscetíveis a interrupções, citando nominalmente os Estreitos de Ormuz e Malaca. Essa situação vem fazendo os operadores de comércio exterior buscarem o que chamou de “estratégia de cadeia dupla”.
Conforme explicou, a estratégia de cadeia dupla consiste na estruturação de um fluxo logístico alternativo pronto para ser acionado em caso de interrupção. Esse fluxo implica, necessariamente, em custos adicionais ao exportador, mas se justificam frente aos prejuízos da interrupção.
Um exemplo dessa estratégia foi apresentada no mesmo painel em que falou Siccherino, pelo CEO da MSC Saudi Arabia, Hisham Al Ansari. Segundo contou, com a restrição do Estreito de Ormuz, a empresa montou um fluxo que chamou de “mar-terra-mar” para chegar a países do Golfo acessíveis somente pela passagem, caso de Catar, Bahrein e Kuwait.
A estratégia consistiu no envio de mercadorias a portos do Mar Vermelho, principalmente Jeddah, na Arábia Saudita. De lá, as cargas eram despachadas de caminhão, por cerca de 1500 km, na maioria dos casos até o porto de Dammam, às margens do Golfo, com subsequente envio ao destino final por navio.
Além da rota pelo Mar Vermelho, a empresa utilizou os portos omanitas de Salalah, voltado para o Mar Arábico, e de Sohar, no Golfo de Omã. Usou também o porto emirático de Khorfakkan, às margens do Golfo de Omã, combinando todos eles com o modal terrestre.
Segundo o executivo da MSC, todas as configurações funcionaram bem, mas com custos longe do ideal. As soluções, no entanto, permitiram que o comércio do Brasil com os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) se mantivesse em níveis históricos.
No primeiro semestre, as vendas brasileiras para o CCG tiveram perdas de 4,01% sobre o mesmo período do ano passado, total de US$ 4,17 bilhões, conforme dados da Câmara Árabe-Brasileira. A entidade afirma já ter registrado recuos maiores em tempos de paz.
O Fórum Econômico Brasil-Países Árabes tem o patrocínio de FAMBRAS Halal e International Halal Academy, Vale, DP World, CDIAL Halal, First Abu Dhabi Bank, MBRF, Qatar Airways e MZAH Investment.






