Cenário global pressiona madeira e exige adaptação do setor
Guerra, mercado e diversidade: Podcast da WoodFlow destaca desafios globais e o protagonismo feminino no setor florestal
O mais recente episódio do podcast da WoodFlow reúne especialistas para discutir os impactos da instabilidade geopolítica no mercado de madeira e os avanços — e desafios — da presença feminina no setor florestal. Em um especial do mês da mulher, o episódio também destaca a atuação da Rede Mulher Florestal e o papel da diversidade como estratégia para empresas que atuam no mercado internacional.
Apresentado por Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, o episódio conta com a participação de Marcelo Wiecheteck, head de Desenvolvimento Estratégico da STCP, e das engenheiras florestais Luana Goularte, consultora da Synflor e secretária-executiva da Rede Mulher Florestal, e Ana Marise Auer, consultora autônoma, perita judicial, professora universitária e também membro da Rede Mulher Florestal.
Guerra e o impacto para a madeira
O impacto da guerra envolvendo EUA e Irã e suas consequências para o comércio global foram destaque. Segundo Marcelo Wiecheteck, a energia está diretamente ligada às dinâmicas comerciais e a região do Oriente Médio, especialmente o Estreito de Ormuz, representa um ponto crítico. “A passagem é estratégica, com riscos de ataques que podem elevar custos de frete e seguros marítimos. Embora não seja o principal destino das exportações brasileiras de madeira, cerca de US$ 133 milhões em produtos florestais foram enviados à região ano passado, concentrados principalmente em países como Emirados Árabes e Arábia Saudita”, explica.
Para Gustavo Milazzo, o cenário reforça a complexidade do mercado global. “Não é um mercado que necessariamente vamos perder, mas é um ambiente onde ninguém consegue operar com normalidade. Isso impacta toda a dinâmica de negociação”, afirma.

Teremos mais estabilidade e previsibilidade em 2026?
Ao analisar o início de 2026, Wiecheteck destaca que o ano começou com desafios, mas com sinais de possível estabilização. “Os primeiros meses foram adversos, com quedas importantes, especialmente em produtos à base de pinus. Por outro lado, produtos tropicais ganharam espaço, principalmente por terem ficado fora de medidas tarifárias anteriores”, observa. Ele ressalta ainda que a recente redução tarifária pode abrir espaço para recuperação de alguns segmentos nos próximos meses. “Há uma expectativa de maior previsibilidade e planejamento, o que pode favorecer o mercado.”
Milazzo complementa destacando o peso do mercado norte-americano. “Estamos falando de um impacto significativo. Cerca de US$ 115 milhões praticamente desapareceram depois das tarifas. Isso mostra o quanto dependemos de estabilidade para sustentar as exportações”.
A mulher na cadeia florestal
Em paralelo aos desafios econômicos, o episódio traz uma reflexão sobre sustentabilidade e diversidade no setor. Para Luana Goularte, momentos de instabilidade costumam reduzir a prioridade dada à pauta da equidade dentro das empresas. “A diversidade deve ser entendida como gestão de risco. Empresas que trabalham essa pauta tendem a ter ambientes mais seguros, maior capacidade de adaptação e melhores resultados”, afirma. Ela cita estudos que indicam que companhias com políticas efetivas de diversidade podem alcançar até 25% mais lucratividade.
Ana Marise Auer reforça que a equidade ainda enfrenta barreiras culturais. “A engenharia, de forma geral, ainda tem baixa participação feminina. No caso da engenharia florestal, já temos quase 50% de mulheres formadas, mas isso não se reflete na ocupação dos cargos. Existe uma preferência histórica pela figura masculina que precisa ser superada”, pontua.
A Rede Mulher Florestal surge, nesse contexto, como uma iniciativa relevante para promover a transformação no setor. Segundo Luana, a Rede atua como um espaço de conexão e desenvolvimento. “É uma associação que reúne homens, mulheres e empresas para fomentar o diálogo sobre a presença feminina no setor”, explica.
Apesar dos avanços, os desafios ainda são evidentes, especialmente nas operações de campo. “Existe uma percepção cultural que associa determinadas funções ao homem, principalmente em atividades com máquinas. A mulher ainda é mais reconhecida em funções administrativas ou de liderança, mas precisamos ampliar essa presença em todas as áreas”, destaca Luana.
Para Ana, a mudança passa também pela forma como a sociedade enxerga o papel da mulher. “Estamos falando de 50% da população. A participação deveria ser proporcional”, afirma.
Diversidade – de Gêneros e de mercados
Ao final, os participantes convergem para a importância da diversificação tanto de mercados quanto dentro das empresas. “Se 2025 foi um ano de grandes desafios, 2026 tende a ser mais previsível, ainda que com riscos. As empresas precisam olhar para novos mercados e fortalecer parcerias. E isso também passa por diversidade dentro e fora das organizações”, conclui Wiecheteck.
Sobre o Podcast WoodFlow
O Podcast WoodFlow é uma iniciativa da startup de exportação de madeira WoodFlow, e visa debater, uma vez ao mês, sobre o mercado de madeira. O CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo conduz as entrevistas sempre retratando o cenário e o futuro da madeira. O Podcast WoodFlow é o primeiro do país a debater temas do mercado madeireiro e pode ser acessado diretamente no youtube ou nas plataformas de streaming de áudio.
Sobre a WoodFlow
A WoodFlow é uma plataforma online especializada na exportação de madeira brasileira. Com conhecimento técnico especializado, seleciona os melhores produtores, realiza o processo de cotação e negociação e oferece rastreabilidade e transparência no acompanhamento dos pedidos. Mais do que um portal, a WoodFlow conecta importadores do mercado global com produtores brasileiros.






